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29 de outubro de 2010

madrugada

Estou feliz. Amanhã a tarde meu sobrinho Alisson virá ficar o fim de semana aqui em casa conosco. O menino é super gente boa e educado. A mãe dele deu boa educação. Alías meus 5 sobrinhos são massa, adoro os 4 moleques e minha princesa Emily. Ela fez aniversário no dia 27. Caramba já tem 10 anos.



26 de outubro de 2010

gêmeo?

“Mas essa sensação péssima na qual me encontro, descabelado, barbudo, gordo, sem paciência com nada, dormindo mal, levando bronca por coisas pequenas do dia a dia, xingando deus e o mundo... nada disso deixa de existir. Mesmo que eu cale meus verbos, não consigo calar o coração. E isso não resolve. Depois que e terminar o mestrado, quero ver se ainda me sinto assim. Já há um mês que meu quadro nao muda. Fico bem até, por algumas horas, em alguns dias. Mas é tudo tão passageiro. Feliz e infeliz são condições transeuntes na nossa vida. Mas parece que eu deixei de lado essa ideia e chamei para morar em mim toda a revolta do mundo. A felicidade vem visitar, esporadicamente, como sempre [como sempre foi depois que eu comecei a virar adulto, porque antes disso, a felicidade é que morava aqui]. Mas tá, abrir mão de dar lar à felicidade é uma coisa. Agora, chamar a fúria para morar comigo, aí não! No entanto, cá estou, odiando digitar errado e ter de apagar, odiando a bomba do chimarrão que entope sempre, odiando a erva do chimarrão, que não é aquela mais verdinha. Odiando tatear no escuro, quanto à dissertação, odiando os prazos se engolindo e vomitando responsabilidades urgentes em cima da minha cabeça.

Isso não é ser adulto. Isso é ser mal humorado. Sorte minha eu ter a cabeça no lugar. Sei que não vou cometer loucuras, porque ODEIO prejuízos emocionais [mais ainda do que os materiais]. Mas a vontade que eu tenho é de mandar tudo à merda. Inclusive eu. Fui.”



O trecho que você leu acima poderia ter sido escrito por mim, afinal meu mal humor está aí latente e pujante. Mas para minha alegria e surpresa de alguns imbecis a autoria é de meu irmão caçula Guilherme. Está lá na íntegra publicado no blog dele (quem quiser conhecer é só pegar o link na coluna ao lado).
Madrugada de terça-feira, uma e quarenta e três da manhã e eu encho meu fornilho mais uma vez, irei fumar um pouco do meu cachimbo para acalmar a mente que me cobra soluções rápidas para esse texto que não nasce.
Agradeço a esse humor ríspido e “cruel” (como diz Nathácia), porque ele me protege dos chatos de plantão. É claro que tenho que conviver com alguns, mas esses são poucos. Mesmo assim eu não ligo muito. Gostaria de estar em Salvador agora.

25 de outubro de 2010

Um Bêbado no Beco.

Eu não existo.
Fui criado por um cara medroso,
fui imaginado para dar voz
a seu silêncio.
Eu surgi para que sua covardia
não o dominasse.
Que o medo da poesia
não o aprisionasse.
Fui criado porque ele não sabe
encarar a noite
e nem os exércitos de perdidos
que vagam.
Ele não berra e aceita tudo
calado como um cadáver.
Ama com medo
e com medo o amor morre.
Não vinga.
ele me criou para que
o trouxesse à tona
desse se afogar solitário.


Livraria & Café BelasArtes
24 de outubro de 2010

2h30 da manhã de segunda-feira e um poema para mim.

Meus caros o sarau de ontem foi uma delícia, estamos acertando o tempero dessa paeja cultural. Tivemos poemas, bons poemas, e boas músicas. Recitei novamente trechos de "O Navio Negreiro" de Castro Alves.
A noite foi em memória de Luiz Bertazzoni e, para variar, o que devia se curvar mais nem apareceu, sanguessuga sacana. Mas foi melhor assim.

Mas a surpresa veio quando Nelson anunciou que recitaria um poema de sua autoria. Pensei que seria um que ele havia lido para mim algumas semanas atrás. Mas não, esse era inédito e se chama "Decassílabos". O mais massa é que ele é dedicado a mim. Fiquei emocionado com esse símbolo de amizade que o Lorde me prestou. Bom saber que parcerias se tornam amizades. É claro que reproduzo aqui o poema como ele foi escrito.

"Decassílabos"

Nunca vi ninguém cercado por tantos decassílabos,
Ladeado por ditongos, que em crescentes versos,
Busca frases tão próprias,
Para os momentos mais impróprios.

Nunca vi ninguém com tamanha ousadia,
Arrisca-se em momentos e lugares incertos,
Cativa desconhecidos à revelia.

Nunca vi ninguém quem usasse chapéu com tanta autenticidade.
Pessoa singular, de pretérito imperfeito e modos subjetivos.

Nunca vi ninguém bêbado em um beco,
Com um cachimbo aceso, um livro de poesia, uma mente sã,
Senhoras e senhores, eu vi...
Eduardo Duran

Nelson Santana



em breve postarei algumas fotos e vídeos da noite de hoje.
em outro post eu explico melhor esse lance de "bêbado no beco".
Ah, também terminei um poema meu. Rolou durante o sarau mesmo.

24 de outubro de 2010

para a Rayssa e o Luiz.





Quem pode dizer que o amor não existe.
Não reparou em Luis esperando Rayssa,
do outro lado da rua da livraria.
Quem se esqueceu da pureza do seu amor primeiro,
jamais iria reparar que ele a aguardava com paciência e carinho
por longas horas, enquanto dizíamos poemas
cheios de saudades de termos um amor assim.
Abençoada inocência que protege os namorados na adolescência,
e nos faz espectadores das descobertas que nós também já vivemos.
Também já esperei amores
atravessei estados,
vivi meus dramas, colhi meus louros,
chorei minhas lágrimas...
Envelheci com poesia.
Mas reparei no carinho que
fez Luis esperar por Rayssa após sarau.
E ele se abaixou, pacientemente,
como faz aqueles que amam
sem o tempo como infortúnio.

23 de outubro de 2010

época de eleições é PHODA

A Rede Globo comunica ao público que um falso e-mail começou a circular recentemente, afirmando que Pedro Bial está envolvido em uma mensagem que faz propaganda política. O jornalista e a emissora informam que o texto não é de sua autoria.

Periodicamente circulam e-mails falsos envolvendo a Rede Globo ou da sua programação. Os emails são mentirosos e não devem ser respondidos, especialmente com o fornecimento de qualquer dado do usuário.

Para ajudar o telespectador a se prevenir contra esses atos mal-intencionados, a Rede Globo mantém permanentemente neste site uma área de boatos. Se você receber algum e-mail suspeito, cheque em nosso site se há alguma informação disponível ou entre em contato com o CAT - Fale com a Globo pela internet ou pelo telefone 400-22-884

19 de outubro de 2010

Deixe que o tempo trará certezas,
Todas feridas se fecham
E fica apenas a experiência.
Eu a vejo nesta tela
De pinturas modernas.
Teus olhos me encaram,
Firmes
Num olhar aprisionador
Que traz para mais perto
E convida.
Vamos caminhar pela silenciosa madrugada
Poder falar como está a vida
E os sonhos que não realizaremos
Mas insistimos em ter.

texto de Oswaldo Mendes


Farinha pouca, meu pirão primeiro


18/10/2010 - Opinião1


Oswaldo Mendes (publicação autorizada pelo autor)

Do coletivo teatral que conseguirá pagar o imóvel alugado graças ao programa de fomento da Prefeitura de São Paulo, ao grupo da pequena e longínqua cidade agraciado por um dos Pontos de Cultura do governo federal, sem esquecer os municípios que se agitam com as periódicas viradas culturais do governo paulista, estamos todos satisfeitos. Para quem se acostumou a viver, nos últimos tempos, da mão pra boca, não há do que reclamar. Talvez seja por isso que, na recente campanha eleitoral, a palavra Cultura sequer tenha sido pronunciada, menos ainda discutida, por nenhum candidato a qualquer cargo. E não faltaram pagodeiros, palhaços, atores, sambistas e outras celebridades de calibres diferentes apresentando-se aos eleitores.

Nem os candidatos que em sua biografia lembram, quando oportuno, terem alimentado veleidades artísticas na juventude e os que ainda hoje cometem versos apaixonados ousaram tocar no assunto. Por quê? Simples. Vai tudo muito bem e quem se queixa é porque ainda não chegou a sua vez de ouvir tilintar no pires as moedas redentoras. Basta um pouco de paciência. Quem sobreviver terá seus trocados. Alegrem-se, pois há bolsas para todos. Até para os entretenimentos chiques, ou megaeventos musicais, dançantes, circenses, visuais, plásticos, gráficos, cibernéticos, literários, cinematográficos e teatrais – sem esquecer as feiras de uva ou de gado – aos quais bancos, financeiras ou empresas de grande porte, nacionais ou multinacionais, destinam os seus patrocínios sob as bênçãos da Receita Federal e do bolso dos contribuintes. O pão para o circo, enfim, está garantido. Lamentar, quem há de? Talvez a Civilização e as gerações futuras, mas por enquanto elas não têm direito a voz nem voto, pois a barbárie fashion venceu e dá as cartas como nunca antes na história deste País, para recorrer à máxima irresistível dos nossos novos descobridores que singram suas caravelas neste deserto de ideias, à esquerda e à direita.

A ausência da Cultura (maiúscula, por favor) em todos os palanques reflete em primeira e última instância a ausência do Pensamento e, com ele, das ideias, que foram substituídas por receituários, apresentados pelos candidatos como panaceias (que mais parecem placebos) para as urgências cotidianas da população. Esse vazio de ideias se observa, e não só no período eleitoral, na maioria das organizações sociais e políticas, partidos à frente. Fala-se da despolitização dos cidadãos anônimos, como se ela não tivesse atingido a todos. Mesmo quando grupos de ilustres cidadãos se manifestam, o que está em pauta é o varejo da Política, seja o alerta encabeçado por D. Paulo Evaristo, sobre a ostensiva presença de Lula na campanha de sua candidata, seja a réplica de juristas liderada por Márcio Thomaz Bastos, considerando justo que o Presidente faça tudo o que faz. Cabeças coroadas que já estiveram juntas em outros e mais nobres embates, agora preferem divergir sobre circunstâncias, ainda que se reconheça a legitimidade de suas motivações atuais. Mas o que elas fizeram não foi senão reforçar a prática de caminhar olhando para a ponta dos pés, abdicando de um debate que exercite o Pensamento e seja capaz de refletir sobre ideias que possam apontar para além dos acertos e mazelas do momento. Esse é o resultado mais perverso do continuado processo de despolitização da vida brasileira, do qual nem artistas e intelectuais escaparam ao longo das últimas décadas. Também nos palcos e nas telas, sobra pouco espaço para ideias. Venceu ali, como no resto do país, o entretenimento. Eventuais exceções não contam. Há que sobreviver, argumentamos como desculpa acanhada. Como se a sobrevivência fosse o objetivo de quem acredita na Arte como valor a ser perseguido. Há formas menos envergonhadas e mais dignas de “sobreviver”.

Criou-se assim o círculo da barbárie. Se a Cultura esteve (e continua agora no segundo turno) ausente das eleições e dos discursos de todos os candidatos é porque, talvez, os que a representam também abdicaram de promovê-la. Preferem as políticas de resultado, que lhes garantam sobreviver com fomentos, viradas e pontos de cultura (em minúscula mesmo) e CEUs que apontam para lugar nenhum. Não há preocupação em refletir a respeito, nem mesmo na imprensa, que se limita a promover o nada, refém de uma invisível “indústria cultural” que pauta os seus interesses, ou, quando a consciência lhe pesa, encastela-se num iluminismo tardio. Ninguém, na imprensa ou fora dela, se espantou quando um secretário da Cultura recentemente proclamou aliviado que a sua pasta não tem nada a ver com a Educação. Não tem mesmo, na lógica dos nossos (des) governantes e dos seus sucessores. Nem a Educação tem coisa alguma a ver com a Cultura. Vigora a lei do cada um por si e o diabo para todos. Só nos resta esperar que haja Unidades de Polícias Pacificadoras para todos.


O autor, Oswaldo Mendes, é ator, diretor de teatro e dramaturgo, autor de “Bendito maldito – Uma biografia de Plínio Marcos” (Editora Leya), prêmio Jabuti 2010

artigo publicado no domingo, 17 de outubro, pelo Jornal da Cidade, de Bauru/SP