Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.
Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no
ódio vocês combinam. Então?
Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a
menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama
este cara?
Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura
por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.
*DIZEM QUE O TEXTO ACIMA FOI ESCRITO POR ARNALDO JABOR, NÃO CONFIRMO E NEM DESMINTO PORQUE A FONTE DE ONDE O OBTIVE NÃO É MUITO CONFIÁVEL.
23 de março de 2010
20 de março de 2010
Jim d. Blues
Meia noite e meia
E os cães não se calam (2x)
Ladram com medo
Ladram bem forte
Mas não me assustam
É uma noite tão fria
Como são frias algumas pessoas
É uma noite tão fria
Como são frias algumas garotas
Por isso caminho sozinho
Por isso caminho sozinho
Eu não te abandonei
Não fui eu quem deixou alguém
Mas é tão triste saber certas verdades
Seu eu fosse burro não sofreria nada
Mas não posso negar
Ter ver ainda é o melhor veneno
E essa noite eu quero morrer
É uma noite tão fria
Como são frias algumas pessoas
É uma noite tão fria
Como são frias algumas garotas
Por isso caminho sozinho
Por isso caminho sozinho
E os cães não se calam (2x)
Ladram com medo
Ladram bem forte
Mas não me assustam
É uma noite tão fria
Como são frias algumas pessoas
É uma noite tão fria
Como são frias algumas garotas
Por isso caminho sozinho
Por isso caminho sozinho
Eu não te abandonei
Não fui eu quem deixou alguém
Mas é tão triste saber certas verdades
Seu eu fosse burro não sofreria nada
Mas não posso negar
Ter ver ainda é o melhor veneno
E essa noite eu quero morrer
É uma noite tão fria
Como são frias algumas pessoas
É uma noite tão fria
Como são frias algumas garotas
Por isso caminho sozinho
Por isso caminho sozinho
Tão bela como
Um tímido silêncio de encanto.
Ver seu sorriso é como
Receber o mais ardente dos beijos.
Eu me defendo, planejo fugas.
Mas meus olhos me traem
Sempre que a procuram
Como um dado curioso da natureza.
Por que tão bela?
Que senso de humor terrível o de Deus
Ao fazê-la tão próxima a perfeição,
Como uma força elementar,
Como um fogo que não cessa,
Como um arrepio que desperta,
Como a maciez que provoca o tato,
Como um gosto que surpreende a língua,
Como teus lábios, como teus olhos
Como tua pele, como tuas costas
O tempo para nos falarmos é pouco,
Como estas linhas que prendem o poema
E como minhas mãos que ensaiam
O carinho que jamais será dado.
Tenho tantos pecados
Que meu castigo é estar ao seu lado
E distante de sua existência.
* um beijo na alma
Um tímido silêncio de encanto.
Ver seu sorriso é como
Receber o mais ardente dos beijos.
Eu me defendo, planejo fugas.
Mas meus olhos me traem
Sempre que a procuram
Como um dado curioso da natureza.
Por que tão bela?
Que senso de humor terrível o de Deus
Ao fazê-la tão próxima a perfeição,
Como uma força elementar,
Como um fogo que não cessa,
Como um arrepio que desperta,
Como a maciez que provoca o tato,
Como um gosto que surpreende a língua,
Como teus lábios, como teus olhos
Como tua pele, como tuas costas
O tempo para nos falarmos é pouco,
Como estas linhas que prendem o poema
E como minhas mãos que ensaiam
O carinho que jamais será dado.
Tenho tantos pecados
Que meu castigo é estar ao seu lado
E distante de sua existência.
* um beijo na alma
19 de março de 2010
porque ando sumido?
É claro que ando meio sumido. Não há outra forma de poder dedicar-me com afinco ao que se aproxima se não for dessa maneira. Queria poder caminhar de Amaralina até a Pituba e fazer uma visita a Diogo, conversar sobre literatura com o Aleilton. Mas hoje Diogo veste terno e mora em Brasília, Aleilton deve estar por lá caminhando no apartamento ou em Feira de Santana dando aulas. Eu estou aqui nesse estúdio de rádio lendo um spot que tenho que gravar e não tenho o mínimo desejo de fazer isso hoje.
Em minha cabeça está a Lu que se recupera de um acidente no Rio de Janeiro, a Carl que anda meio na dela também, mas é porque o momento pede isso da gente, não é escolha. A necessidade aumenta um pouco a distância, mas não anula o carinho. Algumas discussões na sala ontem, ao que parece, deflagrou um momento de calmaria em meio as tempestades que nos assolavam desde meados de Fevereiro. É bom poder “urrar por sobre os telhados” como escreve Walt Whitman. Cansado dos falatórios a meu respeito. As pessoas não compreendem que o que acontece comigo poderia também acontecer a elas se não fossem tão ocupadas em cuidar das vida das outras pessoas.
Enquanto elas esperam convites para debates e entrevistas isso acontece comigo. Mas como querer comparar a minha estrada que está sendo aberta há 18 anos desde que publiquei no Diário o poema “Cibele” com o que eles querem de imediato. Também levei muitos “nãos” e ainda levo. Só não faço disso um cavalo de batalhas, sento e reescrevo o que não ficou bom. A gente aprende com as pedras.
Em minha cabeça está a Lu que se recupera de um acidente no Rio de Janeiro, a Carl que anda meio na dela também, mas é porque o momento pede isso da gente, não é escolha. A necessidade aumenta um pouco a distância, mas não anula o carinho. Algumas discussões na sala ontem, ao que parece, deflagrou um momento de calmaria em meio as tempestades que nos assolavam desde meados de Fevereiro. É bom poder “urrar por sobre os telhados” como escreve Walt Whitman. Cansado dos falatórios a meu respeito. As pessoas não compreendem que o que acontece comigo poderia também acontecer a elas se não fossem tão ocupadas em cuidar das vida das outras pessoas.
Enquanto elas esperam convites para debates e entrevistas isso acontece comigo. Mas como querer comparar a minha estrada que está sendo aberta há 18 anos desde que publiquei no Diário o poema “Cibele” com o que eles querem de imediato. Também levei muitos “nãos” e ainda levo. Só não faço disso um cavalo de batalhas, sento e reescrevo o que não ficou bom. A gente aprende com as pedras.
17 de março de 2010
e-mail recebido... pense comigo
Estudar pra quê?
"Eu peguei a bola no meio de campo e fui fondo, fui fondo, fui fondo e chutei pro gol"
(Jardel, ex-jogador do Vasco e Grêmio, ao relatar ao repórter o gol que tinha feito)
"A bola ia indo, indo, indo.. e iu !!!"
(Paulo Nunes, comentando um gol que marcou quando jogava no Palmeiras)
"Tenho o maior orgulho de jogar na terra onde Cristo nasceu"
(Claudiomiro, ex-meia do Inter de Porto Alegre, ao chegar em Belém do Pará para disputar uma partida contra o Paysandu, pelo Brasileirão de 72)
"Nem que eu tivesse dois pulmões eu alcançava essa bola"
(Bradock, amigo de Romário, reclamando de um passe longo)
"No México que é bom lá, a gente recebe semanalmente de 15 em 15 dias"
(Ferreira, ex-ponta esquerda do Santos)
"Quando o jogo está a mil, minha naftalina sobe"
(Jardel, ex-atacante do Vasco, Grêmio e da Seleção, hoje no Porto de Portugal)
"O meu clube estava à beira do precipício, mas tomou a decisão correta deu um passo à frente"
(João Pinto, jogador do Benfica de Portugal)
"Na Bahia é todo mundo muito simpático... é um povo muito hospitalar"
(Zanata, baiano, ex-lateral do Fluminense, ao comentar sobre a hospitalidade do povo baiano).
"Haja o que hajar, o Corinthians vai ser campeão"
(Vicente Matheus).
Agora compare o seu salário com o deles... E CHORE!!!
"Eu peguei a bola no meio de campo e fui fondo, fui fondo, fui fondo e chutei pro gol"
(Jardel, ex-jogador do Vasco e Grêmio, ao relatar ao repórter o gol que tinha feito)
"A bola ia indo, indo, indo.. e iu !!!"
(Paulo Nunes, comentando um gol que marcou quando jogava no Palmeiras)
"Tenho o maior orgulho de jogar na terra onde Cristo nasceu"
(Claudiomiro, ex-meia do Inter de Porto Alegre, ao chegar em Belém do Pará para disputar uma partida contra o Paysandu, pelo Brasileirão de 72)
"Nem que eu tivesse dois pulmões eu alcançava essa bola"
(Bradock, amigo de Romário, reclamando de um passe longo)
"No México que é bom lá, a gente recebe semanalmente de 15 em 15 dias"
(Ferreira, ex-ponta esquerda do Santos)
"Quando o jogo está a mil, minha naftalina sobe"
(Jardel, ex-atacante do Vasco, Grêmio e da Seleção, hoje no Porto de Portugal)
"O meu clube estava à beira do precipício, mas tomou a decisão correta deu um passo à frente"
(João Pinto, jogador do Benfica de Portugal)
"Na Bahia é todo mundo muito simpático... é um povo muito hospitalar"
(Zanata, baiano, ex-lateral do Fluminense, ao comentar sobre a hospitalidade do povo baiano).
"Haja o que hajar, o Corinthians vai ser campeão"
(Vicente Matheus).
Agora compare o seu salário com o deles... E CHORE!!!
13 de março de 2010
32 anos...

(Lendo a biografia de Marlon Brando)
Cheguei a pouco da rua. Estava com Baby face bebendo um pouco e celebrando a solidão, ainda não encontrei uma rima pra ela. Caminhei sozinho pelas ruas e os pensamentos tem uma coisa de invasão mesmo. A todo instante me vinha o fato de a Lu ter se acidentado no Rio de Janeiro e eu ainda não ter tido nenhuma notícia, isso me deixa grilado. Queira poder fazer mais do que mandar boas energias para ela.
Queria poder caminhar do seu lado, mas abro o meu e-mail e vejo sua reticente mensagem... não posso ficar aqui,não com essa preocupação e nem com essa dor no peito. Há ainda um pouco de uísque em minha garrafa. Boa noite amor, vou entorpecer o sentido e fugir, como só os covardes que amam sabem fazer...
9 de março de 2010
09 de março de 1978
Hoje é meu 32º aniversário, aconteceram coisas interessantes e estou feliz. Calmo.
depois escrevo mais
depois escrevo mais
4 de março de 2010
3 de março de 2010
Johnny Depp narra documentário sobre The Doors
da Folha Online
O documentário "When You're Strange" narra a história de Jim Morrison e de sua banda The Doors. O filme, dirigido e escrito por Tom DiCillo, tem narração do ator Johnny Depp.
O longa traz trechos de shows e depoimentos de Morrison e dos outros integrantes por meio de imagens de arquivo. A estreia está prevista para o dia 9 de abril no exterior.
O documentário "When You're Strange" narra a história de Jim Morrison e de sua banda The Doors. O filme, dirigido e escrito por Tom DiCillo, tem narração do ator Johnny Depp.
O longa traz trechos de shows e depoimentos de Morrison e dos outros integrantes por meio de imagens de arquivo. A estreia está prevista para o dia 9 de abril no exterior.
Relíquia de Raul Seixas em pacote de reedições
Projeto lançado em 1971 é destaque de uma série de títulos tidos como raros
Lauro Lisboa Garcia
Das aventuras musicais de Raul Seixas (1945-1989) antes de virar esse cultuado ídolo do rock, o LP coletivo Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10 (1971), ao lado de Sérgio Sampaio, Miriam Batucada e Edy (que depois acrescentou o Star ao nome) é a mais divertida. Espécie de Tropicália underground, um Rock and Roll Circus brasuca, nessa reunião de "malditos" o maluco beleza já soltava ali como manifesto diversos elementos que definiriam seu universo sonoro - como a fusão de rock e baião, o uso de sonoplastia, a predisposição para o brega e a diversidade sem preconceito - e lírico (o bom humor, a ironia, o gosto pela ufologia, a crítica comportamental), embora nem todas as ideias tenham partido dele.

Além de Sessão das 10, vale destaque na série Caçadores de Música, da Sony Music, o primeiro dos três trabalhos-solo de Mussum, o bom álbum homônimo de 1980 (leia abaixo). Ao todo são 51 títulos, alguns dos quais estavam fora de catálogo, outros inéditos em CD e uma maioria que ou não justifica a qualificação de "clássico" sugerido pela campanha, ou já estavam no mercado.
Sessão das 10 já tinha saído em CD pelo selo independente da Rock Company, em 1995, e pela própria Sony em 2000, numa edição desleixada. A nova versão é mais caprichada, com som remasterizado e encarte com todas as letras.
Na época do registro dessa extravagância, Raul era executivo da gravadora. Gravou o disco com os amigos nas madrugadas, às escondidas, para evitar uma possível demissão pela ousadia. Além de Tropicália, ele teria se inspirado em Freak Out (1966), de Frank Zappa, e Sgt. Pepper"s Lonely Hearts Club Band (1967), dos Beatles. Isso qualquer raulzófilo sabe, mas vale dar o toque para os não iniciados. Resultado: nem os homens da gravadora nem a mídia deram bola para o disco. Mas como tudo o que vem de Raul vira objeto de culto, com este não foi diferente. Nos sebos hoje o LP, difícil de encontrar, vale em torno de R$ 400.
No ano passado, Edy Star, o único vivo dos quatro, fez um show memorável com a íntegra do disco no palco dedicado a Raul na Virada Cultural. O maior frisson foi quando cantou a faixa-título, segunda do álbum, um samba-choro seresteiro, que depois Raul regravaria mais debochadamente em Gita (1973), em forma de bolero. Ídolo cult do glam rock brasileiro, Edy também solta as plumas em Eu não Quero Dizer Nada, de Sampaio. Este, por sua vez, também já soltava as farpas, entre soturno, visionário e satírico, em letras e interpretações incisivas.
As intenções ficam bem claras desde o codinome esdrúxulo da trupe (que mais parece o de uma seita obscura), a abertura com um bordão circense, até o desfecho com o som de uma descarga de vaso sanitário - recurso repetido infinitas vezes em investidas posteriores de outros grupos de pop-rock. O disco é uma grande farra, em que predominam composições de Sampaio e Raul, que canta em 7 das 12 faixas (3 em duo com o parceiro) e tocou praticamente todos os instrumentos. Musa do samba-de-breque, Miriam deixa a marca de sua malícia e seu suingue em Chorinho Inconsequente (Sampaio/Erivaldo Santana) e em Soul Tabaroa, de Antonio Carlos e Jocafi.
Entre os títulos inéditos em CD nessa coleção, além de Mussum vale destacar outros três. O primeiro é Quem me Levará Sou Eu (1980), décimo e ótimo LP de Dominguinhos, que marcou sua estreia na RCA, com participações de Gilberto Gil (Abri a Porta) e Luiz Gonzaga (Quando Chega o Verão), que fizeram grande sucesso na época.
Os outros são Elba (1981), o terceiro de Elba Ramalho, que inclui O Pedido (Elomar), e Porta Secreta (1980), terceiro de Amelinha, puxado por Gemedeira (Robertinho de Recife/Capinam). Três reais preciosidades relançadas são O Romance do Pavão Mysteriozo (1974), estreia-solo de Ednardo, Tendinha (1978), de Martinho da Vila, e Galos de Briga (1976), terceiro de João Bosco.
Este, como Caça à Raposa (1975), que continua há tempos fora de catálogo, é bem superior ao álbum de estreia de Bosco, que a Sony relançou em edição dupla de vinil e CD em 2009. A propósito, quando é que alguém vai se tocar que o sensacional Tiros de Misericórdia (1977) nunca saiu em CD? Já que o slogan da campanha publicitária da Sony é "chega de procurar discos raros em sebos", seria coerente tomar reais providências.
Da MPB antiga, voltam bons títulos de Isaura Garcia, Ary Barroso e João de Barro, coletâneas de Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Francisco Alves e dos chorões Pixinguinha, Benedito Lacerda e Jacob do Bandolim. Há também álbuns internacionais, como o bom O Som Brasileiro de Sarah Vaughn, e outros sem maior relevância de Cesaria Evora (o mediano álbum de remixes Club Sodade), Etta James (da fase menos brilhante), Toots Thielemans (The Brasil Project) e até uma coletânea do jovem Frank Sinatra.
A título de curiosidade, há Antonio Carlos & Jocafi Cantam Jorge Amado (1996), uma boa compilação de João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, três títulos de Gal Costa (Lua de Mel Como o Diabo Gosta, Vaca Profana e Bem Bom) e Simone (Amar, Corpo e Alma e Cristal), da fase mais pasteurizada de ambas, embora estivessem cantando muito, assim como a Fafá de Belém de Fafá e Doces Palavras, o Ney Matogrosso de Ao Vivo e o Tim Maia do álbum homônimo. Ficou tudo datado, mas maior equívoco é Cedo ou Tarde, de Cassiano, que piorou alguns de seus sucessos com convidados, e outras tranqueiras do rock gaúcho, que, só pra exercitar o poder do boicote, é melhor não mencionar.
Lauro Lisboa Garcia
Das aventuras musicais de Raul Seixas (1945-1989) antes de virar esse cultuado ídolo do rock, o LP coletivo Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10 (1971), ao lado de Sérgio Sampaio, Miriam Batucada e Edy (que depois acrescentou o Star ao nome) é a mais divertida. Espécie de Tropicália underground, um Rock and Roll Circus brasuca, nessa reunião de "malditos" o maluco beleza já soltava ali como manifesto diversos elementos que definiriam seu universo sonoro - como a fusão de rock e baião, o uso de sonoplastia, a predisposição para o brega e a diversidade sem preconceito - e lírico (o bom humor, a ironia, o gosto pela ufologia, a crítica comportamental), embora nem todas as ideias tenham partido dele.

Além de Sessão das 10, vale destaque na série Caçadores de Música, da Sony Music, o primeiro dos três trabalhos-solo de Mussum, o bom álbum homônimo de 1980 (leia abaixo). Ao todo são 51 títulos, alguns dos quais estavam fora de catálogo, outros inéditos em CD e uma maioria que ou não justifica a qualificação de "clássico" sugerido pela campanha, ou já estavam no mercado.
Sessão das 10 já tinha saído em CD pelo selo independente da Rock Company, em 1995, e pela própria Sony em 2000, numa edição desleixada. A nova versão é mais caprichada, com som remasterizado e encarte com todas as letras.
Na época do registro dessa extravagância, Raul era executivo da gravadora. Gravou o disco com os amigos nas madrugadas, às escondidas, para evitar uma possível demissão pela ousadia. Além de Tropicália, ele teria se inspirado em Freak Out (1966), de Frank Zappa, e Sgt. Pepper"s Lonely Hearts Club Band (1967), dos Beatles. Isso qualquer raulzófilo sabe, mas vale dar o toque para os não iniciados. Resultado: nem os homens da gravadora nem a mídia deram bola para o disco. Mas como tudo o que vem de Raul vira objeto de culto, com este não foi diferente. Nos sebos hoje o LP, difícil de encontrar, vale em torno de R$ 400.
No ano passado, Edy Star, o único vivo dos quatro, fez um show memorável com a íntegra do disco no palco dedicado a Raul na Virada Cultural. O maior frisson foi quando cantou a faixa-título, segunda do álbum, um samba-choro seresteiro, que depois Raul regravaria mais debochadamente em Gita (1973), em forma de bolero. Ídolo cult do glam rock brasileiro, Edy também solta as plumas em Eu não Quero Dizer Nada, de Sampaio. Este, por sua vez, também já soltava as farpas, entre soturno, visionário e satírico, em letras e interpretações incisivas.
As intenções ficam bem claras desde o codinome esdrúxulo da trupe (que mais parece o de uma seita obscura), a abertura com um bordão circense, até o desfecho com o som de uma descarga de vaso sanitário - recurso repetido infinitas vezes em investidas posteriores de outros grupos de pop-rock. O disco é uma grande farra, em que predominam composições de Sampaio e Raul, que canta em 7 das 12 faixas (3 em duo com o parceiro) e tocou praticamente todos os instrumentos. Musa do samba-de-breque, Miriam deixa a marca de sua malícia e seu suingue em Chorinho Inconsequente (Sampaio/Erivaldo Santana) e em Soul Tabaroa, de Antonio Carlos e Jocafi.
Entre os títulos inéditos em CD nessa coleção, além de Mussum vale destacar outros três. O primeiro é Quem me Levará Sou Eu (1980), décimo e ótimo LP de Dominguinhos, que marcou sua estreia na RCA, com participações de Gilberto Gil (Abri a Porta) e Luiz Gonzaga (Quando Chega o Verão), que fizeram grande sucesso na época.
Os outros são Elba (1981), o terceiro de Elba Ramalho, que inclui O Pedido (Elomar), e Porta Secreta (1980), terceiro de Amelinha, puxado por Gemedeira (Robertinho de Recife/Capinam). Três reais preciosidades relançadas são O Romance do Pavão Mysteriozo (1974), estreia-solo de Ednardo, Tendinha (1978), de Martinho da Vila, e Galos de Briga (1976), terceiro de João Bosco.
Este, como Caça à Raposa (1975), que continua há tempos fora de catálogo, é bem superior ao álbum de estreia de Bosco, que a Sony relançou em edição dupla de vinil e CD em 2009. A propósito, quando é que alguém vai se tocar que o sensacional Tiros de Misericórdia (1977) nunca saiu em CD? Já que o slogan da campanha publicitária da Sony é "chega de procurar discos raros em sebos", seria coerente tomar reais providências.
Da MPB antiga, voltam bons títulos de Isaura Garcia, Ary Barroso e João de Barro, coletâneas de Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Francisco Alves e dos chorões Pixinguinha, Benedito Lacerda e Jacob do Bandolim. Há também álbuns internacionais, como o bom O Som Brasileiro de Sarah Vaughn, e outros sem maior relevância de Cesaria Evora (o mediano álbum de remixes Club Sodade), Etta James (da fase menos brilhante), Toots Thielemans (The Brasil Project) e até uma coletânea do jovem Frank Sinatra.
A título de curiosidade, há Antonio Carlos & Jocafi Cantam Jorge Amado (1996), uma boa compilação de João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, três títulos de Gal Costa (Lua de Mel Como o Diabo Gosta, Vaca Profana e Bem Bom) e Simone (Amar, Corpo e Alma e Cristal), da fase mais pasteurizada de ambas, embora estivessem cantando muito, assim como a Fafá de Belém de Fafá e Doces Palavras, o Ney Matogrosso de Ao Vivo e o Tim Maia do álbum homônimo. Ficou tudo datado, mas maior equívoco é Cedo ou Tarde, de Cassiano, que piorou alguns de seus sucessos com convidados, e outras tranqueiras do rock gaúcho, que, só pra exercitar o poder do boicote, é melhor não mencionar.
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