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27 de maio de 2008

Recebi de meu amigo e também escritor José Rodolfo Klimek uma crítica a respeito de meu conto "Glória". Peço a ele licença para publicar aqui um trecho e um link de seu blog.

"Gostei muito do conto Glória. Seu jeito de escrever é o tipo de leitura que eu gosto. Fora algumas frases geniais que você escondeu no meio do texto, como o cara que goza com o pau dos outros e aquela que fala que a vida é invisível e nos estupra. Você escreve muito, muito, bem. E esse personagem principal, um escritor sem glamour, seu alter-ego, que por ser exatamente demasiado desajeitado, sincero e pessimista acaba por encantar o leitor. Ganha sua simpatia sem querer. Não havia como o final ser outra coisa que uma tragédia, embora a calma que Glória propicia ao suicida na vã tentativa de salvá-lo é uma forma de tornar feliz a angústia que o escritor sentia. "

26 de maio de 2008

boa semana

A menina que trabalha aqui em casa havia fugido com um ex-namorado, ela deixou o atual marido e partiu. É claro que, algumas coisas só se resolvem assim mesmo na base do pé na porta e faca entre os dentes. Esse final de semana me fez pensar, desde sexta-feira que algumas coisas não me saem da cabeça; dentre as quais a que sou um idiota completo e com carteirinha de algum clube que já faliu. O sábado nem tem o que relatar por que ainda dói fundo.
Domingo foi um dia frio e monótono. Algumas coisas que você acaba te afastando da praia e é bom saber nadar em mar aberto. É bom ter braços fortes pra enfrentar as possibilidades. Demos algumas lambidas nas feridas, mas elas não fecharam. A novidade e que eu dormi mal pra caralho (rs). Acordei muito cedo com dores pelo corpo e uma leve febre, resultado da gripe que não cuido. Me sentei aqui em frente a esse computador para poder ler as notícias e comecei a conversar com algumas pessoas que me são tão queridas que nem sei.
Estou com uma vergonha danada de você. Não quis te irritar, mas podemos falar as coisas para nós sem terceiros? Tem um cara que não me lembro o nome, ele dizia “o amor ideal não pode dar certo.” Ele tem razão. Bruce Willis tá aqui soprando a gaita desde as 7h30 dessa manhã fria de segunda-feira (estou ouvindo “Blues for Mister D.”), minhas mãos estão frias e a garganta seca, calosa. Infelizmente tenho que sair daqui a pouco, queria ver um filme na tv. Queria um café bem forte e quente... mas tenho que fazer a barba e ir cuidar das aulas que começarei a dar em breve.
É a última semana do mês de maio (“ maio já está no final” cantaria Paula Toller) e tem tanta coisa que anda me preocupando e deixando ansioso. Os filhotinhos não param, invadem o corredor dos quartos travando uma luta espetacular cheia de latidos agudos, eles só têm cinqüenta dias. Pulam um sobre os outros e brincam como se fosse à única missão. Tem um que vem sempre aqui onde estou e me encara tentando compreender penso eu, como posso dar mais atenção a essa máquina do que a eles. O pequeno tem razão.Bem, a menina que trabalha em casa, por algum motivo voltou. Talvez o amor ideal não possa mesmo existir

25 de maio de 2008

o poeta disse assim "festei e me arrependi"...
o duro é que nem foi por conta do Hugo, Mas o poeta aqui não se dá bem além das páginas que ele escreve minha querida. Gostaria que minha vida fosse um poema meu. Mas não é. É a vida que gera o poema e não o poema que gera a vida...beijos

...

Sabe o que me deixa mal mesmo? Ela me conhece e sabe que eu iria querer vê-la, mesmo depois do que nos dissemos ontem. Dormi muito mal, por que em meus sonhos, a todo instante aparecia algo que me remetia a ela. Por que somos realmente ligados e amigos.
É claro que eu não deveria ter dito metade das coisas que disse. Só que foi necessário para que algumas coisas fossem exteriorizadas realmente. Não foi fácil e ainda ecoam em minha cabeça muita coisa das ruas solitárias dessa pequena cidade. Fico em dúvida em como agir, sério eu estou perdido. Mas não quero me desculpar por ter sido sincero, não quero me desculpar por ter dito o que disse. Não quero ter de me desculpar sempre por sentir o que sinto e nego agora. Não irei me desculpar e nem escrever outro poema, nem outro blues... Aposentarei a caneta. Por que em cada verso meu terá um tanto dela nas cores, no ritmo, na escolha da palavra certa.
Ela está aqui sorrindo para mim enquanto digito esse desabafo que me despertou antes do porre ter passado completamente. Meio sonolento ainda, mas decidido a fazer o melhor para mim, doa em quem doer. Eu sei que sou um cara triste que cansou do silêncio. Um cara comum desses que ninguém se lembra no dia seguinte. Sou um cara que sofre nas madrugadas, mas ainda assim caminha. Por que se eu ficar parado eu morro,, eu piro.
Quero ficar aqui onde estou. É a primeira vez eu não sinto aquela vontade imensa de sumir e nem de abandonar. Apenas de ficar no meu canto. Mas não me sinto preparado para escrever nada além do que brota aqui. Johnny Cash me compreenderia sem nenhuma sombra de dúvida. Será que isso realmente importa? Quer dizer; sabemos que nossa amizade está ali intacta, e que não como. O mais doido é que escrevo o que escrevo ouvindo uma música que sempre me fará lembrar dela. E sigo baixando músicas e criando cd,s a ela. A minha imbecilidade é sem tamanho por que sei que ela me faz bem e me quer bem e que a recíproca desse sentimento é real. Tenha um bom dia minha querida

24 de maio de 2008

Escritor e terapeuta Roberto Freire morre aos 81 anos

Corpo foi cremado em São Paulo neste sábado (24).
Freire escreveu para os programas 'A Grande Família' e 'TV Mulher'.


O escritor e terapeuta Roberto Freire morreu na noite desta sexta-feira (23), aos 81 anos. O corpo foi cremado neste sábado (24) no crematório da Vila Alpina, em São Paulo. A causa da morte não foi divulgada pela família. Freire escreveu para teatro, cinema e televisão, além de ser autor de 25 livros, entre eles, a autobiografia “Eu é um outro”, de 2003. Na TV, escreveu para os programas “A Grande Família” e “TV Mulher”. Entre as obras mais conhecidas estão "Sem Tesão Não Há Solução", "Coiote" e "Cleo e Daniel", que virou filme em 1970, com Sônia Braga, Myriam Muniz e John Herbert no elenco. Como terapeuta, Roberto Freire se concentrou no desenvolvimento da somaterapia, criada por ele nos anos 70 com base nas pesquisas do austríaco Wilhelm Reich e no movimento anarquista.

23 de maio de 2008

ouça o bom conselho que lhe dou de graça

EMBRIAGUEM-SE
É preciso estar sempre embriagado.
Aí está: eis a única questão.
Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra,
é preciso que se embriaguem sem descanso.
Com quê?
Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.
Mas embriaguem-se.
E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso,
na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui,
a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala,
pergunte que horas são;
e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão:
"É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso".
Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.


Charles Baudelaire

22 de maio de 2008

Pqna

Queria dizer que sou mesmo assim, quando o filme me emociona eu choro. Caminho sozinho olhando nos olhos das pessoas e vejo que não era o único a se sentir sozinho. Saio cantando músicas que não sei a letra completamente e, em minha mente, poemas vão surgindo aos poucos.
já me cansei de tentar encontrar explicações pelo fato de não nos largamos em nenhum dia neste pouco mais de um mês que estamos juntos. Talvez dure pouco tempo, ou talvez seja para a vida toda, mas quanto tempo é necessário estarmos na vida de uma pessoa para que a sintamos eternamente em nossa história? Eu também não sei a resposta dessa pergunta, como não sei a resposta de muitas outras.
Sabe, vim pensando no filme que terminamos de assistir e queria saber quando foi que perdemos a sadia mania de escrever cartas de próprio punho? Claro que é um tanto quanto confuso o fato de que eu escrevo aqui neste blog algo que caberia em uma folha de caderno e em minha letra estranha. O que garante que não haja nada neste sentido esperando em sua caixa de correio? Ou no meio de seu fichário? A vida pode ser surpreendente e que quero ser surpreendido por ela e por você.
Fique bem nessa noite, nos veremos em breve
Beijos


P.S. Você sabe

20 de maio de 2008

Glória (trecho do meu 1° conto)

Pelo espelho retrovisor o motorista do táxi nos encarava
“Sua filha parece muito cansada.”
“É ela está pregada.”
“Sua filha, né?”
Ele deu uma piscada como se dissesse,”sei, sei”. Sacana, mas quem não era sacana? Quem não estaria quebrando uma regra fosse moral, lógica ou legal. Sempre tem alguém colocando o dedo na ferida e essa era a minha vez. Essa era a minha noite e eu não iria perder tempo tendo crises de consciência por que um taxista olhava para mim com inveja. Cada um poderia sempre sorrir diante do erro dos outros, ele que ficasse rindo então.Eu sequer sabia o nome da garota que dormia ao meu lado.
Chegamos à frente de minha casa. Acordei a menina e caminhamos até o portão, ela se recostou no muro e eu voltei ao táxi para acertar a corrida.
“Quanto foi?”
“Olhe doutor, um conselho. Tome cuidado com essas menininhas, elas são fogo.”
“Não, é só um pouco de sono.”
“Sua filha não é? Sei. Ela é no máximo dez anos mais nova que você. Deu vinte paus.”
Paguei e me virei. Ela sorriu e disse, “me leva pra casa papai”, ela ainda frisou bem o “papai”. Pequena sacana. Já na sala ela tirou o tênis e sentiu o assoalho. Caminhou como se já conhecesse a casa, o que não era verdade. Sentou-se no sofá e apoiou os pés na mesa de centro atulhada de revistas de rock, algumas hq´s, livros e em cima dos livros minhas poesias e crônicas.
“Tem um refrigerante?”
“Deve ter, não sei!”
“A pessoa nem sabe o que tem em casa.”
“Uísque eu sei que tenho, tenho rum, conhaque...”.
Levantou-se e foi atrás do que queria. Achou a cozinha, a geladeira, a Pepsi e o copo. Gostava da determinação que ela demonstrava. Na volta ficou parada diante da mesa onde eu costumo trabalhar.
“O que é isso?”
Minha vez de ser sacana
“Se chama máquina de escrever portátil”.
“Isso eu sei”.
“Então a pergunta é referente a quê”?
“Você é mesmo escritor?”
“Sou.”
“E já publicou? Escritor sem ter publicado nada não é escritor.”
“Você já teve filho? Mulher sem ser tido filho não é mulher. Eu sou um escritor, não sou um editor.”
“Você tem maconha?”
“Não. Eu não gosto.”
“Nunca vi escritor que não fumasse maconha.”
“Quantos escritores você conhece pessoalmente?”
Odiava essa idéia de ter que ser como os outros querem. Sentou-se no sofá, me olhou de canto. Sentei-me em uma poltrona próxima e acendi um cigarro.
“Posso dormir aqui?”
“E teus pais?”
“Eles cabem no teu sofá?” disse isso com uma cara de quem queria mesmo era se divertir e não estava ligando muito para as conseqüências. Fazia-me lembrar de minha época de colégio onde sempre imaginamos meus amigos e eu, que seríamos eternos aos dezessete anos. Será que havia ainda um pouco dessa inocência em mim, e se houvesse quanto seria essa parte de mim hoje?
Fui até meu quarto e apanhei travesseiro e um lençol. Não acreditava realmente na liberdade que ela bradava.
“Se tiver fome sabe onde tem as coisas. Irei tomar um banho.”
Não terminei o cigarro. Fui ao banheiro e liguei o chuveiro, gostava muito de ouvir o som da água caindo enquanto me despia. Entrei debaixo do jato quente e deixei os ombros caírem, o corpo agradeceu àquela massagem. A cabeça girou e tive uma sensação estranha. Abri os olhos e ela me encarava parada na porta, estava só de camiseta e calcinha. Tinha um meio sorriso nos lábios e olhava meu pinto. Veio caminhando e entrou no que sobrara de espaço entre meu corpo e a parede do box. Puxou-me para um beijo, mordeu meu peito doído e minhas mãos começaram a percorrer suas costas. Ajoelhou-se e senti meu corpo crescendo dentro de sua boca. Ela tinha nove anos a menos que eu.
Acordei exausto e com uma marca de mordida no ombro direito, estava roxo e ainda dolorido. Ela não estava mais ali, ela havia partido enquanto eu dormia e me fizera o sacro favor de não me acordar. Eu gostava mais dela depois disso, não eram todas as pessoas que tinham essa sensibilidade de saber que o outro precisa dormir o tanto que o corpo pedia. Eu odeio quando alguém me acordava, parecia que o universo interrompia sua expansão naquele momento.
Olhei no relógio por uma formalidade imbecil, já que era domingo, quase dez da manhã. Levantei-me como um fardo. Não encontrei meus chinelos, mas vi a toalha ainda úmida jogada no chão perto da cama, não tinha condições de faze mais nada a não ser sorrir. Entrei na cozinha e vi um milagre sendo retratado, sentada à mesa tomando uma xícara de café e devorando um sanduíche de queijo ela estava absorta. Parecia uma foto antiga dessas pin up´s que a gente vê em revistas de tatuagens. Vestia um camisão meu aberto nos quatro primeiros botões. A curva interna do seio fazia um desenho incrível, poderia ficar ali olhando para ela por dias seguidos sem mesmo perceber. Os cabelos vermelhos contrastavam com a pele clara, era como o amanhecer no deserto. Sua boca abriu-se para mais uma mordida e era como um sopro de verdade numa manhã esquecida.
“Você dormiu bem?” mesmo com a boca cheia, e talvez por isso fosse tão belo, ela era encantadora. Baixou a cabeça e só então eu pude reparar que ela estava lendo alguma coisa. Era meu primeiro livro que estava na estante de meu escritório, perdido entre outras coisas ele era como um fóssil esperando para ser descoberto.
“Você mentiu para mim ontem.”
“Eu?”
“Sim, você sabe. Quando disse que não havia publicado nenhum livro.”
“Esse livro foi meu primeiro. Faz tempo que eu não o vejo por aí!”
“Estou gostando dos poemas. É fácil encontrar nas livrarias?”
“Não, não é. Ele não foi muito bem aceito e a distribuição foi uma bosta”.
“Que pena. Eu queria comprar um e trazer para você escrever uma dedicatória bem sacana.”
“Bem, você pode ficar com esse. Eu devo ter outros guardados em uma caixa no quarto vago. O que você quer que eu escreva?”
“Não sei. Algo bem pessoal e que me faça lembrar de ontem. Algo que me faça bem.”
“Nossa. Mas já vou avisando que sou péssimo nisso de escrever dedicatórias e coisas afins.”
“Posso te fazer uma pergunta?”
“Claro.”
“Por que você só escreve sobre bebedeira, músicas tristes e relacionamentos que não dão certo?”
“Porque a minha vida é assim. Esse é o resumo poético de meu dia-a-dia.”
“É verdade que você teve muitas namoradas?”
“Sim, quer dizer, não sei se se pode dizer que foram muitas namoradas. Mas já me envolvi com muitas mulheres. Não tanto quanto as pessoas pensam.”
“E você já amou alguma?”
“Todas.”
“Deixa de ser mentiroso. Não se pode amar todo mundo.”
“Eu amei cada uma da forma que me foi possível amar. Nem todas da mesma forma e com a mesma intensidade. Mas eu as amei sim.”
“Sente falta de alguma em especial?”
“Não.”
“Lá vem você mentindo de novo.”
“Eu deixo alguns fantasmas bem escondidos.”
Pela segunda madrugada permaneço desperto. Muita música na minha cabeça; um pouco de Johnny Cash, um pouco de Bruce Willis, um pouco de Nasi. Muita coisa acontecendo ainda. Li no blog um texto do José Rodolfo um texto do caralho que eu gostaria de ter escrito. Fala sobre uma crise e tal.

18 de maio de 2008

o poema do Mapa Cultural Paulista

Alguns amigos que não conhecem esse poema me pediram para postá-lo. Na verdade quase ninguém conhece. Ele faz parte do meu segundo livro "Isso não é amor, é blues".




Pensamentos

"E caem como vento e em movimento transpassam seus olhos, seu cabelo...tudo se acalma e chora" Gabriela Carpi


Agora rascunho mais um poema,
Converso com Pandora e sei que lá fora está frio.
Glória e eu não nos vemos tem um tempo e sempre
Fica em minha mente o pedido
“Make me fell all right",
Mas nem nos vemos.
Daqui a pouco me canso desse azul e
Descerei a rua mesmo debaixo de chuva,
Comprar um charuto e uma dose de conhaque
Pra me fazer pensar melhor.
Ah, noite em que caem anjos
em chamas pelas capitais.
Noite em que lágrimas viajam pelas ondas da TV.
Perdoem as faltas, perdoem o pouco que somos
Nada faz sentido quando não nos vemos,
fica tudo como se fossem reticências
e a vida não perdoa mais o momento em que paramos
para espiar o sol se pondo.
Expiaremos feito um universo louco e caótico
Como se fôssemos um Big Bang às avessas...
Amanhã não teremos mais...
Make me fell all right