Queria dizer que sou mesmo assim, quando o filme me emociona eu choro. Caminho sozinho olhando nos olhos das pessoas e vejo que não era o único a se sentir sozinho. Saio cantando músicas que não sei a letra completamente e, em minha mente, poemas vão surgindo aos poucos.
já me cansei de tentar encontrar explicações pelo fato de não nos largamos em nenhum dia neste pouco mais de um mês que estamos juntos. Talvez dure pouco tempo, ou talvez seja para a vida toda, mas quanto tempo é necessário estarmos na vida de uma pessoa para que a sintamos eternamente em nossa história? Eu também não sei a resposta dessa pergunta, como não sei a resposta de muitas outras.
Sabe, vim pensando no filme que terminamos de assistir e queria saber quando foi que perdemos a sadia mania de escrever cartas de próprio punho? Claro que é um tanto quanto confuso o fato de que eu escrevo aqui neste blog algo que caberia em uma folha de caderno e em minha letra estranha. O que garante que não haja nada neste sentido esperando em sua caixa de correio? Ou no meio de seu fichário? A vida pode ser surpreendente e que quero ser surpreendido por ela e por você.
Fique bem nessa noite, nos veremos em breve
Beijos
P.S. Você sabe
22 de maio de 2008
20 de maio de 2008
Glória (trecho do meu 1° conto)
Pelo espelho retrovisor o motorista do táxi nos encarava
“Sua filha parece muito cansada.”
“É ela está pregada.”
“Sua filha, né?”
Ele deu uma piscada como se dissesse,”sei, sei”. Sacana, mas quem não era sacana? Quem não estaria quebrando uma regra fosse moral, lógica ou legal. Sempre tem alguém colocando o dedo na ferida e essa era a minha vez. Essa era a minha noite e eu não iria perder tempo tendo crises de consciência por que um taxista olhava para mim com inveja. Cada um poderia sempre sorrir diante do erro dos outros, ele que ficasse rindo então.Eu sequer sabia o nome da garota que dormia ao meu lado.
Chegamos à frente de minha casa. Acordei a menina e caminhamos até o portão, ela se recostou no muro e eu voltei ao táxi para acertar a corrida.
“Quanto foi?”
“Olhe doutor, um conselho. Tome cuidado com essas menininhas, elas são fogo.”
“Não, é só um pouco de sono.”
“Sua filha não é? Sei. Ela é no máximo dez anos mais nova que você. Deu vinte paus.”
Paguei e me virei. Ela sorriu e disse, “me leva pra casa papai”, ela ainda frisou bem o “papai”. Pequena sacana. Já na sala ela tirou o tênis e sentiu o assoalho. Caminhou como se já conhecesse a casa, o que não era verdade. Sentou-se no sofá e apoiou os pés na mesa de centro atulhada de revistas de rock, algumas hq´s, livros e em cima dos livros minhas poesias e crônicas.
“Tem um refrigerante?”
“Deve ter, não sei!”
“A pessoa nem sabe o que tem em casa.”
“Uísque eu sei que tenho, tenho rum, conhaque...”.
Levantou-se e foi atrás do que queria. Achou a cozinha, a geladeira, a Pepsi e o copo. Gostava da determinação que ela demonstrava. Na volta ficou parada diante da mesa onde eu costumo trabalhar.
“O que é isso?”
Minha vez de ser sacana
“Se chama máquina de escrever portátil”.
“Isso eu sei”.
“Então a pergunta é referente a quê”?
“Você é mesmo escritor?”
“Sou.”
“E já publicou? Escritor sem ter publicado nada não é escritor.”
“Você já teve filho? Mulher sem ser tido filho não é mulher. Eu sou um escritor, não sou um editor.”
“Você tem maconha?”
“Não. Eu não gosto.”
“Nunca vi escritor que não fumasse maconha.”
“Quantos escritores você conhece pessoalmente?”
Odiava essa idéia de ter que ser como os outros querem. Sentou-se no sofá, me olhou de canto. Sentei-me em uma poltrona próxima e acendi um cigarro.
“Posso dormir aqui?”
“E teus pais?”
“Eles cabem no teu sofá?” disse isso com uma cara de quem queria mesmo era se divertir e não estava ligando muito para as conseqüências. Fazia-me lembrar de minha época de colégio onde sempre imaginamos meus amigos e eu, que seríamos eternos aos dezessete anos. Será que havia ainda um pouco dessa inocência em mim, e se houvesse quanto seria essa parte de mim hoje?
Fui até meu quarto e apanhei travesseiro e um lençol. Não acreditava realmente na liberdade que ela bradava.
“Se tiver fome sabe onde tem as coisas. Irei tomar um banho.”
Não terminei o cigarro. Fui ao banheiro e liguei o chuveiro, gostava muito de ouvir o som da água caindo enquanto me despia. Entrei debaixo do jato quente e deixei os ombros caírem, o corpo agradeceu àquela massagem. A cabeça girou e tive uma sensação estranha. Abri os olhos e ela me encarava parada na porta, estava só de camiseta e calcinha. Tinha um meio sorriso nos lábios e olhava meu pinto. Veio caminhando e entrou no que sobrara de espaço entre meu corpo e a parede do box. Puxou-me para um beijo, mordeu meu peito doído e minhas mãos começaram a percorrer suas costas. Ajoelhou-se e senti meu corpo crescendo dentro de sua boca. Ela tinha nove anos a menos que eu.
Acordei exausto e com uma marca de mordida no ombro direito, estava roxo e ainda dolorido. Ela não estava mais ali, ela havia partido enquanto eu dormia e me fizera o sacro favor de não me acordar. Eu gostava mais dela depois disso, não eram todas as pessoas que tinham essa sensibilidade de saber que o outro precisa dormir o tanto que o corpo pedia. Eu odeio quando alguém me acordava, parecia que o universo interrompia sua expansão naquele momento.
Olhei no relógio por uma formalidade imbecil, já que era domingo, quase dez da manhã. Levantei-me como um fardo. Não encontrei meus chinelos, mas vi a toalha ainda úmida jogada no chão perto da cama, não tinha condições de faze mais nada a não ser sorrir. Entrei na cozinha e vi um milagre sendo retratado, sentada à mesa tomando uma xícara de café e devorando um sanduíche de queijo ela estava absorta. Parecia uma foto antiga dessas pin up´s que a gente vê em revistas de tatuagens. Vestia um camisão meu aberto nos quatro primeiros botões. A curva interna do seio fazia um desenho incrível, poderia ficar ali olhando para ela por dias seguidos sem mesmo perceber. Os cabelos vermelhos contrastavam com a pele clara, era como o amanhecer no deserto. Sua boca abriu-se para mais uma mordida e era como um sopro de verdade numa manhã esquecida.
“Você dormiu bem?” mesmo com a boca cheia, e talvez por isso fosse tão belo, ela era encantadora. Baixou a cabeça e só então eu pude reparar que ela estava lendo alguma coisa. Era meu primeiro livro que estava na estante de meu escritório, perdido entre outras coisas ele era como um fóssil esperando para ser descoberto.
“Você mentiu para mim ontem.”
“Eu?”
“Sim, você sabe. Quando disse que não havia publicado nenhum livro.”
“Esse livro foi meu primeiro. Faz tempo que eu não o vejo por aí!”
“Estou gostando dos poemas. É fácil encontrar nas livrarias?”
“Não, não é. Ele não foi muito bem aceito e a distribuição foi uma bosta”.
“Que pena. Eu queria comprar um e trazer para você escrever uma dedicatória bem sacana.”
“Bem, você pode ficar com esse. Eu devo ter outros guardados em uma caixa no quarto vago. O que você quer que eu escreva?”
“Não sei. Algo bem pessoal e que me faça lembrar de ontem. Algo que me faça bem.”
“Nossa. Mas já vou avisando que sou péssimo nisso de escrever dedicatórias e coisas afins.”
“Posso te fazer uma pergunta?”
“Claro.”
“Por que você só escreve sobre bebedeira, músicas tristes e relacionamentos que não dão certo?”
“Porque a minha vida é assim. Esse é o resumo poético de meu dia-a-dia.”
“É verdade que você teve muitas namoradas?”
“Sim, quer dizer, não sei se se pode dizer que foram muitas namoradas. Mas já me envolvi com muitas mulheres. Não tanto quanto as pessoas pensam.”
“E você já amou alguma?”
“Todas.”
“Deixa de ser mentiroso. Não se pode amar todo mundo.”
“Eu amei cada uma da forma que me foi possível amar. Nem todas da mesma forma e com a mesma intensidade. Mas eu as amei sim.”
“Sente falta de alguma em especial?”
“Não.”
“Lá vem você mentindo de novo.”
“Eu deixo alguns fantasmas bem escondidos.”
“Sua filha parece muito cansada.”
“É ela está pregada.”
“Sua filha, né?”
Ele deu uma piscada como se dissesse,”sei, sei”. Sacana, mas quem não era sacana? Quem não estaria quebrando uma regra fosse moral, lógica ou legal. Sempre tem alguém colocando o dedo na ferida e essa era a minha vez. Essa era a minha noite e eu não iria perder tempo tendo crises de consciência por que um taxista olhava para mim com inveja. Cada um poderia sempre sorrir diante do erro dos outros, ele que ficasse rindo então.Eu sequer sabia o nome da garota que dormia ao meu lado.
Chegamos à frente de minha casa. Acordei a menina e caminhamos até o portão, ela se recostou no muro e eu voltei ao táxi para acertar a corrida.
“Quanto foi?”
“Olhe doutor, um conselho. Tome cuidado com essas menininhas, elas são fogo.”
“Não, é só um pouco de sono.”
“Sua filha não é? Sei. Ela é no máximo dez anos mais nova que você. Deu vinte paus.”
Paguei e me virei. Ela sorriu e disse, “me leva pra casa papai”, ela ainda frisou bem o “papai”. Pequena sacana. Já na sala ela tirou o tênis e sentiu o assoalho. Caminhou como se já conhecesse a casa, o que não era verdade. Sentou-se no sofá e apoiou os pés na mesa de centro atulhada de revistas de rock, algumas hq´s, livros e em cima dos livros minhas poesias e crônicas.
“Tem um refrigerante?”
“Deve ter, não sei!”
“A pessoa nem sabe o que tem em casa.”
“Uísque eu sei que tenho, tenho rum, conhaque...”.
Levantou-se e foi atrás do que queria. Achou a cozinha, a geladeira, a Pepsi e o copo. Gostava da determinação que ela demonstrava. Na volta ficou parada diante da mesa onde eu costumo trabalhar.
“O que é isso?”
Minha vez de ser sacana
“Se chama máquina de escrever portátil”.
“Isso eu sei”.
“Então a pergunta é referente a quê”?
“Você é mesmo escritor?”
“Sou.”
“E já publicou? Escritor sem ter publicado nada não é escritor.”
“Você já teve filho? Mulher sem ser tido filho não é mulher. Eu sou um escritor, não sou um editor.”
“Você tem maconha?”
“Não. Eu não gosto.”
“Nunca vi escritor que não fumasse maconha.”
“Quantos escritores você conhece pessoalmente?”
Odiava essa idéia de ter que ser como os outros querem. Sentou-se no sofá, me olhou de canto. Sentei-me em uma poltrona próxima e acendi um cigarro.
“Posso dormir aqui?”
“E teus pais?”
“Eles cabem no teu sofá?” disse isso com uma cara de quem queria mesmo era se divertir e não estava ligando muito para as conseqüências. Fazia-me lembrar de minha época de colégio onde sempre imaginamos meus amigos e eu, que seríamos eternos aos dezessete anos. Será que havia ainda um pouco dessa inocência em mim, e se houvesse quanto seria essa parte de mim hoje?
Fui até meu quarto e apanhei travesseiro e um lençol. Não acreditava realmente na liberdade que ela bradava.
“Se tiver fome sabe onde tem as coisas. Irei tomar um banho.”
Não terminei o cigarro. Fui ao banheiro e liguei o chuveiro, gostava muito de ouvir o som da água caindo enquanto me despia. Entrei debaixo do jato quente e deixei os ombros caírem, o corpo agradeceu àquela massagem. A cabeça girou e tive uma sensação estranha. Abri os olhos e ela me encarava parada na porta, estava só de camiseta e calcinha. Tinha um meio sorriso nos lábios e olhava meu pinto. Veio caminhando e entrou no que sobrara de espaço entre meu corpo e a parede do box. Puxou-me para um beijo, mordeu meu peito doído e minhas mãos começaram a percorrer suas costas. Ajoelhou-se e senti meu corpo crescendo dentro de sua boca. Ela tinha nove anos a menos que eu.
Acordei exausto e com uma marca de mordida no ombro direito, estava roxo e ainda dolorido. Ela não estava mais ali, ela havia partido enquanto eu dormia e me fizera o sacro favor de não me acordar. Eu gostava mais dela depois disso, não eram todas as pessoas que tinham essa sensibilidade de saber que o outro precisa dormir o tanto que o corpo pedia. Eu odeio quando alguém me acordava, parecia que o universo interrompia sua expansão naquele momento.
Olhei no relógio por uma formalidade imbecil, já que era domingo, quase dez da manhã. Levantei-me como um fardo. Não encontrei meus chinelos, mas vi a toalha ainda úmida jogada no chão perto da cama, não tinha condições de faze mais nada a não ser sorrir. Entrei na cozinha e vi um milagre sendo retratado, sentada à mesa tomando uma xícara de café e devorando um sanduíche de queijo ela estava absorta. Parecia uma foto antiga dessas pin up´s que a gente vê em revistas de tatuagens. Vestia um camisão meu aberto nos quatro primeiros botões. A curva interna do seio fazia um desenho incrível, poderia ficar ali olhando para ela por dias seguidos sem mesmo perceber. Os cabelos vermelhos contrastavam com a pele clara, era como o amanhecer no deserto. Sua boca abriu-se para mais uma mordida e era como um sopro de verdade numa manhã esquecida.
“Você dormiu bem?” mesmo com a boca cheia, e talvez por isso fosse tão belo, ela era encantadora. Baixou a cabeça e só então eu pude reparar que ela estava lendo alguma coisa. Era meu primeiro livro que estava na estante de meu escritório, perdido entre outras coisas ele era como um fóssil esperando para ser descoberto.
“Você mentiu para mim ontem.”
“Eu?”
“Sim, você sabe. Quando disse que não havia publicado nenhum livro.”
“Esse livro foi meu primeiro. Faz tempo que eu não o vejo por aí!”
“Estou gostando dos poemas. É fácil encontrar nas livrarias?”
“Não, não é. Ele não foi muito bem aceito e a distribuição foi uma bosta”.
“Que pena. Eu queria comprar um e trazer para você escrever uma dedicatória bem sacana.”
“Bem, você pode ficar com esse. Eu devo ter outros guardados em uma caixa no quarto vago. O que você quer que eu escreva?”
“Não sei. Algo bem pessoal e que me faça lembrar de ontem. Algo que me faça bem.”
“Nossa. Mas já vou avisando que sou péssimo nisso de escrever dedicatórias e coisas afins.”
“Posso te fazer uma pergunta?”
“Claro.”
“Por que você só escreve sobre bebedeira, músicas tristes e relacionamentos que não dão certo?”
“Porque a minha vida é assim. Esse é o resumo poético de meu dia-a-dia.”
“É verdade que você teve muitas namoradas?”
“Sim, quer dizer, não sei se se pode dizer que foram muitas namoradas. Mas já me envolvi com muitas mulheres. Não tanto quanto as pessoas pensam.”
“E você já amou alguma?”
“Todas.”
“Deixa de ser mentiroso. Não se pode amar todo mundo.”
“Eu amei cada uma da forma que me foi possível amar. Nem todas da mesma forma e com a mesma intensidade. Mas eu as amei sim.”
“Sente falta de alguma em especial?”
“Não.”
“Lá vem você mentindo de novo.”
“Eu deixo alguns fantasmas bem escondidos.”
18 de maio de 2008
o poema do Mapa Cultural Paulista
Alguns amigos que não conhecem esse poema me pediram para postá-lo. Na verdade quase ninguém conhece. Ele faz parte do meu segundo livro "Isso não é amor, é blues".
Pensamentos
"E caem como vento e em movimento transpassam seus olhos, seu cabelo...tudo se acalma e chora" Gabriela Carpi
Agora rascunho mais um poema,
Converso com Pandora e sei que lá fora está frio.
Glória e eu não nos vemos tem um tempo e sempre
Fica em minha mente o pedido
“Make me fell all right",
Mas nem nos vemos.
Daqui a pouco me canso desse azul e
Descerei a rua mesmo debaixo de chuva,
Comprar um charuto e uma dose de conhaque
Pra me fazer pensar melhor.
Ah, noite em que caem anjos
em chamas pelas capitais.
Noite em que lágrimas viajam pelas ondas da TV.
Perdoem as faltas, perdoem o pouco que somos
Nada faz sentido quando não nos vemos,
fica tudo como se fossem reticências
e a vida não perdoa mais o momento em que paramos
para espiar o sol se pondo.
Expiaremos feito um universo louco e caótico
Como se fôssemos um Big Bang às avessas...
Amanhã não teremos mais...
Make me fell all right
Pensamentos
"E caem como vento e em movimento transpassam seus olhos, seu cabelo...tudo se acalma e chora" Gabriela Carpi
Agora rascunho mais um poema,
Converso com Pandora e sei que lá fora está frio.
Glória e eu não nos vemos tem um tempo e sempre
Fica em minha mente o pedido
“Make me fell all right",
Mas nem nos vemos.
Daqui a pouco me canso desse azul e
Descerei a rua mesmo debaixo de chuva,
Comprar um charuto e uma dose de conhaque
Pra me fazer pensar melhor.
Ah, noite em que caem anjos
em chamas pelas capitais.
Noite em que lágrimas viajam pelas ondas da TV.
Perdoem as faltas, perdoem o pouco que somos
Nada faz sentido quando não nos vemos,
fica tudo como se fossem reticências
e a vida não perdoa mais o momento em que paramos
para espiar o sol se pondo.
Expiaremos feito um universo louco e caótico
Como se fôssemos um Big Bang às avessas...
Amanhã não teremos mais...
Make me fell all right
12 de maio de 2008
desabafo depois da premiação

São quase cinco da manhã e eu cheguei de São Paulo há pouco. Fui escolhido para integrar a coletânea do Mapa Cultural Paulista biênio 2007/2008. É claro que me sinto imensamente honrado e feliz em fazer parte dessa história. Mesmo a escrita sendo um exercício solitário é necessário vivermos esse momento de contato entre os iguais, por mais díspares que possamos ser e, se o formos, a qualidade está assegurada.
Depois de passar 14 horas em ônibus e mais um tanto em metrô e caminhadas pelas ruas de São Paulo. Estar em frente ao meu computador, com uma cerveja gelada e meu cachimbo é renascer entre os escombros do medo. Qual é a moral de tudo isso? Participar e surpreender-se. Quando li meu nome no enorme painel onde figuraram os escolhidos eu fiquei congelado e só balbuciava "O meu nome está ali na lista." E as pessoas estavam lendo "Eduardo Rocha Duran – Tupã- poesia "Pensamentos" e o mestre de cerimônias não se cansava de repetir; "Pedimos aos selecionados que venham ao palco para receberem os prêmios." Ravazi teve de me cutucar algumas vezes e mandar que eu fosse para lá. Fiquei triste por que gostaria que ele próprio estivesse constando ali na lista, assim como o José Rodolfo. Mas só eu teria de ir. Caminhei claudicante, com medo de que pudesse acordar a qualquer momento, mas o palco do Memorial da América Latina crescia ao me aproximar. Subi os três degraus e me uni aos outros. Incrédulo. Uma senhora veio em minha direção com o troféu e me perguntou;
"Você quem é?"
"Eu não sei!" nada fazia muito sentido, minha presença ali me soava como um momento de trégua em minhas incertezas. Senti-me em companhia de todos vocês meus caros amigos e minha mente era ágil em trazer a tona seus rostos e as possibilidades de crescermos em conjunto e produzirmos um bom material.
Olhei para os outros escolhidos e nos cumprimentávamos com parabéns surpresos. Eu não era o único embasbacado e isso reconforta quando você está no foco de centenas de estranhos em uma noite fria. Havia uma garota de cabelos cacheados a meu lado. Ela chorava. Perguntei: "Você escreve o quê?"
"Eu não sei!"
No fundo somos iguais nas incertezas e nas querências. Mesmo aqui, quinhentos quilômetros de tudo e vendo o troféu vítreo eu não creio ainda.
18 de abril de 2008
olá
As pesquisas sobre a geração beat têm me encantado e retirado um tempo monstro de outras coisas que não são mesmo tão importantes quanto eu supunha em um primeiro momento. Enquanto digito esse desabafo o relógio corre e a prova de latim fica mais próxima, finalmente terei a chance de matar esse leão. Claro que poderia ir para a segunda chamada, mas isso só iria adiar um confronto e já me cansei de viver na base do "epois eu vejo".
Claro que os projetos aqui da faculdade andam me encantando mais do que a Tv ou qualquer outra coisa. O jornal tem que sair do papel, ou ir para o papel, dependendo do que queremos.
é meu caro e olha que a noite de sexta-feira promete. Irei encontra Val perto das 23h.
Fiquem bem enquanto eu bebo a vida em um trago
Claro que os projetos aqui da faculdade andam me encantando mais do que a Tv ou qualquer outra coisa. O jornal tem que sair do papel, ou ir para o papel, dependendo do que queremos.
é meu caro e olha que a noite de sexta-feira promete. Irei encontra Val perto das 23h.
Fiquem bem enquanto eu bebo a vida em um trago
14 de abril de 2008
Você sorri
Vem caminhando armada com perfeição
senta-se ao meu lado e me refaz com o toque
me cheira e aceita o meu braço em volta do corpo.
Escreve um poema sobre baratas
Escrevo um texto sobre minhas bravatas,
te deixo maluca com meu jetio infantil
me esforço pra te agradar.
Tão parecida comigo na solidão,
devemos beber mais vezes e gritar mais alto.
Trepar nos muros que nos separam do desejo que temos,
Devemos cantar desafinados pelas noites em que a chuva ameaça e não cai.
Às vezes queria que você me levasse mais a sério.
Vestirei meu terno e sairei a procura de um resto de sol que aqueça.
me deixe ser louco ao teu lado.
te beijo
senta-se ao meu lado e me refaz com o toque
me cheira e aceita o meu braço em volta do corpo.
Escreve um poema sobre baratas
Escrevo um texto sobre minhas bravatas,
te deixo maluca com meu jetio infantil
me esforço pra te agradar.
Tão parecida comigo na solidão,
devemos beber mais vezes e gritar mais alto.
Trepar nos muros que nos separam do desejo que temos,
Devemos cantar desafinados pelas noites em que a chuva ameaça e não cai.
Às vezes queria que você me levasse mais a sério.
Vestirei meu terno e sairei a procura de um resto de sol que aqueça.
me deixe ser louco ao teu lado.
te beijo
31 de janeiro de 2008
vez em quando penso
tudo aqui me soa estranho como um soco na cara quando o sol chega de repente
espalhando tristeza e separando os filhos da noite
jogando cada um para um lado do globo
e as horas que escorrem pelas sarjetas
ficam perseguindo sonhos.
é como se eu deixasse meus olhos secando ao sol
como um casaco que molhei na chuva
é sempre um outro momento.
Doce e distante criança o mundo
é cheio de partidas
é desespero e dor pelo café da manhã
estamos mortos como flores espalhadas por um jardim descuidado
tudo é assim
tudo aqui me soa estranho como um soco na cara quando o sol chega de repente
espalhando tristeza e separando os filhos da noite
jogando cada um para um lado do globo
e as horas que escorrem pelas sarjetas
ficam perseguindo sonhos.
é como se eu deixasse meus olhos secando ao sol
como um casaco que molhei na chuva
é sempre um outro momento.
Doce e distante criança o mundo
é cheio de partidas
é desespero e dor pelo café da manhã
estamos mortos como flores espalhadas por um jardim descuidado
tudo é assim
29 de janeiro de 2008
Para vc com amor e com medo
e eu me apego ao seus passos ruivos
retorno ao teu seio
cansado poeta andarilho das razões
não há espaço
há espasmos.
os anos foram passando
e como estávamos lado a lado
te perceber mulher
me surpreende
e me delicia essa sensação
de continuidade e
completa desnecessidade de ponto final.
meu primeiro poema
desse ano trigésimo.
essa madrugada fria
em que rompemos convenções e
assumimos um passo mais.
me segure firme como vem fazendo
nesses oito anos,
mesmo distantes vez por outra
o universo se encarrega das flores
e do cheiro da manhã que nasce,
vem florir meu deserto e matar essa minha sede
real.
te preparo uma cama de poemas e sonhos
continuo com amor e com medo...
o que vc escolhe?
retorno ao teu seio
cansado poeta andarilho das razões
não há espaço
há espasmos.
os anos foram passando
e como estávamos lado a lado
te perceber mulher
me surpreende
e me delicia essa sensação
de continuidade e
completa desnecessidade de ponto final.
meu primeiro poema
desse ano trigésimo.
essa madrugada fria
em que rompemos convenções e
assumimos um passo mais.
me segure firme como vem fazendo
nesses oito anos,
mesmo distantes vez por outra
o universo se encarrega das flores
e do cheiro da manhã que nasce,
vem florir meu deserto e matar essa minha sede
real.
te preparo uma cama de poemas e sonhos
continuo com amor e com medo...
o que vc escolhe?
7 de janeiro de 2008
boa noite, 2008
Esse é o ano de mudanças, aquilo que sempre quis fazer. Algumas coisas chutei pra bem longe, tinha de ser assim. Deixei mesmo algumas pessoas pra trás por que não tinha de carregá-las comigo. Sou um cometa louco me dirigindo ao infinito e para essa jornada tenho de ir só.
Sinto essa necessidade de queimar minha velharia acumulada de forma nonsense durante o ano que passou. Algumas cartas, algumas fotos... alguns sonhos.
Ganhei uma parceira também e isso não é segredo, mas quem quiser saber terá de fazer a pergunta certa e na hora certa.
Esse é o ano de meu trigésimo aniversário e confesso que estou um pouco assustado, mas sei também que o rumo que ando dando para a minha vida não poderia ser melhor.
Sei que ando escrevendo pouco, não é que não tenha nada a falar, eu só não sei como...
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