Sabe o que me deixa mal mesmo? Ela me conhece e sabe que eu iria querer vê-la, mesmo depois do que nos dissemos ontem. Dormi muito mal, por que em meus sonhos, a todo instante aparecia algo que me remetia a ela. Por que somos realmente ligados e amigos.
É claro que eu não deveria ter dito metade das coisas que disse. Só que foi necessário para que algumas coisas fossem exteriorizadas realmente. Não foi fácil e ainda ecoam em minha cabeça muita coisa das ruas solitárias dessa pequena cidade. Fico em dúvida em como agir, sério eu estou perdido. Mas não quero me desculpar por ter sido sincero, não quero me desculpar por ter dito o que disse. Não quero ter de me desculpar sempre por sentir o que sinto e nego agora. Não irei me desculpar e nem escrever outro poema, nem outro blues... Aposentarei a caneta. Por que em cada verso meu terá um tanto dela nas cores, no ritmo, na escolha da palavra certa.
Ela está aqui sorrindo para mim enquanto digito esse desabafo que me despertou antes do porre ter passado completamente. Meio sonolento ainda, mas decidido a fazer o melhor para mim, doa em quem doer. Eu sei que sou um cara triste que cansou do silêncio. Um cara comum desses que ninguém se lembra no dia seguinte. Sou um cara que sofre nas madrugadas, mas ainda assim caminha. Por que se eu ficar parado eu morro,, eu piro.
Quero ficar aqui onde estou. É a primeira vez eu não sinto aquela vontade imensa de sumir e nem de abandonar. Apenas de ficar no meu canto. Mas não me sinto preparado para escrever nada além do que brota aqui. Johnny Cash me compreenderia sem nenhuma sombra de dúvida. Será que isso realmente importa? Quer dizer; sabemos que nossa amizade está ali intacta, e que não como. O mais doido é que escrevo o que escrevo ouvindo uma música que sempre me fará lembrar dela. E sigo baixando músicas e criando cd,s a ela. A minha imbecilidade é sem tamanho por que sei que ela me faz bem e me quer bem e que a recíproca desse sentimento é real. Tenha um bom dia minha querida
25 de maio de 2008
24 de maio de 2008
Escritor e terapeuta Roberto Freire morre aos 81 anos
Corpo foi cremado em São Paulo neste sábado (24).
Freire escreveu para os programas 'A Grande Família' e 'TV Mulher'.
O escritor e terapeuta Roberto Freire morreu na noite desta sexta-feira (23), aos 81 anos. O corpo foi cremado neste sábado (24) no crematório da Vila Alpina, em São Paulo. A causa da morte não foi divulgada pela família. Freire escreveu para teatro, cinema e televisão, além de ser autor de 25 livros, entre eles, a autobiografia “Eu é um outro”, de 2003. Na TV, escreveu para os programas “A Grande Família” e “TV Mulher”. Entre as obras mais conhecidas estão "Sem Tesão Não Há Solução", "Coiote" e "Cleo e Daniel", que virou filme em 1970, com Sônia Braga, Myriam Muniz e John Herbert no elenco. Como terapeuta, Roberto Freire se concentrou no desenvolvimento da somaterapia, criada por ele nos anos 70 com base nas pesquisas do austríaco Wilhelm Reich e no movimento anarquista.
Freire escreveu para os programas 'A Grande Família' e 'TV Mulher'.
O escritor e terapeuta Roberto Freire morreu na noite desta sexta-feira (23), aos 81 anos. O corpo foi cremado neste sábado (24) no crematório da Vila Alpina, em São Paulo. A causa da morte não foi divulgada pela família. Freire escreveu para teatro, cinema e televisão, além de ser autor de 25 livros, entre eles, a autobiografia “Eu é um outro”, de 2003. Na TV, escreveu para os programas “A Grande Família” e “TV Mulher”. Entre as obras mais conhecidas estão "Sem Tesão Não Há Solução", "Coiote" e "Cleo e Daniel", que virou filme em 1970, com Sônia Braga, Myriam Muniz e John Herbert no elenco. Como terapeuta, Roberto Freire se concentrou no desenvolvimento da somaterapia, criada por ele nos anos 70 com base nas pesquisas do austríaco Wilhelm Reich e no movimento anarquista.
23 de maio de 2008
ouça o bom conselho que lhe dou de graça
EMBRIAGUEM-SE
É preciso estar sempre embriagado.
Aí está: eis a única questão.
Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra,
é preciso que se embriaguem sem descanso.
Com quê?
Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.
Mas embriaguem-se.
E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso,
na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui,
a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala,
pergunte que horas são;
e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão:
"É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso".
Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.
Charles Baudelaire
É preciso estar sempre embriagado.
Aí está: eis a única questão.
Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra,
é preciso que se embriaguem sem descanso.
Com quê?
Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.
Mas embriaguem-se.
E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso,
na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui,
a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala,
pergunte que horas são;
e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão:
"É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso".
Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.
Charles Baudelaire
22 de maio de 2008
Pqna
Queria dizer que sou mesmo assim, quando o filme me emociona eu choro. Caminho sozinho olhando nos olhos das pessoas e vejo que não era o único a se sentir sozinho. Saio cantando músicas que não sei a letra completamente e, em minha mente, poemas vão surgindo aos poucos.
já me cansei de tentar encontrar explicações pelo fato de não nos largamos em nenhum dia neste pouco mais de um mês que estamos juntos. Talvez dure pouco tempo, ou talvez seja para a vida toda, mas quanto tempo é necessário estarmos na vida de uma pessoa para que a sintamos eternamente em nossa história? Eu também não sei a resposta dessa pergunta, como não sei a resposta de muitas outras.
Sabe, vim pensando no filme que terminamos de assistir e queria saber quando foi que perdemos a sadia mania de escrever cartas de próprio punho? Claro que é um tanto quanto confuso o fato de que eu escrevo aqui neste blog algo que caberia em uma folha de caderno e em minha letra estranha. O que garante que não haja nada neste sentido esperando em sua caixa de correio? Ou no meio de seu fichário? A vida pode ser surpreendente e que quero ser surpreendido por ela e por você.
Fique bem nessa noite, nos veremos em breve
Beijos
P.S. Você sabe
já me cansei de tentar encontrar explicações pelo fato de não nos largamos em nenhum dia neste pouco mais de um mês que estamos juntos. Talvez dure pouco tempo, ou talvez seja para a vida toda, mas quanto tempo é necessário estarmos na vida de uma pessoa para que a sintamos eternamente em nossa história? Eu também não sei a resposta dessa pergunta, como não sei a resposta de muitas outras.
Sabe, vim pensando no filme que terminamos de assistir e queria saber quando foi que perdemos a sadia mania de escrever cartas de próprio punho? Claro que é um tanto quanto confuso o fato de que eu escrevo aqui neste blog algo que caberia em uma folha de caderno e em minha letra estranha. O que garante que não haja nada neste sentido esperando em sua caixa de correio? Ou no meio de seu fichário? A vida pode ser surpreendente e que quero ser surpreendido por ela e por você.
Fique bem nessa noite, nos veremos em breve
Beijos
P.S. Você sabe
20 de maio de 2008
Glória (trecho do meu 1° conto)
Pelo espelho retrovisor o motorista do táxi nos encarava
“Sua filha parece muito cansada.”
“É ela está pregada.”
“Sua filha, né?”
Ele deu uma piscada como se dissesse,”sei, sei”. Sacana, mas quem não era sacana? Quem não estaria quebrando uma regra fosse moral, lógica ou legal. Sempre tem alguém colocando o dedo na ferida e essa era a minha vez. Essa era a minha noite e eu não iria perder tempo tendo crises de consciência por que um taxista olhava para mim com inveja. Cada um poderia sempre sorrir diante do erro dos outros, ele que ficasse rindo então.Eu sequer sabia o nome da garota que dormia ao meu lado.
Chegamos à frente de minha casa. Acordei a menina e caminhamos até o portão, ela se recostou no muro e eu voltei ao táxi para acertar a corrida.
“Quanto foi?”
“Olhe doutor, um conselho. Tome cuidado com essas menininhas, elas são fogo.”
“Não, é só um pouco de sono.”
“Sua filha não é? Sei. Ela é no máximo dez anos mais nova que você. Deu vinte paus.”
Paguei e me virei. Ela sorriu e disse, “me leva pra casa papai”, ela ainda frisou bem o “papai”. Pequena sacana. Já na sala ela tirou o tênis e sentiu o assoalho. Caminhou como se já conhecesse a casa, o que não era verdade. Sentou-se no sofá e apoiou os pés na mesa de centro atulhada de revistas de rock, algumas hq´s, livros e em cima dos livros minhas poesias e crônicas.
“Tem um refrigerante?”
“Deve ter, não sei!”
“A pessoa nem sabe o que tem em casa.”
“Uísque eu sei que tenho, tenho rum, conhaque...”.
Levantou-se e foi atrás do que queria. Achou a cozinha, a geladeira, a Pepsi e o copo. Gostava da determinação que ela demonstrava. Na volta ficou parada diante da mesa onde eu costumo trabalhar.
“O que é isso?”
Minha vez de ser sacana
“Se chama máquina de escrever portátil”.
“Isso eu sei”.
“Então a pergunta é referente a quê”?
“Você é mesmo escritor?”
“Sou.”
“E já publicou? Escritor sem ter publicado nada não é escritor.”
“Você já teve filho? Mulher sem ser tido filho não é mulher. Eu sou um escritor, não sou um editor.”
“Você tem maconha?”
“Não. Eu não gosto.”
“Nunca vi escritor que não fumasse maconha.”
“Quantos escritores você conhece pessoalmente?”
Odiava essa idéia de ter que ser como os outros querem. Sentou-se no sofá, me olhou de canto. Sentei-me em uma poltrona próxima e acendi um cigarro.
“Posso dormir aqui?”
“E teus pais?”
“Eles cabem no teu sofá?” disse isso com uma cara de quem queria mesmo era se divertir e não estava ligando muito para as conseqüências. Fazia-me lembrar de minha época de colégio onde sempre imaginamos meus amigos e eu, que seríamos eternos aos dezessete anos. Será que havia ainda um pouco dessa inocência em mim, e se houvesse quanto seria essa parte de mim hoje?
Fui até meu quarto e apanhei travesseiro e um lençol. Não acreditava realmente na liberdade que ela bradava.
“Se tiver fome sabe onde tem as coisas. Irei tomar um banho.”
Não terminei o cigarro. Fui ao banheiro e liguei o chuveiro, gostava muito de ouvir o som da água caindo enquanto me despia. Entrei debaixo do jato quente e deixei os ombros caírem, o corpo agradeceu àquela massagem. A cabeça girou e tive uma sensação estranha. Abri os olhos e ela me encarava parada na porta, estava só de camiseta e calcinha. Tinha um meio sorriso nos lábios e olhava meu pinto. Veio caminhando e entrou no que sobrara de espaço entre meu corpo e a parede do box. Puxou-me para um beijo, mordeu meu peito doído e minhas mãos começaram a percorrer suas costas. Ajoelhou-se e senti meu corpo crescendo dentro de sua boca. Ela tinha nove anos a menos que eu.
Acordei exausto e com uma marca de mordida no ombro direito, estava roxo e ainda dolorido. Ela não estava mais ali, ela havia partido enquanto eu dormia e me fizera o sacro favor de não me acordar. Eu gostava mais dela depois disso, não eram todas as pessoas que tinham essa sensibilidade de saber que o outro precisa dormir o tanto que o corpo pedia. Eu odeio quando alguém me acordava, parecia que o universo interrompia sua expansão naquele momento.
Olhei no relógio por uma formalidade imbecil, já que era domingo, quase dez da manhã. Levantei-me como um fardo. Não encontrei meus chinelos, mas vi a toalha ainda úmida jogada no chão perto da cama, não tinha condições de faze mais nada a não ser sorrir. Entrei na cozinha e vi um milagre sendo retratado, sentada à mesa tomando uma xícara de café e devorando um sanduíche de queijo ela estava absorta. Parecia uma foto antiga dessas pin up´s que a gente vê em revistas de tatuagens. Vestia um camisão meu aberto nos quatro primeiros botões. A curva interna do seio fazia um desenho incrível, poderia ficar ali olhando para ela por dias seguidos sem mesmo perceber. Os cabelos vermelhos contrastavam com a pele clara, era como o amanhecer no deserto. Sua boca abriu-se para mais uma mordida e era como um sopro de verdade numa manhã esquecida.
“Você dormiu bem?” mesmo com a boca cheia, e talvez por isso fosse tão belo, ela era encantadora. Baixou a cabeça e só então eu pude reparar que ela estava lendo alguma coisa. Era meu primeiro livro que estava na estante de meu escritório, perdido entre outras coisas ele era como um fóssil esperando para ser descoberto.
“Você mentiu para mim ontem.”
“Eu?”
“Sim, você sabe. Quando disse que não havia publicado nenhum livro.”
“Esse livro foi meu primeiro. Faz tempo que eu não o vejo por aí!”
“Estou gostando dos poemas. É fácil encontrar nas livrarias?”
“Não, não é. Ele não foi muito bem aceito e a distribuição foi uma bosta”.
“Que pena. Eu queria comprar um e trazer para você escrever uma dedicatória bem sacana.”
“Bem, você pode ficar com esse. Eu devo ter outros guardados em uma caixa no quarto vago. O que você quer que eu escreva?”
“Não sei. Algo bem pessoal e que me faça lembrar de ontem. Algo que me faça bem.”
“Nossa. Mas já vou avisando que sou péssimo nisso de escrever dedicatórias e coisas afins.”
“Posso te fazer uma pergunta?”
“Claro.”
“Por que você só escreve sobre bebedeira, músicas tristes e relacionamentos que não dão certo?”
“Porque a minha vida é assim. Esse é o resumo poético de meu dia-a-dia.”
“É verdade que você teve muitas namoradas?”
“Sim, quer dizer, não sei se se pode dizer que foram muitas namoradas. Mas já me envolvi com muitas mulheres. Não tanto quanto as pessoas pensam.”
“E você já amou alguma?”
“Todas.”
“Deixa de ser mentiroso. Não se pode amar todo mundo.”
“Eu amei cada uma da forma que me foi possível amar. Nem todas da mesma forma e com a mesma intensidade. Mas eu as amei sim.”
“Sente falta de alguma em especial?”
“Não.”
“Lá vem você mentindo de novo.”
“Eu deixo alguns fantasmas bem escondidos.”
“Sua filha parece muito cansada.”
“É ela está pregada.”
“Sua filha, né?”
Ele deu uma piscada como se dissesse,”sei, sei”. Sacana, mas quem não era sacana? Quem não estaria quebrando uma regra fosse moral, lógica ou legal. Sempre tem alguém colocando o dedo na ferida e essa era a minha vez. Essa era a minha noite e eu não iria perder tempo tendo crises de consciência por que um taxista olhava para mim com inveja. Cada um poderia sempre sorrir diante do erro dos outros, ele que ficasse rindo então.Eu sequer sabia o nome da garota que dormia ao meu lado.
Chegamos à frente de minha casa. Acordei a menina e caminhamos até o portão, ela se recostou no muro e eu voltei ao táxi para acertar a corrida.
“Quanto foi?”
“Olhe doutor, um conselho. Tome cuidado com essas menininhas, elas são fogo.”
“Não, é só um pouco de sono.”
“Sua filha não é? Sei. Ela é no máximo dez anos mais nova que você. Deu vinte paus.”
Paguei e me virei. Ela sorriu e disse, “me leva pra casa papai”, ela ainda frisou bem o “papai”. Pequena sacana. Já na sala ela tirou o tênis e sentiu o assoalho. Caminhou como se já conhecesse a casa, o que não era verdade. Sentou-se no sofá e apoiou os pés na mesa de centro atulhada de revistas de rock, algumas hq´s, livros e em cima dos livros minhas poesias e crônicas.
“Tem um refrigerante?”
“Deve ter, não sei!”
“A pessoa nem sabe o que tem em casa.”
“Uísque eu sei que tenho, tenho rum, conhaque...”.
Levantou-se e foi atrás do que queria. Achou a cozinha, a geladeira, a Pepsi e o copo. Gostava da determinação que ela demonstrava. Na volta ficou parada diante da mesa onde eu costumo trabalhar.
“O que é isso?”
Minha vez de ser sacana
“Se chama máquina de escrever portátil”.
“Isso eu sei”.
“Então a pergunta é referente a quê”?
“Você é mesmo escritor?”
“Sou.”
“E já publicou? Escritor sem ter publicado nada não é escritor.”
“Você já teve filho? Mulher sem ser tido filho não é mulher. Eu sou um escritor, não sou um editor.”
“Você tem maconha?”
“Não. Eu não gosto.”
“Nunca vi escritor que não fumasse maconha.”
“Quantos escritores você conhece pessoalmente?”
Odiava essa idéia de ter que ser como os outros querem. Sentou-se no sofá, me olhou de canto. Sentei-me em uma poltrona próxima e acendi um cigarro.
“Posso dormir aqui?”
“E teus pais?”
“Eles cabem no teu sofá?” disse isso com uma cara de quem queria mesmo era se divertir e não estava ligando muito para as conseqüências. Fazia-me lembrar de minha época de colégio onde sempre imaginamos meus amigos e eu, que seríamos eternos aos dezessete anos. Será que havia ainda um pouco dessa inocência em mim, e se houvesse quanto seria essa parte de mim hoje?
Fui até meu quarto e apanhei travesseiro e um lençol. Não acreditava realmente na liberdade que ela bradava.
“Se tiver fome sabe onde tem as coisas. Irei tomar um banho.”
Não terminei o cigarro. Fui ao banheiro e liguei o chuveiro, gostava muito de ouvir o som da água caindo enquanto me despia. Entrei debaixo do jato quente e deixei os ombros caírem, o corpo agradeceu àquela massagem. A cabeça girou e tive uma sensação estranha. Abri os olhos e ela me encarava parada na porta, estava só de camiseta e calcinha. Tinha um meio sorriso nos lábios e olhava meu pinto. Veio caminhando e entrou no que sobrara de espaço entre meu corpo e a parede do box. Puxou-me para um beijo, mordeu meu peito doído e minhas mãos começaram a percorrer suas costas. Ajoelhou-se e senti meu corpo crescendo dentro de sua boca. Ela tinha nove anos a menos que eu.
Acordei exausto e com uma marca de mordida no ombro direito, estava roxo e ainda dolorido. Ela não estava mais ali, ela havia partido enquanto eu dormia e me fizera o sacro favor de não me acordar. Eu gostava mais dela depois disso, não eram todas as pessoas que tinham essa sensibilidade de saber que o outro precisa dormir o tanto que o corpo pedia. Eu odeio quando alguém me acordava, parecia que o universo interrompia sua expansão naquele momento.
Olhei no relógio por uma formalidade imbecil, já que era domingo, quase dez da manhã. Levantei-me como um fardo. Não encontrei meus chinelos, mas vi a toalha ainda úmida jogada no chão perto da cama, não tinha condições de faze mais nada a não ser sorrir. Entrei na cozinha e vi um milagre sendo retratado, sentada à mesa tomando uma xícara de café e devorando um sanduíche de queijo ela estava absorta. Parecia uma foto antiga dessas pin up´s que a gente vê em revistas de tatuagens. Vestia um camisão meu aberto nos quatro primeiros botões. A curva interna do seio fazia um desenho incrível, poderia ficar ali olhando para ela por dias seguidos sem mesmo perceber. Os cabelos vermelhos contrastavam com a pele clara, era como o amanhecer no deserto. Sua boca abriu-se para mais uma mordida e era como um sopro de verdade numa manhã esquecida.
“Você dormiu bem?” mesmo com a boca cheia, e talvez por isso fosse tão belo, ela era encantadora. Baixou a cabeça e só então eu pude reparar que ela estava lendo alguma coisa. Era meu primeiro livro que estava na estante de meu escritório, perdido entre outras coisas ele era como um fóssil esperando para ser descoberto.
“Você mentiu para mim ontem.”
“Eu?”
“Sim, você sabe. Quando disse que não havia publicado nenhum livro.”
“Esse livro foi meu primeiro. Faz tempo que eu não o vejo por aí!”
“Estou gostando dos poemas. É fácil encontrar nas livrarias?”
“Não, não é. Ele não foi muito bem aceito e a distribuição foi uma bosta”.
“Que pena. Eu queria comprar um e trazer para você escrever uma dedicatória bem sacana.”
“Bem, você pode ficar com esse. Eu devo ter outros guardados em uma caixa no quarto vago. O que você quer que eu escreva?”
“Não sei. Algo bem pessoal e que me faça lembrar de ontem. Algo que me faça bem.”
“Nossa. Mas já vou avisando que sou péssimo nisso de escrever dedicatórias e coisas afins.”
“Posso te fazer uma pergunta?”
“Claro.”
“Por que você só escreve sobre bebedeira, músicas tristes e relacionamentos que não dão certo?”
“Porque a minha vida é assim. Esse é o resumo poético de meu dia-a-dia.”
“É verdade que você teve muitas namoradas?”
“Sim, quer dizer, não sei se se pode dizer que foram muitas namoradas. Mas já me envolvi com muitas mulheres. Não tanto quanto as pessoas pensam.”
“E você já amou alguma?”
“Todas.”
“Deixa de ser mentiroso. Não se pode amar todo mundo.”
“Eu amei cada uma da forma que me foi possível amar. Nem todas da mesma forma e com a mesma intensidade. Mas eu as amei sim.”
“Sente falta de alguma em especial?”
“Não.”
“Lá vem você mentindo de novo.”
“Eu deixo alguns fantasmas bem escondidos.”
18 de maio de 2008
o poema do Mapa Cultural Paulista
Alguns amigos que não conhecem esse poema me pediram para postá-lo. Na verdade quase ninguém conhece. Ele faz parte do meu segundo livro "Isso não é amor, é blues".
Pensamentos
"E caem como vento e em movimento transpassam seus olhos, seu cabelo...tudo se acalma e chora" Gabriela Carpi
Agora rascunho mais um poema,
Converso com Pandora e sei que lá fora está frio.
Glória e eu não nos vemos tem um tempo e sempre
Fica em minha mente o pedido
“Make me fell all right",
Mas nem nos vemos.
Daqui a pouco me canso desse azul e
Descerei a rua mesmo debaixo de chuva,
Comprar um charuto e uma dose de conhaque
Pra me fazer pensar melhor.
Ah, noite em que caem anjos
em chamas pelas capitais.
Noite em que lágrimas viajam pelas ondas da TV.
Perdoem as faltas, perdoem o pouco que somos
Nada faz sentido quando não nos vemos,
fica tudo como se fossem reticências
e a vida não perdoa mais o momento em que paramos
para espiar o sol se pondo.
Expiaremos feito um universo louco e caótico
Como se fôssemos um Big Bang às avessas...
Amanhã não teremos mais...
Make me fell all right
Pensamentos
"E caem como vento e em movimento transpassam seus olhos, seu cabelo...tudo se acalma e chora" Gabriela Carpi
Agora rascunho mais um poema,
Converso com Pandora e sei que lá fora está frio.
Glória e eu não nos vemos tem um tempo e sempre
Fica em minha mente o pedido
“Make me fell all right",
Mas nem nos vemos.
Daqui a pouco me canso desse azul e
Descerei a rua mesmo debaixo de chuva,
Comprar um charuto e uma dose de conhaque
Pra me fazer pensar melhor.
Ah, noite em que caem anjos
em chamas pelas capitais.
Noite em que lágrimas viajam pelas ondas da TV.
Perdoem as faltas, perdoem o pouco que somos
Nada faz sentido quando não nos vemos,
fica tudo como se fossem reticências
e a vida não perdoa mais o momento em que paramos
para espiar o sol se pondo.
Expiaremos feito um universo louco e caótico
Como se fôssemos um Big Bang às avessas...
Amanhã não teremos mais...
Make me fell all right
12 de maio de 2008
desabafo depois da premiação

São quase cinco da manhã e eu cheguei de São Paulo há pouco. Fui escolhido para integrar a coletânea do Mapa Cultural Paulista biênio 2007/2008. É claro que me sinto imensamente honrado e feliz em fazer parte dessa história. Mesmo a escrita sendo um exercício solitário é necessário vivermos esse momento de contato entre os iguais, por mais díspares que possamos ser e, se o formos, a qualidade está assegurada.
Depois de passar 14 horas em ônibus e mais um tanto em metrô e caminhadas pelas ruas de São Paulo. Estar em frente ao meu computador, com uma cerveja gelada e meu cachimbo é renascer entre os escombros do medo. Qual é a moral de tudo isso? Participar e surpreender-se. Quando li meu nome no enorme painel onde figuraram os escolhidos eu fiquei congelado e só balbuciava "O meu nome está ali na lista." E as pessoas estavam lendo "Eduardo Rocha Duran – Tupã- poesia "Pensamentos" e o mestre de cerimônias não se cansava de repetir; "Pedimos aos selecionados que venham ao palco para receberem os prêmios." Ravazi teve de me cutucar algumas vezes e mandar que eu fosse para lá. Fiquei triste por que gostaria que ele próprio estivesse constando ali na lista, assim como o José Rodolfo. Mas só eu teria de ir. Caminhei claudicante, com medo de que pudesse acordar a qualquer momento, mas o palco do Memorial da América Latina crescia ao me aproximar. Subi os três degraus e me uni aos outros. Incrédulo. Uma senhora veio em minha direção com o troféu e me perguntou;
"Você quem é?"
"Eu não sei!" nada fazia muito sentido, minha presença ali me soava como um momento de trégua em minhas incertezas. Senti-me em companhia de todos vocês meus caros amigos e minha mente era ágil em trazer a tona seus rostos e as possibilidades de crescermos em conjunto e produzirmos um bom material.
Olhei para os outros escolhidos e nos cumprimentávamos com parabéns surpresos. Eu não era o único embasbacado e isso reconforta quando você está no foco de centenas de estranhos em uma noite fria. Havia uma garota de cabelos cacheados a meu lado. Ela chorava. Perguntei: "Você escreve o quê?"
"Eu não sei!"
No fundo somos iguais nas incertezas e nas querências. Mesmo aqui, quinhentos quilômetros de tudo e vendo o troféu vítreo eu não creio ainda.
18 de abril de 2008
olá
As pesquisas sobre a geração beat têm me encantado e retirado um tempo monstro de outras coisas que não são mesmo tão importantes quanto eu supunha em um primeiro momento. Enquanto digito esse desabafo o relógio corre e a prova de latim fica mais próxima, finalmente terei a chance de matar esse leão. Claro que poderia ir para a segunda chamada, mas isso só iria adiar um confronto e já me cansei de viver na base do "epois eu vejo".
Claro que os projetos aqui da faculdade andam me encantando mais do que a Tv ou qualquer outra coisa. O jornal tem que sair do papel, ou ir para o papel, dependendo do que queremos.
é meu caro e olha que a noite de sexta-feira promete. Irei encontra Val perto das 23h.
Fiquem bem enquanto eu bebo a vida em um trago
Claro que os projetos aqui da faculdade andam me encantando mais do que a Tv ou qualquer outra coisa. O jornal tem que sair do papel, ou ir para o papel, dependendo do que queremos.
é meu caro e olha que a noite de sexta-feira promete. Irei encontra Val perto das 23h.
Fiquem bem enquanto eu bebo a vida em um trago
14 de abril de 2008
Você sorri
Vem caminhando armada com perfeição
senta-se ao meu lado e me refaz com o toque
me cheira e aceita o meu braço em volta do corpo.
Escreve um poema sobre baratas
Escrevo um texto sobre minhas bravatas,
te deixo maluca com meu jetio infantil
me esforço pra te agradar.
Tão parecida comigo na solidão,
devemos beber mais vezes e gritar mais alto.
Trepar nos muros que nos separam do desejo que temos,
Devemos cantar desafinados pelas noites em que a chuva ameaça e não cai.
Às vezes queria que você me levasse mais a sério.
Vestirei meu terno e sairei a procura de um resto de sol que aqueça.
me deixe ser louco ao teu lado.
te beijo
senta-se ao meu lado e me refaz com o toque
me cheira e aceita o meu braço em volta do corpo.
Escreve um poema sobre baratas
Escrevo um texto sobre minhas bravatas,
te deixo maluca com meu jetio infantil
me esforço pra te agradar.
Tão parecida comigo na solidão,
devemos beber mais vezes e gritar mais alto.
Trepar nos muros que nos separam do desejo que temos,
Devemos cantar desafinados pelas noites em que a chuva ameaça e não cai.
Às vezes queria que você me levasse mais a sério.
Vestirei meu terno e sairei a procura de um resto de sol que aqueça.
me deixe ser louco ao teu lado.
te beijo
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