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30 de dezembro de 2008



FELIZ 2009 DOS ROXETES PRA VCS

último post de 2008

Demorei muito pra começar a pensar no que escrever no último post de 2009. Fiz levantamentos de como foi esse ano na minha vida e tenho uma palavra para resumir todo o palavrório, TRABALHO. Tem tempo que não me dedico com tanto afinco a um projeto como venho fazendo. Dediquei quase que todo meu tempo à Fap e cada minuto que fiquei aqui me foi gratificado de diversas formas. Uma das mais gostosas vocês ainda conhecerão.
Teve o prêmio do Mapa Cultural Paulista que me surpreendeu de diversas formas e me trouxe amizades. Aliás, as amizades novas foram muitas e algumas do passado que ressurgiram e me fez muito, mas muito feliz.
O texto é curto e serve pra deixar aqui um abraço a todos vocês e dizer que ano que vem continuaremos no espírito beat...
Aproveito e deixo um feliz aniversário pra meu pai.
FELIZ ANO QUE VEM,
UHAUAHUAUAUA

23 de dezembro de 2008

esperamos pra 2009

Biografia de Raul Seixas prioriza as histórias prosaicas do cantor

por Ricardo Schott, Jornal do Brasil

RIO - Publicações sobre Raul Seixas existem inúmeras, indo desde almanaques, teses e dissertações a volumes de fãs ou sobre esoterismo.
O jornalista paulistano Edmundo Leite está há cinco anos empenhado no objetivo de dar ao roqueiro baiano sua primeira biografia digna deste nome. O livro, para o qual ainda não decidiu um título, está previsto para lançamento em agosto de 2009, quando acontece o 20º aniversário de morte de Raul.
Mesmo num momento em que os inúmeros mitos em torno do cantor vêm à tona, Leite diz que planejou seu trabalho para caminhar na direção contrária do Raul mitológico.
– Durante a pesquisa, trabalhei o tempo todo com o objetivo de humanizar o Raul – destaca o jornalista.
– Ele era um cara carismático, era natural que esse carisma todo dele se sobressaísse. Só que essa devoção, que os fãs sempre tiveram, acabou tirando o aspecto humano dele, suas fraquezas. E percebi o quanto fazia falta uma biografia de verdade, com apuração realmente boa.
Entre os aspectos explorados no livro, está o trabalho de Raul no estúdio. Antes de estrear solo com o álbum Krig-Ha Bandolo (1973), o cantor atuou como produtor e músico de estúdio na CBS (hoje Sony BMG), trabalhando com hitmakers como Mauro Motta e cantores populares como Jerry Adriani, Odair José, Trio Esperança e Oswaldo Nunes, para quem concebeu álbuns.
Dureza no estúdio
– Os fãs têm a tendência de achar que o Raul abria o armário e tirava um disco pronto lá de dentro, como se fosse uma coisa mágica. Mas trabalhava-se duro na produção de seus álbuns. – comenta Leite, que descobriu que até músicos nunca relacionados ao cantor, como Wagner Tiso, trabalharam com ele.
– A lista dos músicos participantes de Gita, por exemplo, era enorme. Os discos dele tinham orçamento caro. Raul já chegou na Philips (hoje Universal) como top de linha, era uma das prioridades da gravadora. Procurei esmiuçar as histórias das gravações das músicas, como se deu tudo, quem estava ao lado dele nas ocasiões.
Para quem lida com um personagem como Raul – um sujeito que, em entrevistas, tinha o hábito de contar diferentes versões dos mesmos casos – não é tarefa fácil confirmar certas histórias.
Objetivando dissipar dúvidas, o biógrafo relata ter confrontado várias versões. Mas não escapou de se deparar com situações inusitadas.
– Tem situações que foram presenciadas por três, quatro pessoas, e cada uma diz uma coisa sobre o assunto. Confrontei tudo e depois fui percebendo que algumas coisas não poderiam ter acontecido. Outras aconteceram, mas eram contadas de várias formas – explica, citando um exemplo: – A ida do Raul aos Estados Unidos em 1974, quando dizia ter se encontrado com John Lennon, é coberta de histórias e desmentidos. Corri atrás dos fatos e, quem ler a biografia, vai ver o que aconteceu.
Durante a realização de sua pesquisa, Leite não economizou esforços para encontrar personagens importantes da história de Raul. Até mesmo alguns cujas presenças são, geralmente, abafadas.
É o caso do guitarrista americano Gay Vaquer (pai do cantor Jay Vaquer), que tocou com Raul de 1970 a 1978 e chegou, com o amigo, a se envolver num projeto malsucedido de road movie, em 1976, O triângulo do diabo.
O autor foi aos Estados Unidos encontrar-se com ele e com a família americana de Raul (a ex-esposa Gloria, irmã de Gay, e Scarlet, filha que teve com ela).
– Todo mundo que procurei falou bastante sobre todos os assuntos, ninguém se negou a explorar nada, até mesmo as ex-esposas. Todas elas, inclusive a Kika Seixas (que detém os direitos de Raul), me receberam – afirma o autor, que recebeu o mesmo tratamento de Paulo Coelho.
– Quando falei com ele, ainda nem existia o projeto do Fernando Morais (a biografia O mago). Passei três dias com Coelho em Genebra e ele me abriu todos os seus arquivos, falou sobre tudo.
Do lado profissional de Raul, o escritor acabou chegando aos aspectos que construíram outras facetas suas.
– Ele tinha excelentes músicos, mas não gostava muito de ensaiar, nem exigia muito deles. Os músicos é que queriam elaborar mais, mas Raul não ligava para isso. Queria um rock básico – diz Leite, que abordou também como as drogas e o álcool foram tomando conta da vida do artista.
– Depois de meados dos anos 70, ele passou a faltar shows, a fazer poucas apresentações. Aí ficou realmente complicado para quem tocava com ele, porque os músicos começaram a perder dinheiro.
Entrevistado (e personagem) do livro, o presidente do fã-clube Raul Rock Club, Sylvio Passos avisa que fãs de todas as faces do cantor – da mitológica à mais realista – terão vez em 2009.
– O livro de Leite se junta a uma série de projetos – conta Passos.
– Tem o documentário do Walter Carvalho, O início, o fim e o meio, além de vários shows e de projetos de relançamentos que estou apresentando às gravadoras. A Globo também acaba de finalizar um Por toda minha vida sobre Raul

16 de dezembro de 2008

O Nascimento de Jim D.

Eu já contei essa história antes, mas como ainda são muitas as pessoas que me perguntam como foi que ganhei o apelido de Jim resolvi republicar aqui. O diferencial dessa vez é que posto também a foto de Nelson Hope.




Estava em Salvador e meu amigo Alex Armel estava dando uma festa de despedida, ele iria retornar à Bretanha. Fui junto com Dica, Juruna, Elisa e mais uma turma. Era a primeira vez que subia aquela ladeira que dentro em breve se tornaria íntima pois iria habitar aquele covil para onde me dirigia. Em cima do morro, um sobrado... três andares. No primeiro morava Marylia Cabane, uma francesa que perece um gnomo. Nos outros dois moravam Nelson Carlos Hope e Juan Pablo "Cipo" Cruciani (ambos argentinos) além do próprio Alex. As casas abarrotadas de malucos de todas as nacionalidades e eu caminhando e registrando em minhas retinas o que acontecia em meu redor. Não conhecia niguém ali e por isso estava trancado em uma redoma... Copo na mão cheio de caipirinha caminhei até a cozinha da casa de Marylia e lá encontrei um cara louro de quase dois metros, com os cabelos e a barba extremamente compridos. Ele olhava triste para um jarro onde, pelo cheiro, tinha caipirinha. Nelson (era ele) me perguntou num portunhol "Usted sabe hacer una caipirrinha?" "Sim, sei sim." " ès gringo?" "Não, sou brasileiro." "No te assemelha a los otros" não entendi... era elogio? Se fosse não haveria gostado "Pronto, está aqui a tua caipirinha" diante do jarro cheio até a tampa de álcool Nelson passou seu braço pelo meu pescoço e me perguntou... "Como te llamas?" "Eduardo" ele tentou por dez minutos entabular conversar mas achou mais produtivo distribuir o que havia restado da caipirinha e me arrastou pelo pescoço. A cada copo que enchia ele dizia "esta caipirrinha quem fez foi meu amigo... como te llamas?" eu me sentia ridículo... e repetia tímido EDUARDO Nelson olhou para mim medindo de cima a baixo e soltou... “Che sun nombre és dificil... Estás con una camisa de Jim Morrison... Te batizo Jim" dito isso virou em minha cabeça um copo de Caipirinha... Saimos pelas casas e ele me apresentando como Jim... Nos dias seguintes ia encontrando por Salvador pessoas que estavam na festa e só me chamavam de Jim... nem tentei explicar. Aceitei o batismo e honrei o nome

9 de dezembro de 2008

texto do meu irmão Guilherme

Depois de ir embora da cidade que abrigou a infância, voltar para passear é sempre uma tarefa que vai exigir dedicação e respeito. Saiba desde já que o princípio de viagem à casa dos pais para descansar é só um título que dá a esse passeio. Nessas horas, balanceie tudo o que você pretende fazer na cidade a visitar, o tempo que você tem para ficar lá e a sua programação. Aí, veja o que você tem para fazer na sua casa. Nos primeiros momentos de viajar, a sensação é de que o cansaço compensa porque a saudade precisa ser saciada da presença dos amigos, da família. Mas é tanta gente, não é? Essa força que o leva a sair de sua casa e passar por tudo isso em tão pouco tempo, lamento dizer, vai diminuir. E drasticamente. Prepare-se para isso, porque vai doer. E dói. E sempre dói. E sempre vai doer, até que você entende a dor, e procura amenizá-la. Mas a saudade vai sempre estar por lá. Ela vai sair do corpo de seus amigos e vai passar a morar no tempo que já se passou. E esse tempo que se passou não volta nunca, mesmo que se reunam todos nos lugares de sempre, porque o mundo de cada um já é mais o mesmo. E cada mundo tem um mapa do tesouro. E cada mapa tem um X em um lugar diferente. Conte com a sorte, porque o seu X pode ser muito próximo do X de outros amigos. Mas também pode ser ironicamente do outro lado do mundo. Isso porque por mais que você se programe, nem você e nem ninguém poderá dizer no que nós vamos dar. Consulte os oráculos e faça por onde. Assim, você vai trazer mais possibilidades, mas a certeza , aquela com c maiúsculo, só sabe falar da Morte. E a morte chega. Não só a física. Mas isso é assunto para outros escritos...
Porque agora o tempo é curto e você precisa arrumar uma maneira de dar conta do recado de visitar todos os amigos. Mas com o tempo, você vai perceber que a força de ir encontrar os amigos nem sempre vai compensar. Aí entra a seleção natural dos amigos que vão continuar nessa nova etapa. O amor aos velhos amigos vai se manter, mas o contato só será feito com os que mostrarem interesse por você. A amizade se torna muito claramente uma via de mão dupla. E tudo o que você está lendo, se já passou por isso, pode atestar. Se nunca vivenciou essa louca passagem, então você ainda tem tempo de aproveitar melhor isso que passa tão rápido. O tempo é a força implacável que te arrasta em direção ao fim. E o fim não dá brecha para segunda parte. A vida não é um filme. A vida é vida, e viver é viver, não é assistir a vida. O tempo da vida é um e o da arte é outro. Mas não deixo de afirmar que viver é uma arte, porque conseguir transformar tantas relações em situações de prazer que façam com que tudo valha a pena é um esforço, um dom, uma dádiva! Viver é para quem está vivo. Ser feliz é para quem tem o dom. Assim como tem aqueles cujo dom é ter a força necessária e a perspicácia no canto do olhar, como a visão do falcão que caça de tão alto e localiza seus camundongos. Mas comer esses camundongos é o dom do falcão. O dom do ser humano não é comer camundongos. Mas descobrir o dom pode não constituir uma tarefa das mais agradáveis. Tem gente, por exemplo, que tem um grande dom para sofrer. E sofrem tão bem que chegam a compadecer o mundo com tamanho sofrimento. Para isso é necessário dom. Também é necessário o dom para entender que a força do tempo. Todos estão sujeitos a ele, mas muitos poucos conseguem perceber no que isso influencia a vida de um pessoa e de um grupo. O tempo não tem chefe. Ele não dá satisfação. Ele chega acontecendo e quando vai, já tem outro no lugar dele, de maneira que você nunca saiba quando um tempo apssa e quando outro chega. O tempo é contínuo, mas pode ser quebrado. O tempo se comunica com os outros tempos. E o produto dessa conversa chama-se saudade. E a saudade é um combustível que não movimenta mais seus desejos. A saudade alimenta a dor, para aliviá-la, porque saudade nos faz sorrir às mais doces lembranças, mas em seguida vem o nó na garganta, só para fazer você lembrar que tudo já passou. É o nó na garganta aquele que acalenta você no colo, dizendo – calma, já está tudo bem. Vai passar, vai passar. O nó na garganta é enviado do tempo.
E com o tempo, os amigos que falam para você passar em casa quando vier para cá, e os amigos que dizem “então, você veio e nem ligou para mim?” - esses são os primeiros. Depois, os próximos a cair são os que vão diminuindo a intensidade na hora de contar as novidades. Essa força é alimenta pela saudade que se abriga no corpo. A saudade que se abriga no tempo não vai dar forças para você entrar em tantos detlhes sobre sua nova vida. Também por quê, divir suas experiências vai se tornar uma coisa cada vez mais difícil, posto que os que podem entender suas emoções são os que vivenciaram coisa semelhantes, e esses não estão mais lá. É torcer para encontrar com eles em datas festivas, como natal, páscoa e feriados bancários de quinta-feira que fazem a emenda da sexta até na próxima segunda. Viva o calendário que não segue as colheitas e que permite a folga. Sair dele poderia ser loucura. Mas estar nele também não é garantido. E como a vida é feita de escolhas difíceis, você vai acabar tendo que escolher entre você e os outros, e depois , dentro de você, vai ter que selecionar dentre suas opções de ser aquela que vai de fato representar você perante todos que conheceram seu outro eu. Um Eu que o tempo levou. Um Eu que está enterrado dentro de você e que se alimenta da saudade que vem do tempo. A carne não vai dar conta da presença necessária para saciar a saudade. Isso se chama crescer. E crescer sempre dói. Desde os dentes até a índole. Largar de manha é difícil. A manha é um vício e dos mais prazerosos. Mas a mamãe não vai estar sempre lá para ouvir seus choramingos. O tempo vai querer levar sua mãe de você, assim como levou você de você mesmo e seus amigos mais íntimos. O Tempo vai consumir tudo e o que sobrar não vai ser capaz de sustentar o passado. Vai tudo para dentro de um baú, guardado como relíquia, por que, de fato, é!, mas essa relíquia não é o ouro de tolo, e sem esse amarelo você não viver. Se é difícil com pouco, imagine sem! Sem ele você não vai nem visitar sua cidade natal. Você aprender tudo isso de uma vez só. Não vai se dar conta do processo. E, como diz a enfermeira, vai ser só uma picadinha. Nem vai doer. Mas a enfermeira não sabe que tem gente que pode ter reações alérgicas.
Quando você conversar com seus amigos e eles disserem: ah, tudo na mesma,você já vai saber o que vem depois. Ou o que não virá mais. Quando eles deixarem de entrar em pormenores da vida deles e você sentir que não faz sentido contar para eles os seus pormenores, então eles não vão passar na peneira do tempo. Aí, você vai mudar tanto seu jeito de pensar que você vai achar que eles não mudaram tanto quanto você. E você sentirá uma pena dos que não saíram da velha cidade casa de infância e não puderam ver o mundo de forma diferente e crescer com isso. Não quero assustar você. Quero só alertá-lo. É que na verdade, depois que eu vi tudo isso acontecer comigo, não consegui aceitar o fato de que eu não posso avisar ninguém. O caminho é solitário e a aprendizagem é natural. O que eu estou fazendo, no fim, vai acabar sendo visto como pessimista. Mas isso é só o otimismo que as pessoas convencionaram que deve existir. A franqueza também existe, mas parece que não há lugar para ela. Ou apenas não há lugar para os que já aprenderem e têm algo a dizer. O mundo parece cada vez mais ser dos que não sabem o que fazer com ele. E você vai junto nessa. As amizades serão guardadas nas suas lembranças, mas você vai sempre se lembrar de que o tempo é curto: ficar com a família é importante e você vai ter que selecionar os amigos que você vai visitar. Essa questão tira muita gente da jogada. E quem sobrar será quem realmente vale a pena, pois são todos bons amigos, mas nem todos são amigos eternos. Lembranças são eternas. As relações eternas não são tantas assim que caiba todos. E aí você vai sentir-se abandonado e abandonando. Essa linha se passa com quem deixa a vida antiga e parte para o "admirável mundo novo". E o mundo novo se dá tanto para quem vai quanto para quem fica. Ninguém é capaz de medir o que o outro aprendeu. A grandeza das experiências não é mensurável. Você vai ver que muitas coisas não se comparam.
Isso que falo sobre o tempo é justamente tudo o que ele me disse, o que ele me mostrou. Claro, um pouco depois de tudo ter já acontecido. O tempo tem leis estranhas ao homem. Leis que não consideram e nem relevam, muito menos abordam as leis que regem as relações sociais. É a ruptura. O tempo rompe e não há costureiros neste mundo que possam consertar ou remendar. A malha da vida é produção única. Remendar é tirar de uma outra malha para colocar nessa. E isso signfica fazer um novo buraco em algum outro lugar. O tempo vai dizer para você que por mais que os olhos não possam ver, o coração vai sentir. E o coração vai sentir tão mais que os olhos, que ele vai doer e você não vai nem saber porquê. E sabe o pior? Não são previsões as minhas palavras. São caminhos traçados que podem não servir para você. Mas o tempo não vai poupar sua existência. O tempo não poupa nada, nem o amor às velhas amizades.

poema para Sandra

Enquanto eu caminho
Sei que você dorme.
Embalada em seus sonhos
Esperando o dia raiar como teu riso.
Cometo poemas à distância
Por que não posso de dar o merecido cafuné.
Flores pelo chão do quarto
Espalhados pela cama teus cabelos
Meus passos constroem a distância
Mas te convido a um pequeno jogo,
Vamos plantar palavras em um jardim florido
E deixar os poemas nascerem.
Pequeno girassol,
Lembre-se sempre, haverá mais manhãs
Gloriosas manhãs em que haverá riso
Mas também haverá lágrimas.
Continue seu movimento a procura da luz.
Continue o seu embalo carinhoso.
Estaremos juntos quando a noite chegar

deu no G1


Pesquisadores revelam como Jim Morrison seria hoje se estivesse vivo
Cientistas escoceses mostram como líder do Doors estaria aos 65 anos.Simulação da passagem do tempo é possível com ajuda de software.
Do G1, em São Paulo
http://www.perceptionlab.com/
Cientistas revelam como Jim Morrison estaria hoje, aos 65 anos. (Foto: Imagem produzida pelo Perception Lab, Universidade de St. Andrews)
Jim Morrison, líder da lendária banda The Doors, morreu prematuramente aos 27 anos, no dia 3 de julho de 1971. Trinta e sete anos depois, pesquisadores da Universidade de St. Andrews revelam como o poeta e cantor seria se estivesse vivo hoje. Os cientistas do Perception Lab, na Escócia, criaram o retrato do músico aos 65 anos com ajuda de um software que mostra a passagem do tempo, reproduzindo os efeitos naturais da idade, como mudanças na textura da pele e nos cabelos.

O ponto de partida foi uma fotografia de Morrison aos 20 anos. O grupo de pesquisadores já trabalhou na criação de imagens de astros de Hollywood, como Marilyn Monroe e James Dean, ambos mortos ainda jovens.

Elvis Presley e John Lennon foram retratados como se tivessem 70 e 64 anos, respectivamente. O software também pode ser usado para ajudar em casos de pessoas desaparecidas, principalmente naqueles em que os procurados estariam muito diferentes caso fossem encontrados atualmente, e ainda para simular mudanças de sexo e raça.

22 de novembro de 2008

Eu tenho medo de pessoas muito quietas. Eu sempre as comparo com os lagos de águas mansas e profundas, por isso mesmo bem mais fácil de se afogar.

21 de novembro de 2008

Sabe, é fácil rir quando vemos alguém perdido
Como quando não prestamos atenção ao que nos cerca
E vê apenas o que está a primeira mão.
Sabe, é fácil apontar o dedo para aquele que chora em silêncio
E se vê ferido em meio a um tiroteio que não
Foi iniciado por ele.
É como prender a respiração diante do equilibrista,
Se ele não cair essa será a única participação que você terá no show.
O que acontece diante dos seus olhos que te faz cega?
Por que é tão ferina, apontando fraquezas,
Onde há sabedoria em rir dos que caem?
Olhe em meus olhos e veja se eu sorrio da sarjeta?
Ouça ao menos o que eu digo e pense
Que por mais insano que possa parecer a você
Eu estou sendo sincero quando digo
Que me interesso por algumas pessoas.
Tente ler em meu silêncio que tudo é simples
E não há nada que me magoe mais do que ser rotulado
Por quem odeia rótulos.

18 de novembro de 2008

A última (Tati Bernardi)

Essa foi publicada em homenagem a minha querida Bárbara.



Sabe aquele medo horrível que você tem de sofrer? De perder algo que ama muito? De vomitar? De que tudo saia do seu controle? Eu torço pra que isso te aconteça, acredite, é maravilhoso. Se um passarinho azul passar na sua frente e borboletinhas amarelinhas o acompanharem, isso é realmente lindo, não porque você ganha bem, ou porque tem um apartamento cheio de almofadas te esperando, ou porque tem uma pessoa especial ao seu lado te dizendo que eles são lindos. Eles são lindos porque existem simplesmente, igual a você. Eles são lindos porque você está completamente sozinho neste mundo, mas este mundo é maravilhoso, não tenha medo. Não tenha medo de descer até o inferno e queimar como um papel cheio de regras e certezas, queime, vire cinzas, chega de querer controlar a vida, chega de querer amar, existir e desejar pelo seu ego. A vida é muito maior do que você, acredite nela, colabore com ela, tenha fé nela, faça a sua parte, mas em hipótese nenhuma sonhe que você pode simplesmente enfiá-la amassadinha dentro da sua bolsa, ela com certeza vai se vingar de você. Deixe, deixe a onda da dor passar por você, ela pode até te derrubar, te afogar um pouco, te chicotear com o sal, te assustar com tanta grandeza, mistério, profundidade e experiência, mas acredite em mim, você não vai morrer. Você vai se levantar, ainda que a praia inteira ria de você, ainda que a força tenha levado suas roupas e você esteja completamente desprotegido para a vida, nu, entregue, sem dignidade. Ainda assim você vai se levantar e seguir em frente. Acredite no Deus que mora dentro e fora de você, acredite que, para cada vez que você diz “eu odeio”, algo ou alguém vai te odiar. Acredite que, para cada vez que você diz “eu não acredito”, algo ou alguém vai perder a fé em você. Então diga agora, bem alto, para que até aquele seu lado mais surdo e teimoso ouça, “eu amo e acredito em mim e na vida”. Siga nu, quase sem vida, quase sem vontade, sem sono, sem fome, sem desejos, mas siga, o passo que está na sua frente já carrega uma dor menor do que o anterior, aos poucos você deixará para trás essa carga horrível que você mesmo juntou e então poderá voar. Aos poucos cairá tudo e só sobrará você, e você é feliz, sua essência é feliz. Onde estava você, escondido embaixo de tantos sonhos frustrados? Você é real, não tenha medo de apenas ser e ser agora, sua felicidade não está nem no útero e nem no dia perfeito, ela está aqui e agora, o resto você inventou porque ainda não sabia que podia contar com você. A verdade é que você só pode contar com você. Amar de verdade é esquecer um pouquinho de si mesmo, se você já se esqueceu num cantinho como uma criança de rua carente por causa do amor, não se culpe, você só mostrou, ainda que seja difícil mostrar alguma coisa nesse mundo de aparências, falsidades e medos, que você tem coragem para amar, parabéns. Mas chega, se não houve troca, chega, porque amar sozinho é solitário demais, abandono demais, e você está nessa vida para evoluir, mas não para sofrer. Essa criança carente agora precisa dessa mesma coragem para ser amada e ela merece mais do que ninguém, ela é, de verdade, a única coisa que você realmente tem e terá para sempre. Por favor, está na hora de levá-la tomar banho, tomal sol e tomar sopinha de mandioquinha. Hoje eu acordei numa casa diferente, num quarto diferente, sem nenhuma muleta, sem nenhuma maquiagem, meus amigos estão ocupados, meus pais não podem sofrer por mim. Hoje eu acordei sem nada no estômago, sem nada no coracão, sem ter para onde correr, sem colo, sem peito, sem ter onde encostar, sem ter quem culpar. Hoje eu acordei sem ter quem amar, mas aí eu olhei no espelho e vi, pela primeira vez na vida, a única pessoa que pode realmente me fazer feliz.

28 de outubro de 2008


Achei essa entrevista em uma comunidade no orkut e compartilho aqui


Sean Penn - Charles Bukowski: dez anos passados desde a morte do escritor (09/03/1994), reproduzimos uma célebre entrevista feita pelo ator Sean Penn. O encontro ocorreu em 1987, quando o ator estava em Los Angeles para protagonizar Barfly, um filme-biografia sobre a vida de Bukowski, que ultrapassou em muito o território da literatura. Na última hora, porém, Sean perdeu o papel que foi entregue a Mickey Rourke. A entrevista se manteve e tornou-se memorável. Por razões de edição, a intervenção de Sean Penn concentra-se em escolher assuntos, pontos, questões que Charles Bukowski enfrenta como sempre: debochadamente, desbocadamente, cinicamente e... apaixonadamente, como era do feito daquele último beatnik, primeiro punk, amante das mulheres, das corridas e proprietário de frases e pensamentos sem freios.


BARES:“Eu não vou muito a bares. Tirei isso do meu sistema. Hoje, quando entro num bar, sinto náuseas. Freqüentei muito, enche o saco. Os bares servem para quando somos jovens e queremos brigar, dar uma de macho, arrumar umas mulheres. Na minha idade, eu não preciso mais dessas coisas. Agora só entro nos bares para urinar. Às vezes, entro e já começo a vomitar”.


ÁLCOOL:“O álcool é provavelmente uma das melhores coisas que chegaram à Terra, além de mim. Nos entendemos bem. É destrutivo para a maioria das pessoas, mas eu sou um caso à parte. Faço todo o meu trabalho criativo quando estou intoxicado. O álcool, inclusive, me ajudou muito com as mulheres. Sempre fui reticente durante o sexo, e ele me permitiu ser mais livre na cama. É uma liberação porque basicamente eu sou uma pessoa tímida e introvertida, e ele me permite ser este herói que atravessa o espaço e o tempo, fazendo uma porção de coisas atrevidas... O álcool gosta de mim.”


FUMAR:“O cigarro e o álcool se equilibram. Certa vez, ao despertar de uma embriaguês, notei que havia fumado tanto que minhas mãos estavam amarelas, quase marrons, como se eu tivesse colocado luvas. E passei a reclamar: ‘Droga! Como estarão os meus pulmões?’”


BRIGAR:“A melhor sensação é quando você acerta um sujeito que todo mundo acha impossível. Certa ocasião enfrentei um cara que estava me xingando. Falei pra ele: ‘Tudo bem, venha’. Não tive problema – ganhei a briga facilmente. Caído no chão, com o nariz ensangüentado, ele falou: ‘Jesus, você se move tão lentamente que pensei que seria fácil. Mas quando começou a briga, eu não conseguia nem ver as tuas mãos. O que aconteceu?’. Respondi: ‘Não sei, cara. As coisas são assim. Um homem se prepara para o dia que precisa’.”


GATOS:“É bom ter um monte de gatos em volta. Se você está mal, basta olhar pra eles e fica melhor, porque eles sabem que as coisas são como são. Não tem porque se entusiasmar com a vida, e eles sabem. Por isso, são salvadores. Quantos mais gatos um sujeito tiver, mais tempo viverá. Se você tem cem gatos, viverá dez vezes mais que se tivesse dez. Um dia, isso será descoberto: as pessoas terão mil gatos e viverão para sempre.”


MULHERES, SEXO:“Eu as chamo de máquinas de queixas. As coisas entre elas e os homens nunca estão bem para elas. E quando vêm com essa histeria... Ah, eu tenho que sair, pegar o carro, ir embora para qualquer lugar. Tomar café em algum canto, fazer qualquer coisa, menos encontrar outra mulher. Acho que elas são feitas de maneira diferente, não? Quando a histeria começa, o cara tem de ir embora e elas não entendem porque. ‘Onde vai?’, gritam. ‘Vou à m..., querida!’. Pensam que sou um misógino, mas não é verdade. É fofoca. Ouvem por aí que Bukowski é ‘um porco chauvinista’, mas não vêm de onde partiu o comentário. Verdade! Às vezes, eu pinto uma má imagem das mulheres nos meus contos, e faço a mesma coisa com os homens. Até eu me ferro nesses escritos. Se realmente não gostar de uma coisa, digo que é ruim, seja homem, mulher, criança ou cachorro. As mulheres são tão encanadas que pensam que são meu alvo especial. Esse é o problema delas.”


PRIMEIRA VEZ:“Minha primeira vez foi insólita. Não sabia como fazer, e ela me ensinou todas essas coisas de sacanagem. Lembro que ela dizia: ‘Hank, você é um bom escritor, mas não sabe nada sobre as mulheres.’ ‘O que você está dizendo? Eu já estive com uma porção de mulheres.’ ‘Não, não sabe nada. Vou te ensinar algumas coisas.’ Concordei. Depois, e ela disse: ‘Você é bom aluno, entende rápido’. [Bukowski faz cara de envergonhado. Não pelos detalhes, mas pelo sentimento da lembrança.] Mas esse assunto de ... Eu gosto de servir a mulher, mas isso tudo tá tão exagerado! O sexo só é bom quando você não o faz.”


ESCREVER:“Escrevi um conto a partir do ponto de vista de um violentador de uma menininha. E as pessoas passaram a me acusar. Diziam: ‘Você gosta de violentar criancinhas?’. Eu disse: ‘Claro que não. Estou fotografando a vida’. De repente, estava envolvido com uma porrada de problemas. Por outro lado, os problemas vendem livros. Em última instância, eu escrevo para mim. [Bukowski dá uma longa tragada em seu cigarro.] É assim. A tragada é para mim, a cinza é para o cinzeiro. Isto é publicar. Nunca escrevo de dia porque é como ir pelado a um supermercado - todos te podem ver. À noite é quando saem os truques da manga... E vem a magia.”


POESIA:“Faz séculos que a poesia é quase um lixo total, uma farsa. Tivemos grandes poetas, entenda bem. Existiu um poeta chinês chamado Li Po que tinha a capacidade de colocar mais sentimento, realismo e paixão em quatro ou cinco simples linhas que a maioria dos poetas em suas doce ou treze páginas de m... Li Po bebia vinho também e costumava queimar seus poemas, navegar pelo rio e beber vinho. Os imperadores o amavam porque entendiam o que ele dizia. Lógico que ele só queimou os maus poemas. O que eu quis fazer, desculpem, é incorporar o ponto de vista dos operários sobre a vida... Os gritos de suas esposas que os esperam quando voltam do trabalho. As realidades básicas da existência do homem comum... Algo que poucas vezes se menciona na poesia há muito tempo.”


SHAKESPEARE:“É ilegível e está demasiadamente valorizado. Só que as pessoas não querem ouvir isso. Ninguém pode atacar templos. Shakespeare foi fixado à mente das pessoas ao longo dos séculos. Você pode dizer que fulano é um péssimo ator, mas não pode dizer que Shakespeare é uma m... Quando alguma coisa dura muito tempo, os esnobes começam a se agarrar a ela como pás de um ventilador. Quando os esnobes sentem que algo é seguro, se apegam. E se você lhes disser a verdade, eles se transformam em bichos. Não suportam a negação. É como atacar o seu próprio processo de pensamento. Esses caras me enchem o saco.”


HUMOR E MORTE:“Para mim, o último grande humorista foi um cara chamado James Thurber. Seu humor era tão real que as pessoas gritavam de rir, como numa liberação frenética. Eu tenho um ‘fio cômico’ e estou ligado a ele. Quase tudo o que acontece é ridículo. Defecamos todos os dias - isso é ridículo, não? Temos que continuar urinando, pondo comida em nossas bocas, sai cera de nossos ouvidos... As tetas, por exemplo, não servem para nada, exceto...”.


NÓS:“A verdade é que somos umas monstruosidades. Se pudéssemos nos ver de verdade, saberíamos como somos ridículos com nossos intestinos retorcidos pelos quais deslizam lentamente as fezes... enquanto nos olhamos nos olhos e dizemos: ‘Te amo’. Fazemos e produzimos uma porção de porcarias, mas não peidamos perto de uma pessoa. Tudo tem um fio cômico.”


GANHAR:“E depois de tudo, morremos. Mas a morte não nos ganhou. Ela não mostrou nenhuma credencial; nós é que nos apresentamos com tudo. Com o nascimento, ganhamos a vida? Não, verdadeiramente, mas a f.da p. da morte nos sufoca... A morte me provoca ressentimento, a vida também, e muito mais estar pressionado entre as duas. Você sabe quantas vezes eu tentei o suicídio? Me dá um tempo, tenho só 66 anos. Quando alguém tem tendências suicidas, nada o incomoda, exceto perder nas corridas de cavalos.”


AS CORRIDAS: “Durante um tempo quis ganhar a vida com as corridas de cavalos. É doloroso, vigoroso. Tudo está no limite, o dinheiro do aluguel, tudo. É preciso ter cuidado. Uma vez, eu estava sentado numa curva, haviam doze cavalos na disputa, todos amontoados. Parecia um grande ataque. Tudo o que eu via era essas grandes traseiras de cavalos subindo e descendo... Pareciam selvagens. Pensei: ‘Isso é uma loucura total’. Mas tem outros dias em que você ganha 400 ou 500 dólares, ganha oito ou nove corridas, e se sente Deus, como se soubesse tudo.”


AS PESSOAS:“Não olho muito as pessoas. É perturbador. Dizem que se você olha muito para uma outra pessoa acaba ficando parecido com ela. Pobre Linda! Na maioria das vezes eu posso passar sem as pessoas. Elas me esvaziam e eu não respeito ninguém. Tenho problemas nesse sentido. Estou mentindo, mas, creia-me: é verdade.”


A FAMA:”É uma cadela, é a maior destruidora de todos os tempos. A fama é terrível, é uma medida numa escala do denominador comum que sempre trabalha num nível baixo. Não tem valor nenhum. Uma audiência seleta é muito melhor.”SOLIDÃO:”Nunca me senti só. Durante um tempo fiquei numa casa, deprimido, com vontade de me suicidar, mas nunca pensei que uma pessoa podia entrar na casa e curar-me. Nem várias pessoas. A solidão não é coisa que me incomoda porque sempre tive esse terrível desejo de estar só. Sinto solidão quando estou numa festa ou num estádio cheio de gente. Cito uma frase de Ibsen: ‘Os homens mais fortes são os mais solitários’. Viu como pensa a maioria: ‘Pessoal, é noite de sexta, o que vamos fazer? Ficar aqui sentados?’. Eu respondo sim porque não tem nada lá fora. É estupidez. Gente estúpida misturada com gente estúpida. Que se estupidifiquem eles, entre eles. Nunca tive a ansiedade de cair na noite. Me escondia nos bares porque não queria me ocultar em fábricas. Nunca me senti só. Gosto de estar comigo mesmo. Sou a melhor forma de entretenimento que posso encontrar.”


TEMPO LIVRE:“É muito importante e temos que parar por completo, não fazer nada por longos períodos para não perdê-los inteiramente. Ficar na cama olhando o teto. Quem faz isso nesta sociedade moderna? Pouquíssimas pessoas. Por isso é que a maioria está louca, frustrada, enojada e com ódio. Antes de me casar, ou de conhecer muitas mulheres, eu baixava as cortinas e me punha na cama por três ou quatro dias. Levantava só para ir ao banheiro e comer uma lata de feijão. Depôs me vestia e saía à rua. O sol brilhava e os sons eram maravilhosos. Me sentia poderoso como uma bateria recarregada.”


BELEZA: “A beleza não existe, especialmente num rosto humano – ali está apenas o que chamamos fisionomia. Tudo é um imaginado, matemático, um conjunto de traços. Por exemplo, se o nariz não sobressai muito, se as costas estão bem, se as orelhas não são demasiadamente grandes, se o cabelo não é muito comprido. Esse é um olhar generalizante. A verdadeira beleza vem da personalidade e nada tem a ver com a forma das sobrancelhas. Me falam de mulheres que são lindas... Quando as vejo, é como olhar um prato de sopa.”


FIDELIDADE:“Não existe. Há algo chamado deformidade, mas a simples fidelidade não existe.”


IMPRENSA:“Aproveito as coisas más que dizem sobre mim para aumentar a venda de livros e me sentir malvado. Não gosto de me sentir bem porque sou bom. Mas, mau? Sim, me dá outra dimensão. Gosto de ser atacado. ‘Bukowski é desagradável!’ Isso me faz rir, gosto. ‘É um escritor desastroso!’ Rio mais ainda. Mas quando um cara me diz que estão dando um texto meu como material de leitura numa universidade, fico espantado. Não sei, me assusta ser muito aceito. Parece que fiz alguma coisa errada.”


O DEDO:[Ergue o dedo mínimo de sua mão esquerda] “Você viu alguma vez este dedo? [O dedo parece paralisado em forma de “L”]. Quebrei uma noite, bêbado. Não sei porque, ele nunca voltou ao normal. Mas funciona bem para a letra ‘a’ da máquina de escrever, e - que mistério! – acrescenta coisas aos meus personagens.”


VALENTIA:“Falta imaginação à maioria das pessoas supostamente valentes. É como se não pudessem conceber o que aconteceria se alguma coisa saísse mal. Os verdadeiros valentes vencem a sua imaginação e fazem o que devem fazer.”MEDO:“Não sei nada sobre isso.” [Ri]


VIOLÊNCIA:“Acho que, na maioria das vezes, a violência é mal interpretada. Faz falta uma certa violência. Existe em nós uma energia que precisa ser liberada. Se ela for contida, ficamos loucos. Às vezes, chamam de violência à expulsão da energia com honra. Existe loucura interessante e loucura desagradável; há boas e más formas de violência. Sei que é um termo vago, mas ela fica bem se não acontecer às custas dos outros.”


DOR FÍSICA:“Com o tempo, o cara se endurece e agüenta. Quando eu estava no Hospital Geral, um cara entrou e disse: ‘Nunca vi ninguém agüentar a agulha com tanta frieza’. Ora, isso não é valentia. Se o sujeito agüenta, alguém cede. É um processo, um ajuste. Mas não existe maneira de se acostumar com a dor mental. Fico longe dela.”


PSIQUIATRIA:“O que conseguem os pacientes psiquiátricos? Uma conta. Creio que o problema entre um psiquiatra e seu paciente é que o psiquiatra atua de acordo com o livro, ainda que o paciente chegue pelo que a vida lhe fez. E mesmo que o livro possa ter certa astúcia, as páginas sempre são as mesmas e cada paciente é diferente. Existem muito mais problemas individuais que páginas. Tem muita gente louca para resolvê-los, dizendo: ‘São tantos dólares por hora e quando a campainha tocar a sessão estará terminada’. Isso só pode levar um cara um pouco louco à loucura total. Quando as pessoas começam a se abrir e sentir bem, o psiquiatra diz: ‘Enfermeira, marque a próxima consulta’. O cara tá aí para sugar, não para curar. Quer o teu dinheiro. Quando toca a campainha, que entre o louco seguinte. Aí o louco sensível vai perceber que quando toca a campainha, é sinal que o f... Não existem limites de tempo para curar a loucura. Muitos psiquiatras que vi parecem estar no limite deles mesmos, mas estão bem acomodados. Ah, os psiquiatras são totalmente inúteis. Próxima pergunta...”FÉ:“Tudo bem que as pessoas a tenham, mas não me venham enfiar isso na cabeça. Tenho mais fé no encanador que no Ser Eterno.”


CINISMO:“Me chamaram sempre de cínico. Creio que o cinismo é uma uva amarga, uma debilidade. É dizer: ‘Tudo está uma m... Isso não tá bom, aquilo tá ruim’. O cinismo é a debilidade que evita que nos ajustemos ao que acontece no momento. O otimismo também é uma debilidade: ‘O sol brilha, os pássaros cantam, sorria.’ Isso é uma m... igual. A verdade está em algum ponto entre os dois. O que é, é. Se você não está disposto a suportar a verdade, dane-se!”


MORALIDADE CONVENCIONAL:“Pode ser que não exista o inferno, mas os que julgam podem perfeitamente criá-lo. As pessoas estão muito domesticadas. O cara tem que ver o que acontece e como vai reagir. Vou usar um termo estranho aqui: o bem. Não sei de onde vem, mas sinto que existe um componente de bondade em cada um de nós. Não acredito em Deus, mas creio nessa ‘bondade’ como um tubo que está dentro de nossos corpos e que pode ser alimentada. Ela é sempre mágica quando, por exemplo, numa estrada sobrecarregada de automóveis, um estranho te oferece lugar para mudar de mão.”S


OBRE SER ENTREVISTADO:“É vergonhoso e, por isso, nem sempre digo toda a verdade. Gosto de brincar e mentir um pouco. Daí que dou informações falsas só pelo gosto de distrair. Se quiserem saber alguma coisa de mim, não leiam uma entrevista. Ignorem esta, também

15 de outubro de 2008

minha querida Bárbara

Acabei de ler hoje somente os dois textos com que você me presenteou na última vez que nos vimos. São bons é uma pena que não me lembre do nome da autora por que gostaria de procurar mais coisas dela. Creio também que você poderia ter sido a autora daqueles textos e, por insegurança, não quis assumir. Sei que dentro de você há um potencial em ser uma boa contadora de histórias.
Digo e direi sempre isso por que vejo que em seus olhos há uma certa chama de quem viveu algumas histórias e teve algumas experiências que poderiam render contos, novelas e até romances. Você é inteligente e observadora e, acima de tudo, é dedicada. Sei que só o talento não basta para transformar ninguém bom em algo, tem que ralar muito e por esse motivo principal eu jogo minhas fichas em você. Pense com carinho nisso que eu te escrevo.
Vejo em minhas andanças que algumas pessoas não apostam em si mesmas por um medo tolo de que ninguém vá entender o que elas gostariam de expressar. Eu escrevo por que o que trago no peito dói se não passo para o papel. Com algumas pessoas com quem converso também acontece o mesmo.

27 de setembro de 2008

poema presente

Pelo aniversário de Larisa
(27 de setembro de 2008)

Deus está em dívida comigo,
Por que quando ele traçou seus planos não nos deixou mais próximos
Para que nesse dia o abraço fosse verdadeiro
Como é verdadeiro o meu desejo de sua felicidade.

Hoje era um dia para te entregar rosas e poemas
É dia de descanso, não de aulas a serem dadas.
Hoje é dia de riso, de amigos
E de amores explodirem.em milhões de beijos e afagos.

Feliz aniversário amiga, que seu riso desponte como estrela
E que haja motivo real para que ele permaneça no céu da memória,
Que sempre seja visível.

Recebe deste amigo um soneto sem laço
Por que com você me abro como um louco abraço
E travo nos seus lábios que gargalham

18 de setembro de 2008


Essa foto é referente ao texto publicado no post anterior. Leia-o que entenderá... ou não

15 de setembro de 2008


Quando eu trabalhei na TV CIDADE no primeiro semestre desse ano ganhei em uma das matérias que gravava para o meu programa “De Olho na Cidade” (ainda tenho que dizer algo a respeito dessa tentativa da direção da emissora em criar algo que fosse um engasgo na garganta das pessoas e que não seriam de sua responsabilidade por que não eram eles que fariam as perguntas e nem pautas. Como sabem os daqui não deu certo por que não achei justo levantar alheias bandeiras dessas guerras que não são minhas.) Mas não era isso que eu queria dizer; Ganhei de um artesão, se chama Nelson se não me falha a memória, um desses aparadores de bíblias que desconheço o nome correto se é que há. O fato é que como não possuo uma edição imponente do sacro livro uso-o como aparador de outro alfarrábio de suma importância em minha vida.
Acabou que deu uma foto interessante isso que foi feito sem pensar, por que as coisas são assim mesmo. Adoro fotografar e ser surpreendido pelo o que a íris da máquina capturou e que muitas vezes o humanismo do meu verde olhar não se apercebe como um outro instantâneo que captei em reflexo do pára-brisa do carro. Ali espelhado o verso de uma carteira de cigarros com aquela foto de um homem sem as pernas que tiveram de ser amputadas. Mas o foco da foto era outro era uma placa de sinalização dessas que invento novos “é permitido” e “não é permitido” e nesse caso a idéia que me veio era de que ali era permitido que se dançasse reagge. Mas a sobreposição das realidades me foi mais pungente que o sarro. Por isso me calo.



Hoje ao meio dia gritei
Urrei feito lunático exático e extático como um anjo de pedra
A falta que você me faz desumaniza o que há em mim.
Sei que disse que não me apaixonaria, mas não é isso
É que sua mente me encanta e seu riso é o sol
Vivo em eclipse.
Meus textos cheios de erros e de inseguranças múltiplas
É o que me leva a seus olhos, ao seu lábio se eu for lido em voz alta.
Mas quero o aconchego de seus seios e o sabor de seus lábios
O perfume de seus cabelos e a sua força feminina,
Te quero como a um soneto perfeito que, sei, jamais escreverei.
Por que para a minha escrita há limites, mas para o que sinto NÃO HÁ!

29 de agosto de 2008

Ontem fui mais que massacrado, execrado pelas pessoas a quem supus ajudar. Horrendo isso de se sentir mal quisto pelas pessoas. Atacado pelo front ignorante que não cala. Ficam as ovelhas medrosas balindo e procurando um líder que não há. Até quando será que precisarão de líderes? Serão sempre incapazes do próprio passo? Rebanho estranho esse, por que eles massacram os que estão à frente, mas não assumem a postura de que podem fazer melhor. O reino do telhado de vidro daqui é imbecil e primário como as cores.
Por que se você aponta o erro pode também apontar algo que o solucione ou que não seja tão fraco como dizer o que pensa ver sem saber o que destoa. É como não gostar de quiabo sem haver experimentado. Não concebo necessidade de palavra quando o que se diz é fútil. O vazio de suas mentes é de dimensões oceânicas e jamais chegarão a realizadores. Estes estão destinados a me comprar nas bancas. Queria que eles lessem mais e dissessem menos...


As palestras que se aproximam, inicio esse ciclo segunda-feira que vem, me amedrontram e enchem de expectativas por que ficarei novamente no meio da garotada que, ainda, ainda não possuem esse ranço de uma falsa superioridade estampada em seus olhos. Eles são mais tranqüilos nesse trato.

25 de agosto de 2008

Eu não ando mais confuso, simplesmente ando. Caminho pelas possibilidades que me surgem e sempre, sempre tento o próximo passo. Você pode não compreender ou usar desculpas que não serão jamais um reflexo do que poderíamos ver. Lennon já cantou, em Lucy in the Sky with Diamonds, que "Viver com os olhos fechados é mais fácil". Ele tinha razão, poucas vezes ele errou.

24 de agosto de 2008

Soneto para Diogo Fonseca

Ele sorria e sorveu em um gole minha bebida
Sarreou dizendo parecer água de azeitona
Me abraçou, provocou
E tornou-se meu irmão.

Caminhamos pela noite
E nos banhamos no mar da irracionalidade
Irascível personalidade vagando
Solto como sonhos em fumaça depois da tragada

Partimos em estradas diferentes,
Astros em órbitas próprias.
Vagando ainda pelo universo em construção.

Crescendo distante do mar soteropolitano
Tornando-se o que não se esperava
Apenas um homem repleto de planos.


Madrugada 17 de julho de 2008

16 de agosto de 2008

carta a um amigo...

Tchesco

A vida é como um romance bem escrito, cheio de personagens que dão as cores e os tons para que a história torne-se real e inesquecível. Pessoas que sempre vimos e com quem tivemos algum tipo de contato partem a cada instante, alguns de uma forma mais dolorida que outras.
Sempre tive com a morte uma relação de quem sabe que é apenas mais um estágio, é um momento em que nos deixamos mais à mostra ao sofrimento e às perguntas que não conseguiremos nunca responder. Por que a vida é uma viajem com um fim tão misterioso? Como seria se fosse diferente, se soubéssemos o momento exato desse nosso fim e a forma? Será que viveríamos de uma forma diferente da qual vivemos? Será que todas as buscas que fizemos fez algum sentido? Será que tinha que haver sentido?
Quando meu avô morreu e eu morava na Bahia me senti um peregrino caminhando a um reino distante que, já havia percebido, nunca encontraria. Fiquei mal por que era a minha infância que começara a morrer. No fim do ano passado minha avó se foi e pensei que era a hora em que o doce gosto de quem eu havia sido até então também descia à sepultura. É claro que cada um sente seu ritual de uma forma completamente diferente e sente essa dor com mais ou menos intensidade.
Você acabou de sair de casa me informando que seu avô se foi. A vida chegou ao fim para ele como para tudo. Senti como se fosse um tio que falecera e me deixou triste por que a sua dor é sentida por mim também. As coisas, depois de hoje sofrerão esse período de adaptabilidade necessária. Mas um dia o sol brilhará e você o sentirá da mesma forma que o sentia quando não havia tantos problemas como esses que temos nesse viver adulto.
Seu avô viveu o seu tanto, nem tenho que dizer que ele era legal. Você sabe disso melhor do que ninguém. Só pense bem se ele preferiria seu sorriso ou a sua tristeza excessiva.
Abraços meu amigo;

J D.

29 de julho de 2008

será que existe mesmo vida inteligente nessa terra?????

ficando louco...

Faltam ainda alguns dias para o início das aulas na faculdade. Meu corpo anda um bagaço, sem muita vontade de coisa alguma que não seja permanecer. Ando dormindo bem pior do que o normal e isso me provoca dores pelo físico e desespero na alma. Poxa, queria repousar dessas férias onde não fiz absolutamente nada. Nem os livros que me propus ler eu consegui. Fiquei pensando na possibilidade de Gisele realmente vir a Tupã e isso me deixa louco, afinal de contas são oito anos de amizade.
Hoje é aniversário de Danie e iremos nos ver logo mais a noite. Estou esperando por isso também, por que é justamente uma coisa que tenho que fazer fora de casa. Não aguento mais ficar ali "preso" será que alguém tem a solução pra esse marasmo? Será que só eu sinto isso?
Meu deus que dias sem fim.
AH Meu pc deu pau, foi infectado e creio que irei perder as 30 páginas de meu livro novo... que bosta

9 de julho de 2008

Aos Companheiros Beat´s

O foco de qualquer coisa perde-se facilmente. O que olhamos por muito tempo não nos incomoda tanto, mas o espelho trai ao atrair para si a visão que negamos ao outro. Ver quem somos pode ser apenas perda de tempo, depende da forma de cada um encarar não só o tempo mas a si próprio.Não podemos nos levar sério demais e nem deixar que os outros digam quenão valemos nada, que estamos errados em nossa maneira de expressão. Dizer isso ao outro é tomar pra si a verdade falha de que somos perfeitos e sabedores de tudo.Uma parceria é proposta a cada vez que entramos nessa comunidade, sinto isso não só nos textos que são postados mas também, e sobretudo, nas conversas que tenho com alguns pelo msn e por e-mail.Quando somos rudes, por que cremos que ninguém liga mesmo mais hoje em dia, damos o recibo de que esquecemos do básico que a vida nos ensina a todo instante de que a humildade ainda é a solução. Creio sempre que devemos ler com olhos de leitor e não de críticos amargos. Devemos opiniar mas não atacar e que a opinião seja uma ajuda ao náufrago, nunca âncora. Por mais velhos que sejamos ou tenhamos lido e escrito somos todos amadores (no sentido de nunca sermos profissionais e no sentido lúdico de amarmos o que está aqui).Aqui nessa comunidade descobri pessoas ímpares que pretendo levar por um tempo como companhia de caminhadas e espero que seja essa a mola de propulsão desses companheiros como os trato.Mesmo quando sumo leio o que está sendo dito e fico feliz quando algo me toca a ponto de participar. Mesmo quando o que digo é asneira.Agradeço a todos a paciência e o carinho

4 de julho de 2008

ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh porra

Algumas pessoas não percebem que não podem chegar aqui sem avisar, no meio de uma reforma e esperar que eu tenha condições de dar a atenção que elas esperam receber. È igual às pessoas que me pedem que escreva a elas um poema. Coisas assim não se pedem, devem surgir com o tempo, um tempo que não é marcado pelo relógio, mas sim pela vida e pelos fatos, por mim desconhecidos, que moldam o poema em mim.
Será que um dia elas se darão conta que abandonei o palco. Não sou mais artista. Tenho direito a privacidade. Como esperam que eu escreva com o mundo caindo ao lado. Marteladas, serras, pessoas caminhando no telhado e falando alto. Quer dizer, claro que tenho amigos que surgem mesmo e são mais do que bem vindos. Por alguns eu abandono tudo, e são justamente esses que ligam avisando que estão vindo. Ou seja... quem deveria não faz e quem não precisa...
Não quero dar aqui a impressão de ser extremamente chato, só um pouco e reconheço, mas quero e preciso de o mínimo de paz para continuar escrevendo. Não quero ir a festas, nem a fest. Nem ir a casa de ninguém. Beber eu bebo enquanto falo com as pessoas pelo msn. Tenho meu cachimbo cheio...
A verdade é só uma estou cansado de mais.

28 de junho de 2008

relato seco

no frio me torno mais sério,
fechado.
Caminho ainda pelas madrugadas fumando meu charuto
e acariciando minha garrafinha de uísque no bolso.
Ontem encontrei um fantasma.
Nos tratamos bem e foi só.
Hoje Frank Sinatra e rum.
A noite medirei a cidade e amanhã ainda não sei.
queria uma companhia pra um filme, um trago, um riso, um beijo...
um algo a mais

26 de junho de 2008

L&PM publicará versão original da obra-prima de Kerouac




A L&PM Editores lança em breve a primeira versão da obra-prima da literatura beat: On the road (The Original Scroll), de Jack Kerouac. O livro traz os relatos das aventuras de dois jovens – Sal Paradise e Dean Moriaty – que atravessaram os Estados Unidos de costa a costa nos anos 60, relatando suas aventuras pela estrada. Entre as duas versões existem diferenças cruciais, já que Kerouac usou de suas próprias experiências para escrever este livro. Em comemoração aos 50 anos do lançamento deste clássico mundial da contracultura em 2007, a versão original foi recentemente publicada nos Estados Unidos.
On the road foi escrito entre 9 e 27 de abril de 1951, num rolo de papel telex, contabilizando um total de 40 metros ininterruptos de prosa sem espaço nem parágrafo. A obra foi escrita em tão pouco tempo devido ao estado aditivado de Kerouac, que tomava colossais doses de benzedrina. Seu uso cotidiano da droga o fez datilografar doze mil palavras quatorze horas por dia, movido por aquilo que o poeta Lawrence Ferlinghetti chamou de “febre onívora de observação”. Por anos o livro foi recusado por uma editora atrás da outra, e nessas empreitadas Kerouac o reescreveu inúmeras vezes. Até que a editora Viking Press decidiu finalmente lançar o livro, mas forçou o autor a suprimir cerca de 120 páginas. O próprio editor Malcolm Cowley cortou diversas outras, além de incluir milhares de vírgulas inúteis, segundo Kerouac. Por isso, a prosa espontânea, marca registrada do autor, praticamente inexiste na versão editada.
Existem diferenças cruciais entre as duas obras. A principal delas é a revelação dos nomes verdadeiros dos personagens como, por exemplo, o herói Dean Moriarty, na versão de 1951 aparece como Neal Cassady (escritor beat e grande amigo de Kerouac), assim como o personagem Chad King, que na versão original aparece como Allen Ginsberg. A diferença dos manuscritos inicia já na primeira frase do livro. Na versão de 1957 (conhecida até agora), consta: “Encontrei Dean pela primeira vez não muito depois que minha mulher e eu nos separamos”. Na versão original de 1951: “Encontrei Neal pela primeira vez algum tempo depois que o meu pai morreu”. Abaixo, pode-se conferir um arquivo com as primeiras páginas do livro nas duas versões.
A edição de On the Road, volume 358 da Coleção L&PM Pocket, foi traduzida por Eduardo Bueno. A tradução do manuscrito original de On the Road está sendo feita pela tradutora e jornalista Lúcia Britto.

Um dia (depois de ler Leminski)25-06-2008 (01h55’)

Um dia
Eu assumi que te abandonava
Fazia frio lá fora
Fazia frio aqui dentro.
Entre a gente um estado,
Estradas, quilômetros
Pesos e medidas.

Um dia
Disse a mim mesmo que
Ainda a amava,
Mas já era tarde,
Quase cinco da madrugada.
Vampiro que preza o tempo
Dorme antes da alvorada.

Um dia
Meus versos caíram na água
E meus poemas enxurradas
Lavaram a alma da lama
Me deixaram em desespero
Vendo minha vida encharcada
Essa vida de poeta bêbado
E sem guarda-chuva.

Um dia
Ganhei dinheiro com um poema que eu não gostava.
Dorme em meu barulho
Me disse o passado
Um outro verso de alguém me disse o presente
E eu, pessoniando, disse que era fingindo que se estava.

Um dia
meu blues tocou no silêncio
Quebrou um prato, dois copos e meus óculos
Ósculo roubado diante da tua casa
Amplexos dados no adeus das palavras.

Um dia
Amanheci querendo um cigarro,
Pisando em originais
Espalhados pela casa.
Meus pés, manchados de mim
Produziram marcas
No branco azulejo da materna casa.

Um dia
Me apaixonei pela vida que levava.
Acordei mais cedo e terminei a escola.
Para os outros era tarde,
Para mim ainda dava.


Um dia
Surpreendi a vida com uma navalha
Esculpi um anjo torto nas minhas palavras,
Expulsei uns demônios que não me serviam de nada,
Abarquei mais alguns numa mesa lotada.
Um dia
Esqueci a carteira de cigarros na casa da namorada
Nunca voltei.
O abandono clássico não funciona comigo.
Quero sempre diferente o que todos pedem de entrada

Um dia
Olhei com tesão para o além da estrada.
Sem calção de banho pulei no mar da saudade
E vi que afundava a cada braçada.
Nadando ao contrário fui perdendo a razão.

Um dia
escrevi um poema quando menos esperava.
Fazia um frio medonho
E ao meu lado seus olhos me diziam
Tantas coisas em silêncio
Que não respondi nada.
Meu silêncio fala mais alto
E nesse sentido meia palavra basta

24 de junho de 2008

'em seu seio direito amamenta meu verso
e nina-o com afeto
como se fosse um tanto seu
um tanto meu,
um filho nosso.

23 de junho de 2008

TO SWEET AFTERNOON (para uma surpreendente tarde com C.)

Nessa fria tarde
Se você estivesse aqui
eu te diria sobre sua boca
seus olhos,
e saberia qual é teu perfume.
e saberia como é quando sua pele arrepia.
Quando seca a sua boca
e vc a umedece com a língua
eu te banharia.
E veria seus olhos
e encararia seu riso
e te seguraria as mãos
e sentiria sua pulsação
e sussurraria no teu ouvido
"quer que eu pare?"
posso chegar mais perto?
adoraria sentir o cheiro de sua pele, o sabor do seu corpo
segurar seus cabelos entre meus dedos
e te morder de leve a orelha
eu te esquentaria nesse frio que faz?
beijaria seus ombros
e seu rosto,
querendo experimentar sua boca
sentir sua língua
sentir seu hálito
te encostaria na parede
e beijaria seu pescoço
e te abraçaria forte
eu visitaria seu corpo
como um sopro leve
como um arrepio inesperado
como uma excitação
eu visitaria seu corpo
como um sopro leve
como um arrepio inesperado
como uma excitação
apertaria seu corpo no meu
e vc me sentiria rijo
vc morderia meus ombros
e eu desceria meus lábios
vc quer?
beijaria seu colo
sentiria em meus lábios seu coração pulsar
e suas mãos segurariam meus cabelos
e eu te sentiria mais ofegante
mas querendo que eu fosse devagar
querendo sentir mais meus beijos
me sentindo excitado como agora
querendo ser o teu espaço
pra você vagar
quer sentir minha língua em seus mamilos?
Eu excitado. preso dentro da calça,
machucando, querendo espaço
querendo sair desse aperto
e me abrigar em outro espaço
vestir você
são suas as mãos que me tocam?
e seu corpo como reage?
minhas mãos
quer
seu corpo
minha boca quer seu corpo
e te beijo a nuca
lentamente
sentindo o contado
vc o sente pressionando sua pele?
eu a despiria com a sede do deserto
beberia seu corpo
e voltaria procurando seus lábios
eu te tocaria de leve
acariciaria
umedeceria meus dedos
eu iria entrando lentamente.
vendo seus olhos se fecharem de prazer
e um doce sorriso
quero sentir o gosto de sua excitação
beijaria sua barriga
passaria a língua pelo seu umbigo
e vc tem urgência em que eu desça?
vc quer que minha língua?
sinta então
meu beijo em seu sexo
minha língua passeando pelo seu corpo
vc quer mais...
eu te toco e te sugo
como uma fruta com polpa doce
uma mão no teu seio
migrando pra tua boca
suas pernas me prendem as costas
quero te sentir no fim
vc sente minha mão em vc?
te tocando?
eu fico em êxtase calmo
ouvindo seu gemido
e vendo seu corpo reagir
estou me livrando das calças
estou duro
quer sentir?
sua mão passeia pelo meu membro
e se fecha firme
vc me masturba
enquanto te beijo
como estão tuas mãos? ocupadas?
eu me deito sobre você
quer que eu entre?
eu o encosto em vc
e lentamente seu corpo vai aceitando
um leve suspiro
tua boca na minha
e entro
nos encaixamos
sua boca é meu ninho
seu corpo é meu pouso
e sigo dentro de você
querendo te deixar louca
querendo ouvir seu gemido
querendo saber se você está se tocando
imaginando tudo o que há
vou dentro de vc
ouvindo essa voz doce
arranhando tuas pernas
e vc me beija o pescoço
e morde meu peito
eu seguro firme seu cabelo
e entro mais uma vez
até o fim.
vc mexe o quadril
e me deixa
mais a fim
quero te fazer gozar
ouvir seu gemido
quero ouvir
aumento um pouco o ritmo
e vou cada vez mais fundo
vc me prende dentro de vc
e eu puxo seus cabelos
mordo seu queixo
vc quer que eu goze?
eu sinto seu corpo convulsionar
se fechar em torno de mim
seus seios em meus lábios
e aumento o ritmo
querendo te deixar inerte
até o fim
querendo ir mais fundo em vc
sentir sua respiração
vc quer meu gozo quente
eu quero seu sorriso de prazer
sua perna me puxa pra mais dentro
com força
vc tem urgência
mais ritmo
mais úmido
duro dentro de você
cada vez mais quente
cada
ida e vinda
seu corpo me pede mais
até o fim
vc me quer todo dentro de vc
sinto seu gozo se aproximando
eu quero que vc me cavalgue
vc se senta
sobre mim
encaixando mais perfeitamente
indo até o fim
vc se mexe
subindo e descendo
eu seguro seus quadris
e encaro teus olhos
selvagens
quero ir mais fundo
eu os seguro
e fecho as mãos
toco seus mamilos
vc sobre e desce mais forte
mais rápido
rebola sobre mim
teu sexo abarca o meu
vem de novo
joga o corpo pra trás
e eu toco teu sexo,
e massageio de leve enquanto ainda
vc me domina
quero gozar em você
Felicidade
Labirinto de incertezas
Onde o passo transfere
O tempo,
A busca pelo o que se é.
Flechas lançadas ao INFINITO.
Eros brincalhão,
Bufão dos sentidos.
Comprimidos entre o medo e a ação
A felicidade
É criança que corre debaixo de chuva
É o amor que brinda a vida
É o doce olhar escondido atrás das lentes
É o riso que brota num incerto momento.
Felicidade de poeta
É sentar-se cheio
E ver aos poucos
O peito e a mente
Murchando com a tinta da caneta
Que traduz o que é felicidade
Mesmo sendo intraduzível.
Felicidade é tentar,
É prazeroso o erro no amor
A certeza fugidia do amanhã.
Felicidade sou eu
E você.
Felicidade é saber reconhecer
O instante do ponto final.


Tupã 01 de março de 2007

a volta... com calma

Digo besteiras,
Faço o que se espera.
Não tenho novidades,
Sou a triste continuação dessa tolice.
Trago nos olhos o ardor das lágrimas
E nos sapatos, sujos de lama
Todo o cansaço desses anos.
Fiquemos em paz!
Voltemos ao início
Quando ainda tínhamos os sonhos
E não havia esse medíocre medo por tudo

22 de junho de 2008

ainda não é o poema...

Claro que tem muita coisa que me faz caminhar por um outro caminho
Seguir outro rumo,
E passos divergem
Nos afastam de tudo,
Olho pra cima e vejo o tempo fechar
Se aproxima uma tempestade e sei
Que não haverá abrigo pra mim
Ficarei exposto
Sofrendo pelas imbecis escolhas que faço
Sem tempo de chorar
Por que meu caminho precisa ser feito...
Queria dizer que me arrependo do que disse ontem,
Pelo o que foi dito e pela forma que foi dito.
É claro que mesmo que hoje chuva muito,
Amanhã talvez haja sol.
Falta saber se haverá ainda algo que seque
Por que deixei muita coisa morrer.

16 de junho de 2008

poema pra dani


Ela é um anjo negro de motocicleta.
Longos cabelos negros como o infinito
E um sorriso transparente.
Olhos verdadeiros, maquiados.
Bela como uma moderna esfinge,
Misteriosa como só as mulheres são,
Cercada por poucos amigos
Correndo os dedos pelas teclas da vida,
Toca tudo com sua presença.
Nunca é demais,
Sempre precisa
Traça a melodia do teu calmo falar
E mesmo mulher é um bocado menina

7 de junho de 2008

poema antigo...

Não deveríamos amar
nem sequer nos apaixonar
por quem quer que seja.
É como cair em um abismo sem fim.
É como ter o corpo dilacerado por leões.
É como ter os olhos vazios.
Como ter um coração
negro enganado.
O amor me atrapalha,
me deixa inseguro
e em frangalhos.
Eu renego o amor que eu sinto.

5 de junho de 2008

um toque do NASI

Vocês sabem que eu não acesso internet etc... Por isso me valho desse verdadeiro amigo para um comunicado especial e pessoal, a todas as palavras de carinho e apoio que recebi dessas comunidades e sites: Muito Obrigado!Tentaram me destruir e me tornaram mais forte. Eu hoje, graças a Deus, vejo claramente quem é verdadeiro ou falso na minha vida. Porque eu era cego, mas agora vejo! A quem me calunia, ofende, desaprova ou não gosta de mim, também muito obrigado. Vocês só valorizam o apoio sincero dessas pessoas que sequer conheço.Amigos, venci todas as batalhas até agora: Na área civil, criminal e principalmente espiritual. Mas a guerra não acabou! E aviso aos meus inimigos que estou a cada dia mais forte, chegando, chegando... CÃÃÃÃÃÃÃOOOOO!!! , eu tô chegando!O Ira! Nem é pra mim nem pra ninguém! É de vocês! Que acreditaram que éramos o que talvez nem fossemos. Pelo menos não todos. Esse papo de trio...Bom...Eu boto um pentagrama sob essa marca, e aí eu quero ver...Rá!rá!rá!,rá! rá!,rá! rá!Acordaram Ogum, e ele tá com fome! Com sua espada está por aí cortando cabeças, comendo a carne de seus inimigos, assando batatas e distribuindo a seus soldados!Que Deus dê em dobro a vocês todo o bem que me desejam! A meus inimigos também!Obrigado.Nasi”

3 de junho de 2008

recado pra Mah_Fire

Caramba esse lance de ficar sem fumar... rs
Mas tá valendo a pena.
Estou lendo o diário da Mah. A história dela me faz pensar na minha também em todas as mudanças e cidades e casas e estados. Quer dizer; quando ela falou da Bahia me deu uma puta saudade de Salvador e de Amaralina. Nossa ainda penso em meus amigos que estão por lá todo santo dia. Amo demais essa turma.
Acompanhar os passos dessa menina tem sido um prazer. A forma que ela conta a história seguindo uma marcação diária e detalhada me faz admira-la de um tanto. Nem sei quantos anos ela tem, mas o que essa viajem deve ter mudado em sua forma de pensar o Brasil e também os brasileiros. Tem uma coisa que ela sempre diz a respeito da bondade das pessoas. As ajudas que ela recebeu e o respeito... menos de uma velhinhas quando do início de seu retorno. Mah as pessoas são em princípio boas. E aprendemos isso quando não esperamos nada.
Fiquei imensamente feliz em poder ler essas linhas e viver esse momento único com ela.
Obrigado Maria

30 de maio de 2008

anúncio oficial BANDA PRONOBIS

Tupã, 30 de maio de 2008


Amigos


Há poucos dias atrás eu estava conversando com o Rogério Ribon, vocalista da banda Pronobis. E ele me disse que, infelizmente, a banda teve seu fim. Por mais de dez anos Rogério, Marcos Leite e Estevão Moreira estiveram juntos no palco trazendo o melhor do rock nacional na época como URBANIA e depois cumprindo a sina de seguir seu próprio caminho.
Quando da mudança muitas pessoas vieram nos dizer que preferiam a época cover da Legião Urbana. Mesmo tendo uma voz semelhante a de Renato Russo o Rogério não poderia nunca, e nem queria, tomar o lugar do outro. Renato foi uma influência forte na vida de muitos de nós, mas infelizmente temos apenas o seu registro histórico. Desde outubro de 1996 estamos sem um poeta que nos represente e isso é triste, mas querer que uma pessoa viva sempre a sombra de outra é irreal e egoísmo. Sempre dei meu total apoio a banda e ainda é assim hoje.
Por dez anos fui presidente do “Pronobis – Oficial Fã Clube” e sempre trabalhei para que houvesse informação e contato entre nós e a banda. Com o fim dessa época de transformações em todos nós e no mundo informo também o encerramento de nossas atividades. Quero agradece aqui as pessoas que sempre nos receberam de braços abertos e com forças nos pulmões para cantar conosco nos shows. Sem vocês jamais teríamos ido tão longe. Sinto-me honrado com as amizades que fiz estes anos todos e espero que sigamos juntos. Em breve teremos mais notícias.

Obrigado a TODOS



“FAREMOS A NOSSA REVOLUÇÃO”

Eduardo Duran

Presidente “Pronobis – Oficial Fã Clube

28 de maio de 2008

"Glória"

Para Alessandra Salatine





Pelo espelho retrovisor o motorista do táxi nos encarava
“Sua filha parece muito cansada.”
“É ela está pregada.”
“Sua filha, né?”
Ele deu uma piscada como se dissesse,”sei, sei”. Sacana, mas quem não era sacana? Quem não estaria quebrando uma regra fosse moral, lógica ou legal. Sempre tem alguém colocando o dedo na ferida e essa era a minha vez. Essa era a minha noite e eu não iria perder tempo tendo crises de consciência por que um taxista olhava para mim com inveja. Cada um poderia sempre sorrir diante do erro dos outros, ele que ficasse rindo então.Eu sequer sabia o nome da garota que dormia ao meu lado.
Chegamos à frente de minha casa. Acordei a menina e caminhamos até o portão, ela se recostou no muro e eu voltei ao táxi para acertar a corrida.
“Quanto foi?”
“Olhe doutor, um conselho. Tome cuidado com essas menininhas, elas são fogo.”
“Não, é só um pouco de sono.”
“Sua filha não é? Sei. Ela é no máximo dez anos mais nova que você. Deu vinte paus.”
Paguei e me virei. Ela sorriu e disse, “me leva pra casa papai”, ela ainda frisou bem o “papai”. Pequena sacana. Já na sala ela tirou o tênis e sentiu o assoalho. Caminhou como se já conhecesse a casa, o que não era verdade. Sentou-se no sofá e apoiou os pés na mesa de centro atulhada de revistas de rock, algumas hq´s, livros e em cima dos livros minhas poesias e crônicas.
“Tem um refrigerante?”
“Deve ter, não sei!”
“A pessoa nem sabe o que tem em casa.”
“Uísque eu sei que tenho, tenho rum, conhaque...”.
Levantou-se e foi atrás do que queria. Achou a cozinha, a geladeira, a Pepsi e o copo. Gostava da determinação que ela demonstrava. Na volta ficou parada diante da mesa onde eu costumo trabalhar.
“O que é isso?”
Minha vez de ser sacana
“Se chama máquina de escrever portátil”.
“Isso eu sei”.
“Então a pergunta é referente a quê”?
“Você é mesmo escritor?”
“Sou.”
“E já publicou? Escritor sem ter publicado nada não é escritor.”
“Você já teve filho? Mulher sem ser tido filho não é mulher. Eu sou um escritor, não sou um editor.”
“Você tem maconha?”
“Não. Eu não gosto.”
“Nunca vi escritor que não fumasse maconha.”
“Quantos escritores você conhece pessoalmente?”
Odiava essa idéia de ter que ser como os outros querem. Sentou-se no sofá, me olhou de canto. Sentei-me em uma poltrona próxima e acendi um cigarro.
“Posso dormir aqui?”
“E teus pais?”
“Eles cabem no teu sofá?” disse isso com uma cara de quem queria mesmo era se divertir e não estava ligando muito para as conseqüências. Fazia-me lembrar de minha época de colégio onde sempre imaginamos meus amigos e eu, que seríamos eternos aos dezessete anos. Será que havia ainda um pouco dessa inocência em mim, e se houvesse quanto seria essa parte de mim hoje?
Fui até meu quarto e apanhei travesseiro e um lençol. Não acreditava realmente na liberdade que ela bradava.
“Se tiver fome sabe onde tem as coisas. Irei tomar um banho.”
Não terminei o cigarro. Fui ao banheiro e liguei o chuveiro, gostava muito de ouvir o som da água caindo enquanto me despia. Entrei debaixo do jato quente e deixei os ombros caírem, o corpo agradeceu àquela massagem. A cabeça girou e tive uma sensação estranha. Abri os olhos e ela me encarava parada na porta, estava só de camiseta e calcinha. Tinha um meio sorriso nos lábios e olhava meu pinto. Veio caminhando e entrou no que sobrara de espaço entre meu corpo e a parede do box. Puxou-me para um beijo, mordeu meu peito doído e minhas mãos começaram a percorrer suas costas. Ajoelhou-se e senti meu corpo crescendo dentro de sua boca. Ela tinha nove anos a menos que eu.
Acordei exausto e com uma marca de mordida no ombro direito, estava roxo e ainda dolorido. Ela não estava mais ali, ela havia partido enquanto eu dormia e me fizera o sacro favor de não me acordar. Eu gostava mais dela depois disso, não eram todas as pessoas que tinham essa sensibilidade de saber que o outro precisa dormir o tanto que o corpo pedia. Eu odeio quando alguém me acordava, parecia que o universo interrompia sua expansão naquele momento.
Olhei no relógio por uma formalidade imbecil, já que era domingo, quase dez da manhã. Levantei-me como um fardo. Não encontrei meus chinelos, mas vi a toalha ainda úmida jogada no chão perto da cama, não tinha condições de faze mais nada a não ser sorrir. Entrei na cozinha e vi um milagre sendo retratado, sentada à mesa tomando uma xícara de café e devorando um sanduíche de queijo ela estava absorta. Parecia uma foto antiga dessas pin up´s que a gente vê em revistas de tatuagens. Vestia um camisão meu aberto nos quatro primeiros botões. A curva interna do seio fazia um desenho incrível, poderia ficar ali olhando para ela por dias seguidos sem mesmo perceber. Os cabelos vermelhos contrastavam com a pele clara, era como o amanhecer no deserto. Sua boca abriu-se para mais uma mordida e era como um sopro de verdade numa manhã esquecida.
“Você dormiu bem?” mesmo com a boca cheia, e talvez por isso fosse tão belo, ela era encantadora. Baixou a cabeça e só então eu pude reparar que ela estava lendo alguma coisa. Era meu primeiro livro que estava na estante de meu escritório, perdido entre outras coisas ele era como um fóssil esperando para ser descoberto.
“Você mentiu para mim ontem.”
“Eu?”
“Sim, você sabe. Quando disse que não havia publicado nenhum livro.”
“Esse livro foi meu primeiro. Faz tempo que eu não o vejo por aí!”
“Estou gostando dos poemas. É fácil encontrar nas livrarias?”
“Não, não é. Ele não foi muito bem aceito e a distribuição foi uma bosta”.
“Que pena. Eu queria comprar um e trazer para você escrever uma dedicatória bem sacana.”
“Bem, você pode ficar com esse. Eu devo ter outros guardados em uma caixa no quarto vago. O que você quer que eu escreva?”
“Não sei. Algo bem pessoal e que me faça lembrar de ontem. Algo que me faça bem.”
“Nossa. Mas já vou avisando que sou péssimo nisso de escrever dedicatórias e coisas afins.”
“Posso te fazer uma pergunta?”
“Claro.”
“Por que você só escreve sobre bebedeira, músicas tristes e relacionamentos que não dão certo?”
“Porque a minha vida é assim. Esse é o resumo poético de meu dia-a-dia.”
“É verdade que você teve muitas namoradas?”
“Sim, quer dizer, não sei se se pode dizer que foram muitas namoradas. Mas já me envolvi com muitas mulheres. Não tanto quanto as pessoas pensam.”
“E você já amou alguma?”
“Todas.”
“Deixa de ser mentiroso. Não se pode amar todo mundo.”
“Eu amei cada uma da forma que me foi possível amar. Nem todas da mesma forma e com a mesma intensidade. Mas eu as amei sim.”
“Sente falta de alguma em especial?”
“Não.”
“Lá vem você mentindo de novo.”
“Eu deixo alguns fantasmas bem escondidos.”
Ela se levantou e veio caminhando em minha direção. Passo após passo como uma jovem leoa desfilando na savana. Havia poesia e sexo em seus movimentos. Se eu fechasse os olhos naquele momento com certeza ouviria Steve Ray Vaughan e seria perfeito. Pousou a mão em meu ombro direito e alisou a marca de sua boca, sorriu. Umedeceu os lábios com a ponta da língua. Sentou-se em meu colo, frente a frente eu pude me perder na cor de seus olhos. Era um castanho que me fazia lembrar de uísque. Minha boca ficou cheia de água. Ela chegou bem perto, pude sentir seu hálito em minha própria boca. Beijou a ponta de meu nariz e depois o queixo, o pescoço, a orelha esquerda e por fim a boca. Sua língua bailava em minha boca. Minhas mãos passeavam por suas costas, da cintura à nuca sua pele se arrepiava. O beijo ganhou mais intensidade e ela começou a movimentar o quadril num movimento ritmado e delicioso. Afundei minha mão no mar vermelho de seus cabelos e os puxei calma e firmemente. Um doce gemido saiu espremido por entre nossos lábios;
Beijei seu queixo e seu pescoço, ela arranhou minhas costas com força. A cadeira antiga gemeu devido ao nosso peso e movimentação. Minha mão foi abrindo os outros botões da camisa e pude ver eriçados seus mamilos, lindos.
“Você me acha bonita?”
“Tão bela como o alvorecer.”
“Como você sabe se nessa hora você sempre está dormindo?” “Já vi o dia nascer algumas vezes e, mesmo que tivesse feito isso só uma vez já seria suficiente para me tocar profundamente a cada vez que eu me lembrasse desse momento. Você é assim para mim, pode ser que a gente nunca mais se veja. Mas sempre me lembrarei de como foi belo os momentos que ficamos juntos.”.
“Você é sempre assim?”
“Sou. Por isso estou solteiro há tanto tempo. Hoje em dia vocês, mulheres não querem saber de poesia, seja ela marginal, beatnik, romântica... vocês querem saber de um rapaz com cara de cafajeste e um pouco de loucura.”
“E o que foi que voe me ofereceu desde ontem? A mesma coisa que esses rapazes, ou você acha que não tem um olhar sacana e uma boca que parece pedir um beijo sempre? A única diferença entre você e um desses caras é que, quando você fala é bom ouvir.”
Além de tudo ela dizia coisas boas de ouvir, Nos deitamos ali no chão frio da cozinha. Algumas coisas não podiam esperar e por isso existia a urgência, ela foi criada pelo diabo para não nos dar tempo para analisar as conseqüências das coisas. Era, acima de tudo, uma atitude bem proveitosa. O cheiro do corpo daquela garota me inebriava me deixa alto como um porre do melhor uísque. Eu respirava profundamente com seus cabelos me cobrindo o rosto, queria guardar aquele cheiro comigo o máximo que me fosse possível. Mesmo o gosto de sua pele parecia-me especial, era como se não havia outro sabor a ser experimentado e, uma vez que isso acontecia, esse seria o sabor predominante por toda a sua vida. Ela era um mistério e uma revelação ao mesmo tempo. Adorava-a ter por perto, não só para sexo, mas por sua companhia e pelas coisas que ela me dizia que, de alguma forma, me deixavam mais próximo da pessoa que eu havia sido antes de publicar meu livro “Espírito Beat”. Depois disso muita coisa em mim mudou. Mas estar com essa menina era um lapso no tempo que me levava de volta à minha própria história.
Pode parecer que era a primeira vez que nós havíamos nos encontrado, mas era a quarta ou quinta vez. Porém era a primeira vez que ela vinha a minha casa. Eu a conheci em um cinema do centro que estava exibindo uma série de filmes de Orson Welles. Ela, assim como eu, estava só. Era triste essa imagem, por que todos aos saírem da sala estavam conversando com alguém próximo, menos nós dois. No hall do cinema parei abri minha cigarreira, ainda estava pensando no Othelo feito por Orson, quando ela se aproximou e me pediu um cigarro. Ficou ali fumando comigo enquanto esperava uma amiga que viria apanhá-la. Contou-me que havia chegado há poucos anos e ainda não havia se acostumado com a cidade e com as pessoas que a orbitavam. Éramos estranhos realmente, personagens reclusos de um romance pessimamente escrito. Não era só eu que costumava passar dias caminhando pelos parques sozinho, nem indo a restaurantes e lanchonetes, cinemas, bares, bibliotecas e qualquer outro lugar que seria melhor aproveitado se você estivesse acompanhado. Não perguntou muita coisa a meu respeito, pensei comigo “Não tinha mais ninguém para arranjar um cigarro e ela se resignou e veio falar comigo.” A tal amiga chegou e ela me deu o telefone da casa onde estava morando, disse que estaria esperando um convite para um cerveja ou um sorvete. Com a mão na porta aberta do carro ela ainda sorriu e disse “Dois tortos se apóiam.” Entrou e sua amiga partiu levando um pouco da estranheza daquela noite.
Liguei uma semana depois e ela fingiu que não se lembrava de mim, ou não lembrava realmente e eu imagino que fez isso para ser divertida. Eu havia sido convidado a uma festa que não iria se não tivesse companhia, eu em geral não ficava nas rodinhas conversando amenidades. Meu lugar era o bar e meu papo era com o barman. Mas naquela noite seria diferente, haveria mais alguém sentado ao bar comigo.
Para meu espanto, mesmo torcendo pelo melhor, ela aceitou o convite e marcamos em um bar perto do local da festa. Cheguei vinte minutos antes e pedi uma dose dupla de uísque sem gelo. Escolhi uma mesa que fosse visível do lado de fora do bar. Tirei do bolso do casaco um livro desses de bolso e mergulhei fundo na mente bêbada de Buckowski. As aventuras de Henry Chinaski me deixavam tonto por que me eram familiares os detalhes e as confusões. Mesmo sendo ele de Los Angeles e eu daqui. Assim como o Bandini em seu Bunker Hill. Éramos degradados em nossos países.
Ela chegou pontual e sentou-se antes mesmo de que pudesse convidá-la, perguntou o que eu estava bebendo e pediu o mesmo, me ofereceu um de seus cigarros. Não gostava de Marlboro, preferia Lucky Strike ou qualquer outro. Ela me perguntou se eu era punk, respondi negativamente. Ela me disse que conhecia muitos punks e eles fumavam Lucky, disse a ela que eu era um cara normal de trinta anos e com um olho de cada cor. Este detalhe de minha fisionomia chamava mesmo a atenção por isso eu a assumia tranquilamente. Havia passado por um transplante de corna quando tinha quatro anos e como herança ganhei um olho castanho para companheiro do meu verde natural. Algumas vezes quando era indagado sobre o fato respondia que era por que havia sido um husky siberiano na encarnação passada. Ela me contou que tinha uma marca de nascença na virilha em forma me maçã e me prometeu que se eu me comportasse direito uma hora ela me mostraria. Gostava dessa maneira dela tomar a frente nas coisas, eu estava desacostumado nesse assunto de paqueras e segundas intenções, na verdade nunca me considerei uma pessoa que soubesse realmente quais eram as regras do jogo de conquista.
Terminamos aquela dose e fomos à festa. Um apartamento amplo cheio de pessoas que, na verdade, não sabiam por que estavam ali. Eram atores, escritores, músicos, pintores e algumas modelos viciadas em cocaína e magrelas. Paloma era a anfitriã que pensava que se juntasse algumas pessoas que certos jornais, revistas e programas de TV afirmavam ser intelectuais ela seria tratada de uma forma diferente do que a menina mimada e fútil que era realmente. A grande maioria que estava ali nem a suportava realmente, mas engoliam esse fato em troca de uma foto em alguma coluna social que seria publicada com o que iria sobrar daquele circo. Eu já a achava interessante e até gostava dessa tentativa dela de se juntar a algum tipo de pessoa, sempre achei a solidão a pior maldição que um ser humano poderia suportar, a não ser que essa situação fosse momentânea ou mesmo procurada, fora isso eu preferiria dar um tiro no pé e brincar de Castro Alves.
Já na entrada encontrei Alfredo Padilha, diretor de teatro e arrogante mor. Tentei sair de fininho, mas ele segurou em meu braço e me arrastou para um canto. Ele era sebento e eu sabia o que poderia esperar dele.
“Onde você encontrou essa ninfa?”
“Ela estava em uma festa a fantasia que fui semana passada.” Adorava ser irônico com ele, Alfredo era tão imbecil que nunca desconfiava dos jogos que eu fazia.
“É? Nossa que interessante. E do que você foi? E ela foi vestida do quê?”
“Eu fui de Professor Humbert e ela estava de Lolita”.
“Que interessante. Você não nos apresentaria?”
“Claro Alfredo, aos amigos tudo.”
Fiz um sinal para que ela se aproximasse e sussurrei em seu ouvido que não estranhasse.
“Alfredo Padilha, essa é Dolores.”
“Muito prazer minha querida. Então, o que você tem achado da conversa desse Senhor Humbert.”
Ela sorriu com malícia, havia percebido a brincadeira.
“Ora, como não se encantar com esse homem tão sério e respeitador. Estou adorando-o. Vamos querido?”
“Claro que sim minha fada.”
Saímos caminhando, mas nem havia andado três passos e me virei em direção ao Padilha para a cartada final.
“Alfredo, se você encontrar o Nabokov diga a ele que sou grato a ele por tudo que ele me proporcionou nessa noite.”
“Pode deixar meu caro. Se eu o vir por aqui direi.”
Ela me beliscou levemente na mão direita.
“Como você é cruel. Isso não se faz. Para que derrubar máscaras?”
“Desculpe, mas não suporto a ignorância desses P.I.M.B.A.”.
“Desse o quê?”
“P.IM. B.A. Sigla de Pseudo Intelectual Metido a Besta. O Alfredo Padilha é um escroto que só atrapalha o teatro. Quando você milita em uma área tão importante quanto à cultura não pode ficar só sentado em cima do seu próprio rabo e ficar fazendo fuxicos como uma velha desocupada. Ele é tão imbecil que se importa com o que não deve se importar. Nunca leu nenhum dos papas da teoria teatral, como ele mesmo diz. É um cara que fica gozando com o pau dos outros.”
“Por que você me trouxe aqui?”
“Para não ter que sofrer sozinho.”
“Muito romântico. É assim que você conquista suas mulheres?” “Não sou eu que as conquisto. É o inverso que acontece.”.
Paloma veio se aproximando com um sorriso bom e sincero nos lábios. As apresentei e pude perceber que minha nova amiga finalmente relaxara ao encontrar alguém com a mesma idade. Na verdade éramos nos três e mais dois rapazes os únicos com idade inferior a quarenta anos e só as duas ainda não haviam chegado aos trinta. Era natural que ela se sentisse assim, eu mesmo me sentia sempre assim. Será que éramos únicos? Claro que não, mas esboçar inteligência e um pouco de personalidade ou não ser pasteurizado com o restante pela mídia imbecil apoiada nas imagens de carnaval, futebol, sexo e ladroagem nos deixava mesmo à margem.
Ficamos até quase às duas da manhã ali. Bebemos uísque, ouvimos piadas sem graça, nos informaram das últimas fofocas de separações e flagras de adultério. Uma modelo havia sido presa fazendo programa com um senador e no quarto havia cocaína e maconha, tudo comprado com o dinheiro do contribuinte. O fato só não se tornou escândalo por que a modelo serviu de brinquedo aos policias que fizeram o flagrante. O motel havia sido pago com o mesmo dinheiro e no fim a autoridade aliviou o senador das drogas e de cinco mil reais.
Eu já estava de saco cheio de tudo aquilo e olhei implorando para que fôssemos embora, nos olhos dela havia o mesmo pedido. Saímos de fina, sem nos despedirmos de ninguém, eu era craque nessas rotas de fuga. No elevador pedi desculpas por tê-la feito passar por aquilo tudo, mas tinha que saber até onde ela agüentaria no meu mundo cheio de inveja e mentira. No primeiro teste ela havia passado com louvor, na verdade ela agüentaria bem mais do que eu, ela era educada, eu não tinha a paciência necessária. Ali entre as paredes de inox do elevador ela se aproximou como uma serpente pronta para o bote.
“Você tem medo de mim?”
“Não, por quê?”
“Então por que você não chega mais perto. Eu não mordo, quer dizer, só se você deixar.”
“Se eu disser você promete que não vai rir?”
“Prometo!”
“Eu sou tímido e reconhecidamente desajeitado com as mulheres,”.
Realmente ela não riu, gargalhou. Foi lindo ver seus dentes se mostrando enquanto os ombros subiam e desciam ritmados pela risada. Eu também sorri e me aproximei mais. Segurei em suas mãos e a trouxe pra perto de mim. Seu rosto ficou sério e lindo. Meu coração palpitava e me senti com quatorze anos de novo, sua boca era macia e o seu perfume intenso. Abraçou-me forte e senti seus seios se comprimindo em meu peito. Seus dedos tocavam minha nuca de leve e as minhas alisavam suas costas. Foi um beijo calmo, foi o primeiro e foi bom, muito bom.
A terceira vez que nos vimos foi mero acaso. Eu estava em um sebo no centro e ela apareceu com um livro antigo com a lombada já reformada onde era possível ler “Sonetos de Florbela Espanca”. Era uma grata surpresa. Na minha cestinha, respondendo a pergunta que ela me fizera, estavam uma biografia de Glauber Rocha, poemas de Castro Alves e um songbook de Vinícius de Moraes. Ela sorriu dizendo que eu tinha um gosto literário estranho. Nem argumentei por que sabia que ela tinha razão. Não tentava me enquadrar, se eu me interessava eu lia. Amava ser livre para poder escolher algo completamente diferente do que havia escolhido antes.
Saímos para tomar um sorvete e depois caímos no vinho e conversamos amenidades, não tocamos no assunto do beijo. Ficamos assim até quase as vinte horas e descobri nela mais do que tinha visto no primeiro momento, isso me deixava calmo por que não haveria coisa mais estúpida do que sermos previsíveis em relação a qualquer coisa. Queria descobrir seus segredos e queria mesmo contar alguns de meus próprios, sei que todos temos segredos, mesmo que sejam tolos e infantis. O segredo é a essência da atitude adulta. Sempre temos um fantasma vagando pela nossa mente, pronto a nos pregar os maiores sustos possíveis. O espelho não servia para refletir somente o nosso físico, mas nos permite encararmos nossos olhos em uma análise que fazemos do que se passa em nossa cabeça. Temos segredos que nem nós mesmos podemos assumir nesses breves momentos de reconhecimento próprio. Minha cabeça girava em um monólogo absurdo enquanto ela acendia um cigarro.
“Conte-me algo que você nunca contou a ninguém. Algo que você tem medo de assumir até para você mesma.” Eu adorava esses jogos mentais, me fazia lembrar das brincadeiras de verdade e desafio que costumava ter com alguns amigos.
“Nossa você faz umas perguntas estranhas e difíceis em horas estranhas.”
“Desculpe, mas eu não sabia que havia uma hora própria para se ter um momento de curiosidade.”
“E não há mesmo! Mas é que queria apenas relaxar aqui um pouco, sabe, sem ter que ser racional demais. Por que você não me conta alguma coisa de você?”
“Está bem, se você quer que eu comece... Certa vez me interessei por uma amiga na faculdade. Nós nos conhecíamos há cinco anos, mas era a primeira vez que tínhamos um convívio mais próximo. Sempre soube que ela era uma bela mulher, mas eu queria mais. Sempre procurei nas pessoas algo que pudesse sustentar o convívio e dar um sentido a mais. Um motivo a mais para querer estar ao lado da pessoa além do que se é óbvio. A questão é que eu nunca disse nada a ela por que eu namorava com uma outra mulher que morava em uma cidade distante e costumava vir para cá de vez em quando. Poucos amigos sabem da existência dessa pessoa em minha vida e ela era uma das que desconheciam o fato. Fiquei semanas confuso em uma luta imbecil até. Não era claro o que sentia em relação a essa minha amiga, por que essas histórias sempre envolvem mais pessoas do que imaginamos. Quando percebi que a única coisa a fazer era tomar a rédea do que sentia em minhas mãos eu terminei meu namoro e resolvi lutar por essa amiga.”
“E como terminou a história? Vocês ficaram juntos? Vocês ainda estão juntos? Acho bom você me contar por que eu não gosto de ser a outra.”
“Pode ficar tranqüila por que não tenho ninguém. Na verdade essa história ainda está em aberto na minha vida. Como eu acho que a grande maioria das coisas. Nada se encerra realmente, fica ali escondido em algum canto esperando uma chance real de nos surpreender.”
“Ok entendi. Minha vez então. Eu sempre fui inconstante em meus relacionamentos. Sempre quis uma pessoa diferente da que eu estava e o problema, hoje eu sei, não estava neles estava em mim.”
“Não creio que houvesse problema real nisso. Não existe mesmo uma regra para isso. Existe o que a sociedade tenta se convencer que é o usual. Mas mesmo eles não cumprem realmente essas convenções. O que você me diz da pessoa que sempre sonhou em encontrar a pessoa perfeita para construir uma vida em conjunto e quando consegue pouco tempo depois essa mesma pessoa tenta arranjar um substituto para aquela pessoa que foi eleita como parceira ideal. O mundo sempre teve seus casos e sua falsa moral. Há mais coisas podres em nós do que podemos agüentar, por isso tentamos empurrar isso tudo para outra pessoa que faz o mesmo conosco.”
“É impressão minha ou você anda meio amargo esses dias?”
“Ando confuso na realidade.”
Passamos muito tempo sem falar, somente sentados naquele banco de jardim de mãos dadas olhando nossos abismos internos. Pensei que depois dessa noite de divagações nós nunca mais nos veríamos e ela nunca mais me procurou.
Até que recebi um telefonema no início da tarde de ontem e era ela me convidando para uma festa. Antes mesmo que eu pudesse formular algo dentro de mim ela disse que as festas que ela ia usualmente não tinham muito a ver com as festas que eu estava acostumado a ir. Esse foi o ponto decisivo para que eu aceitasse o convite. E o que me deixou mais entusiasmado é que não teriam aqueles P.I.M.B.A. S todos, realmente ela estava começando a me conhecer.
“Ok, você diz que não estarão os intelectualóides que conheço. Então creio que teremos a companhia dos P.U.M.B.A.S.?”
“Não sei. O que são P.U.M.B.A.S.?” ·.
“Nossa, são tão maçantes quanto os outros. Eles são ao Pseudo Ultramodernos Metidos A Besta!”
“Imagino o que você faz o dia inteiro para ter tempo de criar essas categorias.”
O fato de que nós ainda não havíamos perguntado um ao outro o que fazíamos de nossa vida não me deixa apreensivo. Sentia-me bem quando as pessoas não me reconheciam, já havia passado o tempo em que me sentia um bosta por que as pessoas não se lembravam onde é que já tinham visto meu rosto antes. O ego acabara por se acostumar em ser mais um. Teve também época em que era reconhecido em quase todos os lugares aonde ia e isso me deixava puto por que não me sentia confortável em lugares públicos que não tinha, até então, razão para evitar. Hoje isso não me importava muito, sobretudo por que não tinha escrito nada ultimamente então não que me preocupar com a vendagem. Eu não teria problema em assumir que me importo sim se meus livros vendem ou não, esse era meu ganha pão e eu não conseguia me portar como um blasé se eu não soubesse o que eu iria comer amanhã. Já havia passado à época de passar fome e não me importar. Hoje eu tinha a mania burguês de querer comer e receber pelo o que produzia. Acho estúpidas as pessoas, sobretudo as do poder público, que sempre tentam nos empurrar a um dito trabalho voluntário que elas mesmas não estão dispostas a cumprir. È fácil demonstrar melhorias baseado no suor alheio. Anos e anos desse tipo de exploração velada haviam me deixado com um grande receio de aceitar mesmo ir conversar com secretários de cultura e prefeitos. E, geralmente quando era inevitável esse contato eu já ia com o espírito preparado para ser roubado. Eles se esquecem de que nós somos artistas e não burocratas incompetentes que estavam em uma posição da qual pouco ou nada sabiam. Os governos iam e vinham e pouquíssimos continuavam ali sentadinhos em suas mesas. Já nós, vagabundos iluminados, permanecámos produzindo e sendo o que sempre fomos. O nosso caso não era estado passageiro. Todos se esquecem de que não são, mas estão cumprindo um papel. Senão haveria sempre uma chacina cada vez que alguém montasse Hamlet. É mais do que claro que esse assunto me deixava transtornado por que ninguém tentava enomizar consigo, sempre no nosso.
Fomos à festa e realmente, diverti-me como há tempos não havia feito. Haviam pessoas de todas as idades e ninguém estava ali para ser mais que os outros mas sim para poder dançar, conversar e beber com amigos. Algo me dizia que o sentido em se dar uma festa era esse realmente. O mundo que eu vivia estava errado e sabíamos disso, só não tínhamos coragem de chutar as pompas para longe, mesmo os que se faziam de porraloucas precisavam daquela dose de ego massageado. Sorri por toda a noite como se estivesse em torpor. Um bom momento é o ópio do espírito, fica-se leve como após um gozo. Não queria que a noite terminasse, ela estava linda com seus jeans e camiseta. Não havia mistérios, só uísque e vontade. Um casal se beijava como se estivessem buscando a vida eterna um na boca do outro. Uma garota sentada num canto mexia a bebida com o dedo. Um rapaz olhava para onde duas mulheres dançavam esfregando-e como enguias. O rapaz do bar atendia a todos com um olhar guloso no casal que se beijava. Nós caminhávamos de mãos dadas pelo meio das pessoas e elas nos sorriam. Não ficavam olhando intrigadas para aquela menina e aquele homem que começava a ter alguns fios brancos na barba. Éramos finalmente parte de um conjunto. Fomos ao bar e pegamos uma garrafa de uísque, sentamos em um canto e bebemos e bebemos por toda a noite. Falamos de nós mas sem ser invasivos, torçamos alguns carinhos não velados e eu tocava seus ombros por sobre a camiseta. Mesmo com o calor que fazia não nos movemos muito para longe daquela mesa. A salvação estava ali.
Percebi que a o mágico momento estava terminando, os outros começaram a sair em grupinhos, ela assumiu que tinha bebido demais e queria dormir. Foi então que sugeri que fôsemos para a minha casa, momento onde começa a nossa história. Mas depois do café, do sexo e de tudo o que foi dito verbal e motoramente ficava a pergunta bailando como chama em uma fogueira, até quando nos veríamos? Eu estava pronto para ter uma história em minha vida? Eu estava pronto para renunciar a essa possibilidade e me culpar quando me sentisse sozinho mais tarde?
Ela foi ao banheiro e tomou uma ducha rápida, veio com os cabelos molhados e sorrindo, quando seus lábios se abriam em sorrisos meu coração palpitava,era mais que linda. Sabia que chegava o momento em que nos despediríamos e depois só a incerteza natural do que não está combinado. Será que esse havia sido um momento único? Será que ela estava disposta a voltar, ou será que me levaria a sua casa em uma próxima vez. Será que haveria essa próxima vez? E por que eu estava me preocupando tanto? Ela suspirou como se fosse dizer algo e tivesse se arrependido.
“O que foi minha cara?”
“Nada não, encanação besta.”
“Me diz o que é. Quem sabe posso te ajudar.”
“Será que nos veremos novamente ou será que só foi isso mesmo.”
“Agora depende de você, afinal já sabe onde moro, quem sou , o que faço e tem até meu número. Só falta mesmo dizer o que é importante. Você quer voltar?”
“Sim quero. E para empatar o jogo, irei escrever aqui nesse canto da parede perto de sua escrivaninha uma coisa para se lembrar de mim.”
Apanhou uma caneta e foi como felina. Escreveu três linhas e veio em minha direção. Pegou minha mão e me conduziu até a porta.
“Agora preciso ir. Fique bem e me surpreenda.”
Me deu um beijo e partiu deixando o perfume de seus cabelos . Corri para a perede e li em uma letra redondoa um número de telefone, endereço e um nome. Ela se chamava Glória.



UM GOSTO AMARGO NA BOCA



Equilibrei-me sobre o banquinho de madeira e olhei pelo quintal de casa. Não pensei em nada apenas naquilo que não queria mais saber. Quanto tempo demoraria todo o processo? Será que isso realmente importaria? Amigos não me procurariam tão cedo e por isso poderia sair errado o que não planejara, mas realizara de uma forma tranqüila.
Já havia um certo tempo que eu estava pensando nesta possibilidade e em qualquer outra forma de terminar com todo e qualquer sofrimento que teria ou poderia vir a ter caso tudo não desse certo. Seria vergonhoso sair daqui com este fracasso no meu curto histórico de realizações.
Inspirei, procurei encher meus pulmões de ar. Adoro essa sensação de que nada está acontecendo só que a vida te toma de assalto de uma forma tão estranha. A vida na verdade é invisível e te estupra a cada mísero instante. Fiquei ali equilibrando sensações baratas e possibilidades mil em uma única atitude.
Tudo é cabível no momento de desespero. Quero entender bem mais do que apenas aquelas pessoas que irão ler o triste relato em um jornal que será esquecido na prateleira de algum açougue ou peixaria. Minha história iria servir para embrulhar alimentos para mais uma nação de pobres coitados fadados ao mesmo fim que tive. A única diferença entre eles e eu é que eu escolhi a hora e a forma de colocar um fim em tudo que me incomodava. Acomodei a corda em torno do pescoço e agachei-me um pouco, só para testar o laço, nada poderia dar errado. O abraço final fechou-se em volta do pescoço e agora realmente era para valer, não poderia desistir depois de ir tão longe, não ficava nem chique.
Fechei os olhos e coloquei os pés na beira do assento do banquinho de madeira, meus dedos tocavam a borda e se prendiam como se fosse possível evitar o mergulho. De repente lembrei de uma música que dizia "tropeçavas nos astros" e fiquei ali parado esperando o dia nascer feliz. Uma brisa gelada percorreu todo o quintal e invadiu sem medo todo o meu cosmos. Não haveria mais beijos para trocar diante da possibilidade absurda de uma paixão. Eu ficaria para sempre ali secando como uma camiseta. A vida esvai a cada instante mesmo.
O barulho do portão se abrindo chamou minha atenção, quem seria uma hora dessas? Aqueles olhos castanhos encontram os meus e eles revelavam surpresa. O encontro não previsto salvaria ou destruiria minha vida ou o que sobrava dela. A boca dela se abriu em uma pergunta que não poderia ser feita por que eu morreria antes do tempo. Meus olhos se crisparam e lentamente me joguei naquele mergulho. A boca dela se abriu e emitiu um grito desesperado. As lágrimas começaram a rolar e molharam o seu rosto.
Ela correu em direção ao meu corpo que balançava como uma bandeira. Tentou me erguer, mas percebi que faltava força, faltava coerência com o ato em si. Ela não parava de repetir "POR FAVOR, NÃO MORRA! AGORA NÃO SEU FILHO DA PUTA". Eu havia me esquecido como era quente o abraço dela e como o perfume que o corpo exalava depois do sexo inebriava mais que qualquer coisa. Meu deus como eu adorava ouvir a voz dessa garota me sussurrando loucuras nos locais mais impróprios... Estávamos unidos novamente, mas não era para ela estar ali.
O abraço foi fechando e ar machucava meu corpo por que ele queria entrar, mas não era possível. A luz começou a invadir um espaço obscuro na minha mente e tudo foi ficando mais lento e fora de foco. Quem estava ali segurando minha mão? Quem eram aquelas pessoas? Senti meus membros formigarem e as lágrimas também rolaram em meus olhos. Não sofria mais, era incomodo e só, mas dor não havia mais...
A minha última visão foram aqueles olhos que choravam... As últimas palavras que ouvi dela tinham uma nova realidade que dita ontem até poderia me salvar da covardia do ato: "Eu te amo seu palhaço. Você vai ser pai”.
E tudo terminou com o leve cerrar de meus olhos